2006

Dr. House E As Gallo




Hugh Laurie no papel de Dr. House



Os mistérios da natureza humana, corpo e mente, são desvendados em cada episódio, como os crimes num filme policial da série CSI. As histórias, o rigor científico (li algures, não sou médico, “but somehow it all makes sense”), o ritmo, as interpretações, ali tudo - menos o cenário da clínica, que é talvez demasiado asséptico - contribui para divertir e informar o espectador. E ficamos a saber como é fácil irmos desta para melhor por causa de um diagnóstico médico errado ou como nos podemos safar se cairmos nas mãos de uma boa equipa de “diagnóstico diferencial”…



O Dr. House, magistralmente interpretado pelo actor britânico Hugh Laurie, é um médico tão brilhante quanto extravagante, cínico ao ponto de ser um autêntico sacana (bastard é como lhe chama a bela Cameron - e gosta dele!), anti-social, sujo, inconveniente e sem papas na língua; ainda por cima, é coxo e viciado em comprimidos para as dores. Mas é também profundamente humano, com todos os defeitos que isso implica (e são muitos, no caso dele).
A equipa de 'diagnóstico diferencial' de Dr. House


O Dr. House tem, sobretudo, muito bom gosto. Não me refiro só à bela e jovem doutora Cameron, que tem um fraquinho por ele para apimentar o enredo, mas o facto de se refugiar no gabinete a ouvir LPs, baldando-se ao serviço da consulta externa. E já repararam quais são as colunas que ele utiliza? No próximo episódio, tomem atenção e vão poder observar que, em cima da secretária, aquela bola vermelha não é um pisa-papéis, é uma Anthony Gallo Micro!
Gallo Micro red


Para House e a sua equipa o diagnóstico não é uma ciência é uma arte. É também essa a minha opinião há muitos anos em relação ao áudio: as medidas laboratoriais são úteis mas no fim o que conta é a intuição alicerçada na experiência (e algum conhecimento técnico). Mesmo que, por vezes, me acusem de ser mauzinho, cínico e um autêntico sacana. Tal como House, quando o doente não tem hipóteses de sobrevivência na selva audiófila, o melhor é confrontá-lo (a ele e à família, leia-se distribuidor) logo com a verdade: os paninhos quentes resultam em sofrimento desnecessário para todos os envolvidos, incluindo os contribuintes, leia-se, consumidores...