2012

Kef Blade: A Star Is Born



  KEF MAIDSTONE (UK) 



 


João Cunha, António Domingos e Claus Rasmussen (KEF, Maidstone, UK)
O pretexto para a visita à fábrica da KEF, em Maidstone, na companhia de João Cunha (Infinite Connections) e António Domingos (Ultimate Audio Elite) foi o tema “From Concept to Reality”, ou seja, a passagem ritual das Blade Concept (not for sale) para as Blade (availabe for sale).


     


 


No mastro, o símbolo da presença de visitantes portugueses. A KEF cumpriu as regras do protocolo - nada foi deixado ao acaso.     Ambas as Blade não são novidade no Hificlube: estivemos presentes nas estreias mundiais, no Highend, de Munique, respectivamente em 2009 e 2011 (ver Artigos Relacionados). Mas não podia perder esta oportunidade de as ver nascer, desde a concepção em computador à montagem, acabamento e embalamento. Assim como às Muon, outra obra de arte moderna.


   


Até havia guarda de honra à entrada...  


Desde que a Gold Peak adquiriu a KEF, apenas a Reference Series, Muon e Blade são fabricadas no Reino Unido. Aliás, a maior parte das marcas emblemáticas de áudio britânicas são hoje propriedade de investidores estrangeiros, nomeadamente chineses, como única forma de as manter vivas e garantir parte dos postos de trabalho. Só cá em Portugal, é que parece que capital chinês é coisa má...




A Gold Peak abriu-nos as portas da KEF e revelou-nos os segredos mais íntimos
(na foto: as 209 em corte)

O mais curioso é que muitas das ”nossas” marcas – e já não falo do Vinho do Porto – são afinal estrangeiras: a Sagres e, pasme-se!, a Água do Luso, por exemplo, partencem ao grupo holandês Heineken.


     

Showroom com os modelos mais recentes   


Victor Lo, CEO da GP Acoustics, soube manter o espírito britânico original da marca e garantiu o investimento necessário para a pesquisa e inovação, assente no legado tecnológico de 50 anos da KEF, sem as quais não teria sido possível sobreviver num mercado altamente competitivo.


   

KEF Muon, uma obra de arte moderna, que é o espelho de quem a vê e...ouve.   


As Muon e as Blade não existiriam sequer sem esta injecção de capital fresco, tal foi o investimento necessário para as conceber, por uma questão de prestígio, sem exigência de retorno imediato. Tanto Ron Locke, que trabalha há mais de 20 anos na KEF, e foi o nosso guia ao Museu da KEF e à fábrica, e o wizkid Jack Brown, que criou o software que permite testar modelos virtuais, têm consciência disso, e mostraram nas suas apresentações o orgulho que têm no actual trabalho e a importância do legado que herdaram de Raymond Cooke:


   

The Uni-Q Driver Array explained by Jack Brown (courtesy KEF Video Channel)   


 




Blade Single Apparent Source explained by Jack Brown (courtesy KEF Video Channel) 


  The Nissen Hut



Maqueta exposta no Showroom da fábrica original da KEF   Assim como Claus Rasmussen, o nosso anfitrião, cuja palestra versou sobre o passado, o presente e o futuro da KEF Electronics, desde a origem modesta em 1961 na Nissen Hut (no mesmo local, onde está agora a actual fábrica), a aposta na inovação, com incidência na Uni-Q, que vai já na 10ª versão, a integração no gigante internacional GP, e a tecnologia de ponta utilizada nas Blade, o modelo comemorativo dos 50 anos da marca.


   

Claus Rasmussen, Business Development Director


A exibição da inovação tecnológica, por Jack Brown e a sua equipa, só teve paralelo no orgulho de Ron Locke, patente na visita ao Museu da KEF, descrevendo cada modelo e enquadrando a sua génese na respectiva época. São 50 anos de história em 5 minutos a não perder:


 




The history of KEF told model by model by Ron Locke (50 years in 5 minutes)


A fábrica da KEF, em Maidstone, manteve o Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, onde se concebem modelos virtuais de colunas e altifalantes, antes da construção dos modelos físicos, que sofrem testes intensivos em câmara anecóica, e só depois passam à fase de produção:


 




Jack Brown at his work station: from concept to reality


Quem nunca entrou numa câmara anecóica, pode, ao visionar o video exclusivo que o HIFICLUBE lhe mostra aqui, ficar com uma ideia razoável da sensação claustrofóbica de silêncio, que nos permite “ouvir o pensamento”, ao mesmo tempo que o coração bombeia o sangue para o cérebro. Um regresso ao útero materno?...


   

Enter the secret chamber with JVH and listen to your heart pumping up blood to your brains    Muito interessante foi a visita ao departamento de produção, a verdadeira maternidade onde nascem as Blade e as Muon. Cada técnico responsabiliza-se pela montagem de um par de Blade. Depois são testadas, em ambiente anecóico, contra a referência, para garantir um desvio máximo da resposta de 1,5dB, em toda a banda. Finalmente, são polidas com cera de automóvel e muito carinho, vestidas com fato negro de cerimónia e embaladas. Sem pressas. Sem stress. Com atenção aos mais ínfimos pormenores, como se pode confirmar no video que se segue:


   

KEF Blade, da concepção à produção. Uma visita guiada à maternidade de referência da marca     Para quem não tem capacidade financeira para investir, cerca de 25 mil euros, num par de Blade, a KEF propõe a R Series, que utiliza muita da tecnologia desenvolvida para este modelo, e versões muito semelhantes dos altifalantes de graves e do duplo médio-tweeter concêntrico Uni-Q da última geração. Deixem que seja o nosso velho conhecido Johan Coorg a apresentar-lhes pessoalmente esta nova linha, num video da responsabilidade da KEF: 


 




KEF R Series explained by Johan Coorg (courtesy KEF Video Channel)     


 


The taste of the pudding 


  

Sala de exposição/audição das Muon, Blade e R Series   Finalmente, a audição comparativa das Blade e das monitoras R100, com os mesmos excertos musicais (som directo sem processamento posterior), que vai permitir aos leitores formar a sua opinião. Sobretudo, vão poder comprovar que a KEF não se poupou a esforços para aproximar a performance de um produto mais acessível ao do topo de gama.

O auditório improvisado está integrado na Sala Museu, e não será o local ideal para demonstrações sérias, pois há dezenas de altifalantes presentes (e muitos woofers de todos os tamanhos e idades). Mas, apesar disso, a qualidade do som é óbvia.


   

Audição das KEF Blade com electrónica Electrocompaniet (Nemo)


 



Audição das KEF R100 com electrónica Electrocompaniet (Nemo)


Nota: HIFICLUBE agradece o convite da Infinite Connections e a hospitalidade da KEF, que tornou possível esta reportagem exclusiva.