2007

Hifishow 2007 - Preâmbulo: A Ditadura Da Crítica



Há 20 anos não havia “shows” em Portugal e a revista Imasom, onde eu escrevia e descrevia o que via e ouvia lá fora sem contestação, ditava a sua lei. Naquele tempo, o crítico era um ditador: o povo lia e anuía, porque não tinha informação para contrariar o que lia.


Os “shows” foram o 25 de Abril do hifi. O povo audiófilo podia agora ver, ouvir e dizer de sua justiça, e até contrariar a opinião da crítica “profissional”, que , sendo nós o país que somos, não passa afinal de um grupo privilegiado de pessoas vulgares, como eu, que se dão ares de gente importante, apenas porque têm acesso fácil aos equipamentos e aos meios de comunicação.


Os fóruns, tal como os blogs, vieram revolucionar este estado de coisas, e os “fazedores” de opinião perderam a influência que tinham junto da comunidade audiófila, ela própria agora também “fazedora de opinião”, veiculada de forma espontânea e rápida e, em princípio, isenta.


Claro que, num espaço de acesso livre por intervenientes anónimos, a alegada isenção dilui-se no caldo de interesses comerciais subjacentes, e o que não passa de uma opinião individual pode ter afinal uma intenção colectiva: de empresa, de grupo, de afinidade, de sensibilidade, de paixão comum e até de amizade ou ódio pessoal.


Sabe-se como as primeiras opiniões a serem divulgadas podem influenciar positiva ou negativamente as que se seguem, ao ponto de já não se saber se o que está em causa é o produto em si, e o contexto em que foi demonstrado, ou a esgrima de pontos de vista por razões pessoais ou outras.


Fico feliz por constatar que a minha opinião é hoje apenas mais uma para juntar a tantas outras igualmente válidas, e quiçá mais bem fundamentadas. No Portugal do século XXI, já não existe a ditadura da crítica. O que não significa que a maioria tem sempre razão e escolhe sempre os melhores. Dou como exemplo o facto de muitos terem considerado como neutro o som de um sistema (cuja marca divulgarei na minha reportagem) que, por erro, negligência ou sabotagem, tinha os agudos “puxados” 10dB acima do nível médio!!...


Na era mediática em que vivemos há muitas formas de “fazer” opinião e, tal como na política, a imagem, carisma e prestígio do candidato continuam a ter uma importância fundamental no acto de votar. É para isso que existe o marketing e a publicidade. Veja-se o que, nos últimos 30 anos, fizeram os eleitos da confiança e esperança que neles depositámos.


Mas quem nunca pecou, que atire a primeira pedra...