2005

Santos De Casa - Parte 1




Até os distribuidores preferem fazer nos anúncios citações em inglês de artigos escritos pelo fulano-de-tal-da-hifi-não-sei-quantas - dá um ar mais cosmopolita. Enquanto lá fora me citam a mim - dá um ar mais exótico (étnico?).



Sobre o crítico nacional paira sempre no ar a dúvida:



Será que ele sabe o que está a dizer? Ou pior ainda: quem é ele para avaliar isto ou aquilo? É técnico? É engenheiro? Como se os melhores amantes fossem os ginecologistas...



Daí a preferirem esperar que alguma luminária anglo-saxónica diga de sua justiça, vai um passo. Se ele disser o contrário: bem me parecia que o tipo era uma besta. Se disser o mesmo: teve sorte, acertou sem querer. Ou pior ainda: plagiou. Para logo se acrescentar: isto escrito em inglês tinha outro sabor. É assim também na música. Mesmo quando não se domina lá muito bem a língua. Já li até algures na blogosfera alguém comentar um texto meu nestes termos: diverti-me imenso a ler, a crítica está bem esgalhada, parece que o tipo sabe disto, agora vou tentar descobrir na net onde ele foi copiar...



Eu também já fui assim: devorava a imprensa áudio internacional e idolatrava alguns dos melhores autores americanos e ingleses. Até que os conheci a todos pessoalmente e cheguei à conclusão que muitos deles (a maior parte, aliás: há honrosas excepções, claro) são tipos banais, como eu - e como você, caro leitor. Nada tema: a sua opinião é tão ou mais importante que a do melhor crítico do mundo. No final é você que compra, não ele. Tal como em política, não deixe que ninguém decida por si.



Embora a personalidade e o estilo do crítico sejam fundamentais, ele não pode escrever apenas para o seu umbigo: a minha escrita pode parecer elitista mas vive do feedback, ou melhor, do feedforward, da realimentação positiva - a opinião dos leitores é, pois, fundamental. E também sabe bem ao ego quando um crítico americano escreve sobre certos equipamentos o mesmo que eu escrevi meses antes. O contrário teria sido considerado plágio, assim tenho o álibi cronológico. Não que isso seja um factor sine qua non de credibilidade, espero, mas fico feliz por os meus leitores poderem dizer: já tinha lido isto no Hificlube!...



DENON DVD 2910

«Basta visionar um DVD a 720p para já não querer voltar atrás. Eu prefiro sempre 720p. Embora o formato 1080i tenha sido o escolhido por quase todas as cadeias de televisão, incluindo o consórcio europeu Euro1080, a verdade é que a matemática não é tudo... O DVD-2900 era excepcional com DVD-Audio. O DVD-2910 é talvez menos bom com DVD-Audio. Mantém, contudo, a qualidade básica da reprodução SACD e é ainda melhor com CD. A Denon optou - e bem - por favorecer os dois formatos mais utilizados: CD e DVD-Video».


JVH in DN Música, Dezembro de 2004


«With Red Book CDs, the 2910 is among the very best players I've heard under $ 1 000. With DVD-A, the Denon was significantly bettered by the more expensive players - much more than it was with CD and SACD». With DVI/HDMI especially, the Denon offers resolution to the limits of the format 480p and 720p (1080i was very good but no quite as pristine)».


Shane Buettner in The Absolut Sound, February/March 2005


SONUS FABER STRADIVARI

Há outras colunas capazes deste realismo impressionante. Mas, tal como as figuras de cera no museu de Madame Tussaud, causam-nos por vezes um profundo mal-estar, tudo porque lhes falta a alma, como aos cadáveres na pedra fria da morgue.... As Stradivari têm alma.


JVH, in DN Música, FEV 2004


«O grave podia ser menos «anafado» e o médio-agudo de arestas menos boleadas? Os registos médios são «plummy», cremosos ao ponto de nos fazer temer uma subida do colesterol?... Que interessa isso quando todos os instrumentos têm, intrínseco ao acto de soar, o elemento humano, como se o músico fosse parte integrante da matéria de que o instrumento é construído?»


JVH, in DN Música, Setembro de 2004


«The Stradivari is a full-range speaker with a big, deep, solid, supple bottom end; a tactile, lush, velvety midrange...I've heard cymbals and other percussion instruments reproduced with more edge and bite, but with a loss of some shimmer…It was the most communicative speaker I've ever heard. Can a speaker have «soul»? I don't know, but this one comes the closest to making me think so».


Michael Fremer, Stereophile, Janeiro de 2005


Continua - ver Parte 2 nos Artigos Relacionados abaixo