2008

Gaborlink: Ciência Ou Banha Da Cobra?

Gaborlink: Ciência Ou Banha Da Cobra?

Está cientificamente provado que os electrões têm tendência natural para fluir à superfície, afastando-se do centro ou núcleo dos condutores sólidos, tanto mais quanto mais alta for a frequência. De tal forma que, em certas aplicações industriais, como emissores de rádio de elevada potência, as bobinas são construídas de cabos ocos banhados a prata. O mesmo se pode dizer das antenas.



O efeito é tanto mais pronunciado quanto mais grosso for o cabo. A fórmula matemática para determinar o maior ou menor grau desse efeito é conhecida. Na década de oitenta, o termo 'skin effect' passou também a fazer parte da gíria audiófila e do marketing de cabos áudio. Claro que os fabricantes de cabos omitiram que a fórmula só funciona com frequências acima de 1Mhz e nunca (?) nos humildes 20Hz-20kHz que balizam o que se convencionou chamar a banda áudio da alta fidelidade.



Há até cabos que utilizam condutores de diferentes diâmetros para alegadamente conduzir diferentes frequências! Um dia, numa palestra nos EUA, um conhecido fabricante de cabos, depois de garantir que nos seus cabos os graves fluiam pelos condutores mais grossos e os agudos pelos mais fininhos, foi convidado por um dos presentes a fazer a seguinte experiência em público:



Considerando que a frequência da corrente de sector nos EUA é de 60Hz, logo, uma baixa frequência pelos padrões áudio, ligava-se o cabo à tomada de sector de 120V e ele segurava na outra ponta com os dedos molhados apenas nos condutores mais fininhos que, a acreditar na sua teoria, não deixariam passar 'baixas frequências'. Foi a risada geral! E ele não arriscou, claro...



Bill Low, da Audioquest, um dos mais famosos teóricos dos efeitos da 'skin effect' na banda áudio tem uma tese (onde puxa a brasa à sua sardinha) publicada na net onde se explica por que motivo o 'efeito de superfície' afecta a qualidade do som, em especial no domínio temporal. Ou seja: segundo Bill é uma das principais razões (a absorção do dielétrico, por exemplo, é outra) pela qual os graves, os médios e os agudos em áudio não 'viajam' pelo cabo à mesma velocidade, além de sofrerem desvios de fase, tudo problemas que se manifestam como distorção que não pode depois ser corrigida por controles de tom ou igualizadores.



GABORLINK: O OVO DE COLOMBO
 
 

 
Gaborlink Nr.1: caixa de sincronismo passivo do espectro áudio. As peças colocadas em suspensão no caminho do sinal por uma agulha com mola têm diferentes perfis para obter diferentes efeitos de correcção temporal
 

 
O esboço de Heinrich Ralf que deu origem ao Gaborlink: a traço grosso (rosa) o percurso das altas frequências; um pouco mais para o interior do sincronizador, a traço negro as médias frequências; a negro e em linha recta mais próximo do núcleo as baixas frequências.


E se fosse possível criar um dispositivo passivo que obrigasse os 'agudos' e os 'médio-agudos' a ter de percorrer um caminho mais longo que os graves entre o leitor-CD e o amplificador, de tal forma que, de ouvido e por tentativas, se pudesse sincronizá-los tal como na origem? Dito assim, em linguagem de café, isto parece uma brincadeira, mas houve um alemão que pensou nisso e até registou a patente, o que, no mínimo, significa que lhe foi atribuída alguma credibilidade pelas autoridades competentes.


 


GABOLINK NR.1 HIGHEND
 
 





Três peças com diferentes perfis à superfície para diferentes níveis de atraso das altas frequências

 


Heinrich Ralf criou o Gaborlink de forma empírica, por tentativas, com base em estudos científicos. Não há aqui voodoo ou banha da cobra: o princípio é muito simples e racional. O Gaborlink é um processo passivo de 'afinar' cabos. O conjunto é composto por 28 pares de peças de uma liga de bronze, torneadas de tal modo que o perfil resultante à superfície 'obriga' as altas frequências a 'percorrer' um caminho mais longo para chegarem ao mesmo tempo que os médios e os graves, contrariando assim a tendência para fluirem de forma mais rápida à superfície dos condutores, tornando o som mais coerente.



Como não é possível medir o efeito, a única solução é substituir as peças gradualmente, aumentando (no caso de sistemas brilhantes: avanço dos agudos) ou diminuindo a 'distância' (no caso de sistemas escuros: atraso dos agudos), seleccionando as diferentes peças divididas por tipos de perfil, até obter um resultado audível de melhor integração e coerência, que se manifesta sobretudo nas vozes, que soam mais naturais e com a sibilância controlada. Com a eliminação de desfasamentos temporais, a percepção e localização dos sons no espaço torna-se também mais inteligível e o equilíbrio tonal mais natural, resultando num som mais encorpado. Com as peças de maior valor (perfil mais longo), o efeito é tudo menos subtil, pelo que não deve cair na tentação de começar logo pelo máximo e ficar por ali. Siga o caminho passo a passo, que é como quem diz peça a peça...



Pode-se alegar com justiça que, ao colocarmos 'uma prova de obstáculos' (dispersive delay line) em bronze no caminho do sinal (onda electromagnética), estamos a degradar a qualidade do som, além de que o efeito audível, muito provavelmente, fica-se a dever, não à correcção temporal, mas à maior resistência e à alteração das relações de capacidade e indutância.



The material should have a lower electric conductivity than conventional conductors; the constructed prototypes are made of brass. This type of material was taken to increase the skin depth of the physical skin effect. The diameter of this conductor varies aperiodically over the complete length. The variations in diameter of the conductor must be rotation symmetric on its long axis. The mathematical function of the rotation symmetric contour of this conductor specifies the frequency characteristic of the wave guide dispersion of the delay line



Heinrich (o meu homólogo alemão) garante que prestou provas no acto do registo da patente de que a alteração dos parâmetros eléctricos dos cabos é negligenciável, apenas se verificando um atraso matematicamente calculado de até 10ps nos registos agudos dependendo do perfil das peças montadas na caixa (ver fotos), e cito:



The frequency components of the propagating electromagnetic wave front, passing through a system that was corrected with a dispersive delay line, are slightly changed in signal timing. The results are time coherent spectral components of the electromagnetic wave. This is audible as an enhanced quality of sound. The geometrical anomaly of the conductor will cause a delay of these frequency components; they have to pass a slightly longer transmission path. The amount of delay time may be estimated in the range of 10 ps or lower.



Ao contrário de outros 'objectos mágicos' que exigem muita fé para se acreditar que funcionam, o Gaborlink é o melhor afinador de cabos e sistemas que conheço, embora seja preciso fazer 'sintonias finas' sempre que se muda de cabos, fonte e, sobretudo, de colunas, o resultado final é global e não sectorial. Montei um setup que me permite a comparação instantânea entre Gaborlink/bypass (ver foto) e não tenho dúvidas sobre a sua eficácia.



Já ando nisto há demasiados anos para cair na 'canção do bandido', e não quero ser acusado de utilizar o Hificlube para veicular o 'conto do vigário', mas atendendo a que a caixa c/ 1 elemento custa cerca de 80 euros (1) nota importante no final do texto), vale a pena pagar para ver, ou melhor, ouvir. Podem, por exemplo juntar-se quatro amigos e fazer uma 'vaquinha'. Até porque os audiófilos são crianças grandes que adoram estes jogos de Lego, e isto dá para passar um fim-de-semana divertido a fazer experiências em casa uns dos outros. Ir à bola sai muito mais caro e dá muito menos gozo...



Só uma chamada de atenção: é preciso paciência e dedos firmes para montar as peças nas finas e delicadas agulhas de suporte e ouvir/substituir/substituir/ouvir dezenas de vezes até o seu sistema atingir o 'ponto de rebuçado'. A partir daí, fecha as caixas (uma por canal). São precisos dois cabos por canal: um para ligar o leitor-CD à caixa mágica e outro para ligar a caixa ao amplificador integrado ou prévio (atenção à direccionalidade na entrada e saída dos cabos interconnects RCA).



O Manuel Dias (Imacústica) ficou curioso quando lhe mostrei o estojo e a sua aplicação e pode vir a importar o Gaborlink. Deste modo, o sistema seria afinado com a ajuda de um especialista, e depois só teria de comprar as caixas e as peças certas para o seu sistema. A Akustiklabor também vende a versão standard só com um par de 'dispersive delay line' de aplicação universal obtida a partir da audição de dezenas de sistemas sobretudo a transístores.



Disclaimer: o Hificlube não tem qualquer interesse, além do editorial, na divulgação do Gaborlink ou participação económica na sua comercialização, tendo apenas recebido um sampler para teste.



Notas:



(1) O preço de 80+IVA euros refere-se apenas à caixa c/um elemento. O total de 28 elementos já disponíveis faz aumentar o preço para uns consideráveis 369 euros+IVA, o que torna a 'brincadeira' cara...



(2) O segredo do Gaborlink pode ser lido aqui, em inglês (well, sort of...)



AKUSTIKLABOR

Gaborlink: Ciência Ou Banha Da Cobra?