2009

O Grau Zero Da Música

O Grau Zero Da Música
 O GRAU ZERO DA MÚSICA





“A riqueza musical da década de 60 é o resultado da identificação entre consciência artística e consciência política. O principal problema da actual música popular é, pois, de identificação. A juventude, única fonte de inovação constante, sofre de saudável (?) inconsciência política, pelo que está indefesa perante as técnicas de “marketing” agressivas, que a induzem a aceitar como inovadora a “consciência artística” do passado, à custa de malabarismos formais e de esvaziamento temático e cultural do projecto original. Há um desejo frenético de dizer de uma forma, que se pretende diferente, aquilo que já foi dito melhor por outros, num contexto no qual ainda fazia sentido.
(Nota: mal por mal antes a actual moda das reedições de originais e do regresso ao LP).

A música popular, antes tão rica de referências e mensagens, tornou-se assim num mero exercício formal, um conjunto rítmico de significantes sem significado; uma linguagem axiológica, que gira em torno de si própria; uma Forma-Objecto, que Roland Barthes, se fosse vivo, não hesitaria em classificar como “o grau-zero-da-música».



À míngua de projectos inovadores, a crítica repete-se ao ritmo da indigência das (re)edições. Para variar eu proponho que, à semelhança do que sucede lá fora, a crítica de discos tenha, além da classificação musical, uma classificação técnica. Pelo menos esta é mesurável e objectiva. E tem a virtude de juntar finalmente, no barco à deriva que é o mercado discográfico: audiófilos e melómanos...


Nota final: o barco tanto andou à deriva que se afundou.


O Grau Zero Da Música