2007

Procura-se: Vivo Ou Morto



O som é reproduzido por meios electrónicos e a maior parte dos espectadores só consegue ver os músicos no ecrã. Desde o século passado, que milhões de audiófilos em todo o mundo buscam o Graal Sónico, a reprodução fiel do som natural de instrumentos, tocados ao vivo, em ambiente natural, sem um microfone à vista. Mas com a excepção da música clássica (até na ópera já se utiliza reforço de voz), qual é o concerto, de rock, pop, fado ou jazz, que não nos serve música electronicamente processada?


Por essas feiras e arraiais, a qualidade dos PA é tão má, que nunca fez tanto sentido ouvir fadistas cantar “até que a voz lhes doa”. E, quando está vento na costa, o som chega-nos através da poeira no ar em rajadas intermitentes que jorram de colunas a debitar mais distorção que música. É por isso que não rumo a Sudoeste, nem fui a Mafra, em noite de vento e frio, ouvir a Mariza. Pois se eu a tenho aqui em casa só para mim...


A música ao vivo está morta, o que contraria o aforismo de Lili Caneças de que estar vivo é o contrário de estar morto. Não é. É exactamente a mesma coisa...