2009

Ces 2009_ Pág 3_as Colunas De Hércules: De 4m A Pass (pág. 1)

Ces 2009_ Pág 3_as Colunas De Hércules: De 4m A Pass (pág. 1)







Hotel Mirage, Las Vegas (em frente ao Venetian)
 


Sinceramente nem sei por onde começar. Mesmo sem ter entrado em todas as salas: espreitava e, se não houvesse ali nada que justificasse o tempo perdido, seguia em frente (400 salas, no conjunto do Venetian e Alexis!, não me permitiriam a veleidade sequer de trocar impressões com os presentes ou de tomar notas, daí o recurso ao vídeo para mais tarde recordar).
Terei fotografado para aí 100 colunas diferentes e ouvido en passant durante uns minutos metade delas, das quais umas 20 com a devida atenção. Tomava depois nota no mapa para poder voltar ao local do crime (é, de facto, um crime avaliar umas colunas nestas condições, mas a minha experiência permite-me, para citar El Raton, um conhecido forista, avaliar o sabor pelo aroma).
 




Assim aproveitei o Domingo, último dia da CES, já com os corredores do Venetian praticamente vazios, para ouvir alguns sistemas apenas pelo prazer de os ouvir. De poder finalmente sentar-me durante mais do que duas ou três faixas, enquanto cá em baixo no “Casino Level” aquilo parecia o metro em hora de ponta (honi soit...), com os casais do Porno Show (eles chamam-lhe Adult Video) a passear as glórias e as misérias do corpo humano. As velhas “rookies” vestidas a preceito são indescritíveis – as novas ainda no activo também. Estar sentado numa esplanada do Venetian bar a vê-las passar é só por si um espectáculo suficientemente pornográfico.


E não é que esses sistemas eram, no Domingo, os únicos que tinham gente ainda a ouvi-los! Os verdadeiros amantes da música ficam sempre para o fim da festa. Porque antes tudo aquilo não passa de mercantilismo puro e duro. Transacionam-se notícias e fotos em troca de “test samples” e publicidade, ali à descarada. Os críticos mais famosos exigem mesmo exclusivos. Muitas das vezes entram na sala apenas para tratar de negócios (vem um tipo atrás deles para fazer as fotos...).


As apreciações dependem do resultado das conversações. As salas estão quase sempre vazias, em especial as regidas por orientais, que exibem cópias descaradas de modelos famosos, e saltam como se tivessem molas quando entra alguém da press, cujo porta-badge é laranja.


Alguns construtores mais modestos exibiam a imodéstia das companheiras, de busto opulento; os orientais optam por jovens bonitas que falam inglês como bebés para distribuir folhetos no corredor em frente à porta: vai um tirinho ó freguês? As empresas cotadas na bolsa do áudio oferecem cocktails e buffets ligeiros. Os outros ficam-se por chá, café ou laranjada, com biscoitos, rebuçados e chocolates. E até Nespresso!


Tudo espremido, o High Performance Audio ficava-se pelas 50 salas. Eram mais de 200 porque a maior parte deles fugiu do The Show, onde, confessou-me o representante da alemã Lansche, a dos tweeters de plasma (os mesmos das Acapella), chegou a estar um dia inteiro sem que ninguém entrasse na sua sala. Com excepção do Hificlube, claro, que era o que menos lhe interessava, pois a Lansche nem sequer tem distribuidor em Portugal. Mas agora, dizia-me ele, já tinha percebido como funciona o mercado americano de highend: primeiro há que agradar aos críticos influentes...


Uma notícia publicada no Day One, faz disparar as visitas nos dias seguintes. E, como todos podem ler, eles não as publicam por ordem alfabética...


Mas também há muita aldrabice do lado de lá. Por exemplo, o melhor negócio do highend são os cabos. Há, de facto, cabos fantásticos que “soam” muito melhor que os outros – não me perguntem porquê, é uma constatação pessoal. E não é por acaso que grande parte das notícias são sobre cabos. Até que damos de caras com uma empresa chinesa que alegadamente os fabrica a quase todos. Mais: mostram um vasto catálogo, e perguntam se pretendemos lançar uma linha de cabos. Há de tudo: de carbono, cobre, prata e ouro, unifilares, multifilares, de fita, entrançados, de secção rectangular, oval, com filtros, grossos, finos e assim-assim. Vendem-se em bobinas ou já “vestidos para matar”: transparentes, opacos, de cores discretas ou berrantes. É só escolher a marca e o logotipo. E quando eu lhes digo mas estes parecem os tal ou tal, eles respondem: não admira somos nós que os fabricamos...


O mesmo em relação aos amplificadores digitais, ou de Classe D para ser mais exacto: 90% vem da mesma fábrica chinesa. E o mais curioso é que eles estão ali mesmo ao lado dos outros (embora sejam apresentados sem caixa e sem nome) e nobody seems to give a damn. E mostra-me uma lista das marcas que fabricam. Are you joking? No joke, no joke...


Pergunta o leitor: mas porque é que eu não digo o nome das marcas? Ninguém me garante se eles estão a falar verdade ou apenas a gabar-se. E eu prefiro um Boss suit a uma lawsuit.


Aliás, as coisas não são muito diferentes com as colunas. Salvo raras excepções, as caixas são construídas em outsourcing, os altifalantes são Scanspeak, ou Seas e Focal, os crossovers são desenhados por computador (o programa está à venda) e os componentes compram-se ao quilo. O resto é marketing.


Então, se é assim, por que motivo umas soam também muito melhor que outras? Bom, no último dia fui jantar ao Wolfgang Puck’s Il Postrio: Linguini al Frutti di mare. Ambiente requintado numa “esplanada” interior com música ao vivo, serviço competente e atencioso q.b. (são mais simpáticos para o fim a ver se sacam uma boa gorja), um Chardonnay da casa que escorregava bem e um doce apoteótico com bom gosto e design extravagante na forma e na cor.


Ou seja, aquilo não era mais que esparguete com uns bocados de marisco, mexilhões e lulas, mas dito em italiano tem outro sabor. E eu até gostei. A mão do cozinheiro conta muito. Portanto o segredo do som está nos Wolfgang Pucks do áudio. A receita toda a gente sabe qual é - vem nos livros de cozinha. O resto é magia, e é isso que todos nós procuramos: um pouco de magia nas nossas vidas...


As TAD, por exemplo (ver videos em Parte 2), Hansen, Pass, Wilson Maxx III (c/amplificação Lamm), Rockport, Magico (o la la as M5 são de se lhes tirar o chapéu!), as Chario Serendipity, as Thiel, as King electrostáticas (que bem que tocam estas colunas chinesas!), as MetalWorks, as Scaena...


E deixo-lhes aqui o resto do menu para ficarem a salivar. Propositadamente, incluo em alguns casos a coluna da direita (refiro-me à coluna do preço). Vou deixá-los sonhar um pouco. Embora haja preços que são autênticos pesadelos...
  

MENU DE COLUNAS DA CES 2009


4M
 




Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha. As 4M ou as Nautilus? Mas olhem que a Elipson (francesa) garante que a galinha são eles. E canta de galo (ver video).










ACOUSTIC TECHNOLOGIES
 






Só utilizam uma unidade activa. Sem crossover, portanto, ao gosto de alguns foristas nacionais. Lá dentro devem ter uma linha de transmissão qualquer. Como seria de esperar, são muito femininas, logo falta-lhes...tomates!


AMBIENCE
 




Uma coluna híbrida com um som muito interessante. Não será “gorgeous” como afirma a TAS mas é muito agradável de ouvir. Os médio-agudos são reproduzidos por um “ribbon”. O problema, como sempre, reside na ligação... (ver video)


AMPHION








Krypton2. Já as tinhamos ouvido com prazer em Munique. Excelente equilíbrio tonal, ampla dispersão, imagem grandiosa (ver video).


ANGELIS
 




Um simpático fabricante canadiano. O mesmo do fabuloso gira-discos de 4-braços Gabriel (ver Parte 2: Pontos Altos). Lembram aqueles móveis dos anos 60, quando Siegfried Linkwitz explicou o que era a ”trifonia” e criou os primeiros crossovers para casar satélites com subs.


AUDIO PHYSICS
 




Scorpio. Design nórdico típico. Som meridional. Imagem excepcional como sempre. Concebida para tornar o Home Cinema um exercício decorativo e de prazer. Muito interessante.


AVALON
 







 




Aspect. O aspecto talvez não seja muito ortodoxo. Mas estavam a soar muito bem com amplificação Audio Research: cheias, naturais. O granito do topo, esse, é que não é natural, mas parece mesmo. (ver videos). Tweeter de um compost ode neodímio, médio de Nomex Kevlar. 28Hz-25kHz, notável para uma coluna tão pequena. Não sei quanto é que vão custar por cá, o preço lá anda pelos 8 mil dólares, deve dar outro tanto em euros...

CHARIO








Não eram as enormes Serendipity que estavam a tocar, eram as Sovereign, mas pelo som que se ouve no video ninguém diria. Uma obra prima de engenharia e... marcenaria... (ver video)


CRYSTAL










Já devem ter visto o excelente vídeo das Arabesque que responde a todas as perguntas dos leitores muito melhor que qualquer escrita.




 
As colunas de vidro não são novidade: tudo começou com as Waterfall e seguiram-se as Perfect (ver video). Mas estas (refiro-me às Arabesque) são, sem dúvida, as que soam melhor. O preço é que é pouco transparente: 45 000 euros!...(ver video)


DAVONE
 







Já tinham sido apresentadas o ano passado. Não passam de uma fantasia delirante. Soam como parecem: circunflexas...


EGGLESTON
 




A Andra já vai na versão III. Chegaram a ser importadas pelo Miguel Moreira mas foi sol de pouca dura. Se a memória não me falha, as originais com painéis de granito (?) eram mais bonitas. O som não me convenceu muito.


GERMAN PHYSICS














O Unicorn só tem um corno, perdão, uma unidade activa omnidireccional. O grave com muito optimismo é reproduzido pela corneta. O que havia era bom e articulado mas era também muito pouco para as necessidades. Nunca na vida daria 15 000 euros por uma coisa destas. Apesar da 'física alemã', as leis da física continuam imutáveis..


GRADIENT
 








Famosa pelos subwoofers que concebeu para as Quad ELS63, este ano apresentou uma coluna menos esquisita que o ano passado (a Helsinki). O nome também é simples: Laura. Um único altifalante coaxial à frente e dois ABRs pequenos atrás. Enfim, toca...


HANSEN
 




Acima do King V2 c/ amplificação CAT (really loud and clear – ver video) só as Emperor. Grande sistema: Continuum Criterion, amplificação Tenor, leitor CD McIntosh. Cabos: Kubala. Tudo junto custava para aí uns 200 mil dólares. Bom era. Mas o preço era também excessivo para aquilo que ouvi, e que também podem ouvir em vídeo. Harry James soou bem, mas não ressuscitou na sala, o que era o mínimo que se exigia por este preço...





JOSEPH AUDIO
 







As pequenas Pulsar aqui fotografadas em close-up (a foto normal ficoi algo tremida) tinham um grave que me mandou à procura de um subwoofer inexistente. Amplificação Belcanto. Um produto muito interessante. Parecidas com as Usher mas mais caras (7 mil dólares) e com muito mais sumo...(altifalantes SEAS, what else?)





KAISER KAWERO

 




Com amplificação a válvulas Mastersound, provavelmente os melhores amplificadores que se ouviam no Venetian, e o leitor-CD Combak Reimyo CDP-777, o tal, as estranhas Kaiser Kawero Signature não podiam soar mal. O tweeter é um ribbon. Atrás têm dois altifalantes de graves. Se calhar queriam que fosse só o que está à vista com este som todo... (ver video).


KING
 
 



A marca é King já vimos. A coluna é só Prince II. Gostei. Muito. Som electrostático típico. Maravilhosa gama média e graves ao nível das actuais Quad. Não são caras. A pedir um distribuidor em Portugal com urgência. Ou talvez não: o mercado, a economia, a crise...


KING
 



 







Tower. Havia dois Kings na CES. As King electrostáticas (óptimas), do mesmo fabricante destas, e as Hansen King. As colunas omnidireccionais nunca me convenceram muito. De todas elas, estas eram as únicas que eu despromovia a Valete...






LOIMINCHAY















Não me lixem! Só mesmo o facto de o promotor da marca ser o famoso ex-crítico Jonathan Scull é que pode levar os colegas a tecer loas destas colunas. O conceito é interessante, a forma estranha, o som completamente desequlibrado. Não há ligação entre a corneta e o woofer: existe um buraco no meio. My God! (ver video)

Se bem me recordo, o ano passado até tinha gostado do som. Em equipa que ganha não se deve mexer. O treinador deve ser o Quique...


MAGICO
 


 
 


 


 







Magia pura. Tanto as V2 como as M5, mas sobretudo estas. O preço em Portugal deve andar pelas 80 000 euros. É uma grande coluna e eu não me importava nada de ter um par como referência. O criador, Mr. Wolf, lá cedeu a ficar na foto junto das V2 com muita relutância: as Magico são muito mais abertas do que ele... (ver videos)


MAXXHORN
 


 

Mais um “corno”, perdão, corneta. Com uma única unidade Feastrex PHL 1240TWX. Direct coupled (sem câmara anterior de desacoplamento), wide bandwidth (45Hz), sem efeito de megafone (dureza dos médios). Bom, admito que esta toca melhor que as outras. Mas com preços entre os 20 e os 30 mil dólares. C’mon guys!...


MBL
 







RadialStrahler
é o nome alemão do ananás da MBL. Eu continuo a achar que a melhor coluna da marca foi a original. Apesar de tudo, preferi o som das pequenas 111F ao sistema grande. São bonitas de feias. Cantam e não encantam. Por cerca de 30 mil euros preferia ir ouvir a Filarmónica de Berlim...(ver video)

MC








Reference Line. Entrei na sala directamente saído da Loiminchay. Se dúvidas houvesse de que algo está errado no crossover das ditas, bastava ouvir as MC. Não são nada de especial mas pelo menos o espectro está completo. (ver video)

METAL SOUND








Rhea Diamond. Parece mais uma daquelas fantasias chinesas mas não é. Construção soberba. Materais nobres: duraalumínio e aço inoxidável, cablagem de prata e ouro; altifalantes cerâmicos e um som digno de se ouvir (ver vídeo). Tweeter ajustável para alinhamento geométrico de fase.




MOREL
 







Fatlady. Ganhou um prémio Inovação e tudo. Costuma dizer-se que o espectáculo só acaba quando a senhora gorda cantar: it's not over until the fat lady sings. Eu saí ao intervalo...




NOLA
 






O la la! Ganda som, ganda baixo. Isto toca que se farta. Reference Rosewood. São rosas, Senhor...

OCEAN WAY






Você não sabe o que é baixo até ouvir um monitor da Ocean Way Studio. Deep, deep in the belly of the earth... (ver video)

PASS








SR-1. Talvez sejam as melhores colunas da Pass. Mesmo assim eu prefiro os amplificadores. Ouvi-as várias vezes, numa delas na companhia de John Atkinson (ver video). Altifalantes SEAS (what else?) e um tweeter exótico Hexadym. Alimentação: XA100.5. Juro que preferi a audição no auditório da Delaudio com as Monitor Audio PL300...





 
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