2006

Blu-ray Vs Hd-dvd



A propósito do Blu-ray escrevi na reportagem do Highend 2005:


Vi dois ou três excertos de filmes em alta definição entre eles uma palermice intitulada “ Are We There Yet ”, com Ice Cube. A imagem era muito boa mas a espaços de qualidade irregular.


E já este ano na reportagem da CES 2006:


Vi filmes em ambos os formatos e a diferença está mais na qualidade do original que no formato. Se a imagem do original for má, nem o Blu-Ray a salva, ou pior, ainda agrava mais...


Mais recentemente na reportagem Highend 2006:


A propósito do HD-DVD:


Na sala da revista VIDEO o chamariz era a projecção de King Kong em HD-DVD. Primeiro levei com meia-hora de conversa a propósito de um DVD-teste, que era afinal o que eles queriam vender-nos, como fazem aos reformados nas excursões a Fátima, e só depois é que apareceu o King Kong. Afinal não era o filme integral mas um “trailer” promocional. A imagem era excelente, sem dúvida. Quando se fala em resolução, pensa-se sobretudo na nitidez da imagem, mas é sobretudo a saturação e naturalidade das cores e a profundidade da imagem que mais impressionam.


E a propósito do Blu-ray:


O mesmo não posso dizer em relação aos filmes em Blu-Ray que vi na sala da Pioneer, como “Os irmãos Grimm”. Eu já tinha visto filmes em Blu-ray a 1080p, no stand da Sony, em Las Vegas, e posso garantir que aquilo que foi exibido no stand da Pioneer, em Munique, não é Blu-Ray, embora os discos o fossem (cópias do tipo BR-RE). É que resoluções de 1080p exigem monitores HDTV com entradas HDMI da 3ª geração, caso contrário têm de se utilizar as saídas por componentes, e essa só tem a resolução normal do DVD para evitar a cópia. Ou então, se é isto que nos querem impingir na Europa, fico-me pelo velho DVD reproduzido por um Denon com upscaling…


Lendo tudo de seguida, começa a surgir um padrão no meu espírito, que não é o mais favorável para a imagem do Blu-Ray.


Sony Blu-ray


Atenção que o Blu-Ray tem sido apresentado, tal como o SACD, como uma cópia fiel da matriz original. Ora eu vi a projecção da “Guerra da Estrelas, a Vingança de Seth”, em Las Vegas, no stand da Texas Instruments, a partir da matriz digital original cedida por George Lukas num ecrã gigante, e fiquei absolutamente deslumbrado.



Mas ainda não vi nenhum filme em Blu-Ray cuja imagem me convença do mesmo modo sem reservas. Já o HD-DVD tem sido pelo menos mais regular na qualidade da imagem em todas as apresentações a que assisti, isto apesar de tecnicamente as especificações do Blu-Ray serem muito superiores.
Rui 'Gladiador' Calado visionou recentemente filmes em HD-DVD num Toshiba e atribuiu a classificação de 'Excelente' à imagem.



Entretanto, todas as notícias que me chegam de críticos e utilizadores particulares (em Portugal também, segundo me informa Rui “Gladiador” Calado), é a de que os filmes já editados em HD-DVD têm uma imagem de excelente qualidade, superior à de qualquer DVD convencional mesmo com upscaling até 720p ou 1080i.


Toshiba HD-DVD XA1


As principais críticas incidem sobre o hardware: o leitor-HD-DVD da Toshiba é lento (há discos que demoram 2 minutos a carregar: lembram-se dos primeiros leitores-SACD da Sony?) e volta e meia encrava. A Toshiba vai disponibilizar firmware para resolver esta e outras questões, mas, como sempre acontece com os novos formatos, o primeiro milho é para os pardais…

Ainda não consegui meter as mãos no novo leitor-Blu-ray da Samsung, a lebre que foi lançada às feras enquanto a operação PlayStation 3, que tinha vindo a ser protelada até à recente entrada “em funções” do novo protocolo de transmissão HDMI 1.3, não começa.



Contudo, houve quem tivesse acesso privilegiado ao Samsung e aos poucos discos disponíveis, e todos eles confirmam infelizmente o padrão que referi: a imagem do Blu-Ray é “soft” em comparação com a do HD-DVD.

Samsung BDP1000


Scott Wilkinson, da Perfect Vision, testou o leitor Samsung BD-P1000 e concluiu que, e cito:



The images simply didn't “pop;” there was no “wow” factor as there was with HD DVD.


O problema, segundo Scott, reside no circuito de redução de ruído do “scaler” Genesis do Samsung que está mal configurado. A Samsung está a preparar firmware específico para resolver este problema, embora pareça que o melhor é desactivar mesmo o circuito.



Mas será só isso? É que eu fiquei com a mesma impressão de Scott Wilkinson quando vi filmes alegadamente em Blu-Ray no stand da Pioneer, em Munique. E o leitor era um Pioneer Elite…



Espero que a Sony não faça ao Blu-Ray o que fez, ou melhor, deixou fazer, ao SACD: a maior parte dos discos são editados a partir de matrizes em PCM, daí que ninguém oiça qualquer diferença. O mesmo se passa entre o Blu-Ray e um DVD “puxado” a 720p: que escolha o diabo!


Até porque aposto que todos os Blu-Ray que vi até hoje foram editados a partir das mesmas matrizes utilizadas nos DVD correspondentes (ver Nota).


Assim não vale. É que, ao contrário do som, que é mais subjectivo, as diferenças visuais são óbvias. Mesmo aos olhos de um leigo, um gato é muito diferente de uma lebre. Mas já ouvi sistemas de som que confundem gatos com lebres…


Nota:
Full Metal Jacket, de Stanley Kubrik em HD-DVD


A alegada superioridade do Blu-ray baseia-se na especificação “dual-layer” com discos de 50Gb de capacidade. Mas há problemas técnicos e todos os discos editados à pressa até agora são “single-layer”. O que isto significa é que as matrizes são transferidas para Blu-ray em MPEG-2, tal como com os DVD convencionais, por falta de espaço nos discos (SACD=PCM rings a bell?...). Enquanto os HD-DVD utilizam o sistema de compressão Microsoft VC1. Portanto, até ver, os Blu-ray são gatos e os HD-DVD são lebres, e por isso correm muito melhor nos ecrãs de alta definição.


Portanto, em conclusão, até surgirem no mercado os 'dual-layer Blu-Ray', a aposta dos fanáticos da imagem de alta definição em vídeo deve ser HD-DVD. Depois, cá estarei para ver e contar...