2011

Audioshow 2011_hors Concours_ Franco Serblin’s Ktêma Live At Imacústica

Audioshow 2011_hors Concours_ Franco Serblin’s Ktêma Live At Imacústica



A loja da Imacústica, ao Areeiro, em Lisboa, já exibe no frontispício o novo logotipo da firma
 

A Imacústica tem tantas marca de highend que seria preciso um Imashow para poder albergar todas sob o mesmo tecto. Com a abertura da excelente loja de Lisboa, foi agora possível complementar as exibições no Audioshow 2011 com as exibições hors concours no seu próprio terreno e nas suas condições - acústicas e de conforto.


Tal como acontece em todos os shows por esse mundo fora, talvez com a excepção de Paris, onde, durante o decorrer das Journées de la Haute Fidelité se realizava simultaneamente uma peregrinação colectiva, tipo Rota dos Sons, com um mapa das diferentes lojas da cidade na mão, que os audiófilos visitavam a pé ou de metro, para colocar um carimbo que os candidatava a receber um sistema de som composto por componentes das marcas associadas; com a excepção de Paris, dizia eu, o pessoal ou tem ali à porta um shuttle gratuito que os leva lá e traz depois de volta, felizes com um saco de catálogos, canetas e isqueiros, ou não está para se meter no carro e andar à procura de lugar para estacionar. Os audiófilos, até por serem uma tribo muito ligada ao culto do sofá, são muito comodistas...


Apesar da presença de alguns indefectíveis “que vão a todas”, a apresentação nacional da primeira obra da nova dinastia Serblin – a KTÊMA – não teve, pois, a pompa e circunstância e o banho de multidão que merecia. Ou talvez fosse melhor assim...










Porque a Ktêma não é a coluna-espectáculo: nem no aspecto, nem no tamanho, nem no preço, nem na performance. Não tem nada a ver com a The Sonus Faber, por exemplo, que é um tour-de-force de técnica e design de cortar a respiração.
 







É óbvio que há ali, nas linhas onduladas e no reforço metálico do topo, mais do que uma simples sugestão de que a Ktêma e a “Fenice” têm origem num óvulo comum. Mas a comparação termina aqui.



 







Se foi um dos felizes convidados para a festa de apresentação das The Sonus Faber, sabe onde fica a loja – vá lá ouvir as Ktêma agora. A cultura audiófila, tal como a cultura musical, não se faz só de grandes produções. Um concerto intimista também sabe bem.


A Ktêma é quase monástica, na sua sobriedade – e soa como tal. Não é uma coluna para exibir perante amigos e convidados, e deixá-los de boca aberta de espanto (e inveja), é uma coluna para apreciar no silêncio - e em silêncio. Sem conversa, sem comentários políticos, sem o tilintar dos copos, ou o riso provocado pela piada brejeira de ocasião. A Ktêma é para ouvir música. Religiosamente.

De tal forma, que até um ouvinte experimentado – e já convencido à partida, como eu – pode ficar algo desiludido: embora só Deus possa agora salvar este país, andamos, hélas, cada vez menos religiosos, e preferimos os prazeres profanos, que dão menos trabalho e mais gozo. Só que duram pouco - e não nos lavam a alma da estupidez humana.


Admito que estava à espera da gama média robusta das Sonus Faber de antanho. Talvez porque tinha concebido na minha mente umas Guarneri com mais graves. Ou umas Extrema com mais requinte. Umas Amati até. Nada disso. Franco partiu para outra. O que é notável, quando já anda perto dos setenta.








 
A primeira coisa que vai notar é a saudada opção pela “doçura” do tweeter. De seda, pois claro. Os dois altifalantes de médios, propositadamente pequenos (para favorecer a fase e libertar a imagem estereofónica dos efeitos da difracção) podem parecer, por vezes, insuficientes para puxar pela música: falta-lhes aparentemente corpo, numa primeira audição ingénua.

Depois, compreendemos que isso se deve a uma particularidade única da Ktêma: o grave não está lá para ajudar os médios a descer o vale fértil da tonalidade ou impôr respeito dinâmico ao ouvinte. Tem uma tarefa muito mais importante a cumprir: deixar-nos ouvir a melodia que antes estava guardada na cave a sete chaves.


Não é só o ritmo (que excita), o poder (que inebria), a harmonia (que cativa), o contraponto (que embala). É a linha melódica (que surpreende) - no grave, can you believe it?!...
 
 



 
Ktêma takes a walk on the wild side





Tratou-se de uma audição muito breve, quase fugaz, com amplificação Jadis e fonte Copland. Algo me diz que com outra amplificação (Devialet?) as Ktêma ainda me vão surpreender, muito em breve, também nos médios. E que até eu vou aprender a conviver com a discrição tonal que parece ser agora um dos dogmas de Franco Serblin, um dos grandes mestres da audiofilia mundial. As suas obras devem ser apreciadas com tempo. E o tempo dirá que as Ktêma são algo de transcendente.
Salvé Franco!
 
 
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