2007

Highend 2007 - Munique - Parte 3: Gira-discos E Válvulas




Quando eu pensava que já não era possível ir mais longe depois de a Transrotor ter apresentado o ano passado o fabuloso Artus;

Quando eu pensava que já não era possível ir mais longe, depois da Clearaudio ter melhorado o que já era a sua referência;



Eis que um carola alemão, colaborador da revista alemã LP, especializada em gira-discos analógicos, apresentou, em Munique, um protótipo que deve ser a peça mais complexa que alguma vez vi, construída com o único e louvável objectivo de reproduzir LPs. Além de que é lindo, caros leitores. Para ficarem com uma ideia um pouco melhor do que está aqui em jogo, cliquem no ícone amarelo no topo da página para ver um vídeo panorâmico e extasiem-se perante o engenho, arte e... paciência do artista...


Havia outros gira-discos, aliás, dezenas e dezenas deles, pois os alemães sabem o que é bom, como se comprova pelo sucesso da vendas de LPs, e dos 30% de demonstrações que recorreram aos gira-discos como fonte privilegiada de música, mas nada que se comparasse com o que acima se mostra.

Mesmo assim, vale a pena apreciar dois gira-discos do principal rival das Clearaudio e Transrotor, a Acoustic Solid, cujo modelo Royal tem dignidade real;

Ou este modelo mais discreto com base de madeira no bom estilo das colunas finlandesas Penaudio;

Ou este de fabrico italiano que me chamou a atenção, não pela beleza suave da madeira, mas pelo facto que nos orgulha a nós, Portugueses,

de ter montado no braço uma célula Benz LP, concebida pelo nosso Luís Pires, da GP Audio, que eu encontrei por lá a preparar o lançamento internacional das Olissipo.


O MUNDO MARAVILHOSO DAS VÁLVULAS


ABSOLUTA


A Itália não cessa de me surpreender. E não me refiro aos excelentes restaurantes italianos de Munique, como o Talamonti e o Via Veneto, mas sim à indústria áudio. Aparentemente, o mercado chega para todos. Estes são os Absoluta. Absolutamente diferentes. Não os ouvi. Serão apenas mais uma experiência decorativa?


AIR TIGHT

Um nome incontornável nas válvulas. Não vi lá nada de novo, a não ser a orquídea que docorava o ATM-211.

Mas o topo de gama mete respeito só de olhar. E pensar que com um amplificador de 1 quilo em Classe D eu tenho o dobro da potência disponível...


AUDION

Se dúvidas houvesse de que o MOC, de Munique, é o santuário sagrado do analógico e das válvulas, esta foto do casamento dos Audion 300B e dos gira-discos Rossner&Sohn, seria o bastante para as dissipar.


FONEL

Mais uma marca alemã que aposta nos andares de saída a válvulas, porque considera que só as válvulas são capazes de reproduzir o sinais musicais mais delicados sem pertubar o equilíbrio ecológico. A aposta na madeira também implica destruição da floresta, mas enfim, o som até era bom. E esteticamente recomendam-se.


GRAAF

O GM100 foi o parceiro das Sonus Faber Elipsa.

Mais próximas uma da outra do que em Lisboa - e apontadas para dentro, mas não tanto como o seu criador propõe -, mantiveram as características que lhes apontei no meu teste. Dão-se obviamente bem com amplificadores a válvulas. Mas talvez o AR 110 seja um melhor casamento.


JJ

O JJ 332 vêm da Eslováquia e tem os genes culturais de um glorioso passado imperial: luxo clássico a preços de Leste. Aproveite enquanto dura...


KR

O poderoso Kronzilla SX-1 é o T-REX dos amplificadores a válvulas. E continua a deixar de boca aberta todos os que pensavam que estavam extintos.

Acolitados por colunas de corneta Cessaro Alpha, outra “excrescência” do passado, eis que o rugido musical dos Kronzila DX1 se fez ouvir bem alto na selva em que se transformou o mercado audiófilo.


LYRIC

Como o nome indica, o Lyric Mini24 é uma miniatura com a curiosa particularidade de ter a fonte de alimentação separada. Mas não se deixe enganar pelo aspecto clássico: tem entrada USB para ligar fontes digitais e conversão D/A integrada!


LUXMAN


A Luxman ainda mexe e exibiu um curioso sistema composto pelo amplificador a válvulas, a unidade de controlo e a phono unit também a válvulas. Não ligue ao bloco de notas em cima do prévio: estava lá esquecido...


MAL



O nome não lhes faz justiça, até porque os MAL tocam BEM, acolitando o primeiro par de colunas magnetostáticas que estes olhos já viram e estes ouvidos ouviram: as Mal Stat Mode Four. Tendo como fonte LP, claro, não tocaram nada...eh...MAL...


MELODY

Agora que já têm distribuidor em Portugal, não preciso de insistir nessa urgente necessidade cultural. Não reproduzem a música toda, no sentido em que os grandes sistemas o fazem, mas aquilo que reproduzem é reproduzido com classe e carinho. Para mim basta o esforço.


TLA

True to Life, dizem eles. Já os tinha ouvido no ano passado, também com colunas Avantgarde Duo.

Este ano gostei menos. Vêm da Grécia. Aliás, havia lá de tudo de todo o lado menos de Portugal, que só era falado no MOC por causa do rapto da Maddie. Um tipo qualquer dia até tem vergonha de ser português...


UNISON

A minha ideia de felicidade audiófila é começar pelo Unico e acabar neste Absolute SE. O som tem a textura e o paladar de um Porto Vintage envelhecido em casco de carvalho.


WAVAC

Desta vez gostei dos Wavac HE833, com as Kharma, ao contrário do que aconteceu em Las Vegas. O que prova que nunca se pode dizer desta água não beberei. Ou então, são ainda mais caprichosos do que parecem...