2005

Linn Classik Movie 2005: Ligações Afectivas




O Linn Classik Movie original, a que se seguiu a versão “Di” (5.1), que este novo modelo vem substituir, foi um sucesso mundial. Até por se tratar de um produto diferente que conciliava elevada performance vídeo e áudio num único “chassis”. Ao integrar todas as funções básicas de um sistema AV: leitor-DVD/CD, processador Dolby Digital e DTS, amplificador multicanal (e o extra de um rádio-sintonizador analógico), o Classik Movie evita “misturas”. Basta juntar um conjunto de colunas, de preferência as Linn Komponent, e um plasma ou projector para ir ao cinema sem sair de casa.
Et pour cause, o “Classik” tem funções multisala, desde que acolitado por outro equipamento Linn (Knekt system). Assim, achei que seria interessante correr o risco de contrariar a filosofia Linn para ver/ouvir até que ponto o “Classik” se adapta a jogar numa equipa diferente composta por colunas Martin Logan e electrónica Krell Showcase.


A Linn não corre atrás de modas. E a moda agora são as saídas digitais: DVI e HDMI. Este modelo só tem saídas SCART RGB e S-Video (a versão USA tem saída por componentes), o que me colocou a primeira dificuldade: como ligá-lo ao novo projector Hitachi PJ TX200 que não tem entrada SCART? Por meio de cabo S-Video? Aqui sinto os videófilos a ficar com urticária: S-Video!? Pois.

Nota: A ficha SCART tem saída RGB e YUV e com o cabo adequado pode, em princípio, ser ligada à entrada “Component” de Plasma/LCD que disponha de conversor de sincronismo. A Transom sugere o cabo da Profigold SCART/RGB (PGV372) e pode informá-lo quais os plasmas compatíveis.


Há quem considere que é preferível uma robusta ligação analógica a uma frágil ligação digital. Até porque o sinal vídeo digital sofre mais em percursos longos e está sujeito aos tratos de polé do processador do projector/plasma enquanto o analógica beneficia aqui à partida do superior processamento interno do leitor-DVD da Linn. Portanto, não diga desta água não beberei.



O S-Video, cuja resolução máxima, ao contrário do que se pensa, não está limitada à partida pelo processo de transmissão dos sinais correspondentes à luminância e crominância, e depende sobretudo da largura de banda da fonte, é perfeitamente compatível com 560i.



Ou então fui eu que tive a sorte de pegar logo no DVD de Robbie Williams Show (gravado em estúdio com público) que tem alguns dos grandes planos mais nítidos, bem focados e iluminados que estes olhos já viram fora do reino do Blu-Ray e da HDTV. Com S-Video, a imagem não é perfeita, admito, e notam-se alguns artefactos nos planos de fundo mal iluminados ou com certos movimentos de câmara que não beneficiam do varrimento progressivo dos leitores da última geração com saídas digitais.
(Nota: os modos High-Res e Non-Flicker substituem aqui a função do Progressivo).


Com cabo SCART tive de utilizar um televisor e fiquei sem termo de comparação. De resto, a experiência cinemática é, de uma maneira geral, francamente positiva, sendo a variação da qualidade da imagem entre discos superior à das diferentes ligações. Quando a transcrição para DVD é boa, o Linn oferece uma imagem estável (o segredo do “Silver Disk Engine”), de cores fortes e saturadas e nada cansativa (a opção Linn pela simplicidade e o prazer).

O mesmo se pode dizer da secção áudio. Os CD são reproduzidos com o proverbial sentido de ritmo (o grave é muito bom) da família Linn. E não tenho nada a apontar à conversão Dolby Digital e DTS. A imagem acústica “surround” é sólida, coerente e envolvente como, aliás, já tinha acontecido com o Unidisk SC. As vozes soam particularmente inteligíveis e autênticas e o necessário equilíbrio entre diálogos, banda sonora e efeitos especiais não resulta nada desgarrado e artificial como acontece demasiadas vezes.



Nas ligações multicanal às colunas de som a Linn mantém uma das idiossincrasias do modelo “Di”: as fichas (fornecidas) são do tipo Deltron, que são uma espécie de brinquedo Meccano, incompatíveis com as forquilhas e bananas dos meus cabos Siltech. Ao propôr a utilização de “cabo de candeeiro” (cabo de 4mm com pontas descarnadas ou “solid-core”) Ivor Tiefenbrun põe em causa com alguma ironia um dos mitos audiófilos: a importância (e o diâmetro!) dos cabos. No Reino Unido (escoceces incluídos), parece fazer-se gáudio em ser diferente, e não só por conduzirem pela esquerda. Já era assim com a Quad, que utilizava fichas DIN em lugar de RCA. Mas a Linn tem aqui a atenuante do reduzido espaço disponível no painel posterior: este tudo-em-um tem as dimensões de um leitor-DVD normal. E invoca as normas de segurança da nossa querida UE, que se mete em tudo, mesmo onde não é chamada, só porque um dinamarquês bêbado uma vez resolveu enfiar as bananas dos cabos das colunas na tomada de 220V...



Além da mudança radical no design, a principal diferença entre o anterior Classik Di e o novo modelo é a tecnologia de amplificação Chakra (que não é referida nas especificações), mais eficiente, logo com menor dissipação de calor (no modelo “Di” havia queixas de que se ouvia a ventoinha de arrefecimento no silêncio da noite). Se a sua predilecção não são os filmes-catástrofe com o som medido pela escala de Richter (pode sempre puxar pelo subwoofer activo nestas circunstâncias excepcionais), a potência disponível deve chegar para todas as suas encomendas cinematográficas.



É um facto que já obtive, em alguns aspectos colaterais (vídeo upscaling), melhores resultados relativos com o Denon DVD A1XV, por exemplo. Mas estabelecer este tipo de comparação é não entender a filosofia dos produtos Linn, cujo objectivo é atingir o estado da arte em áudio e vídeo a partir de um aparelho único, fácil de instalar, de colocar e de utilizar. Se considerarmos que só o A1XV custa tanto como o “Classik”, o resultado final da Linn é, apesar de não ser barato, muito superior à soma das parcelas: 4 230 euros.



Descontadas as idiossincrasias Linn, que têm tanto de técnico como de cultural, uma vez montado num sistema AV, de preferência por um técnico especializado da Transom, o Classik Movie cumpre a preceito a função para que foi criado: reproduzir som estéreo (CD) e multicanal (DVD) e imagem vídeo com uma qualidade média superior à de muitos sistemas compostos por leitor-DVD, processador e amplificador separados, com o mínimo de gasto de energia, ocupação de espaço vital e tempo de aprendizagem.



Tal como o leitor-Universal Unidisk SC, o Linn Classik Movie monta-se e esquece-se: trabalha nos bastidores e deixa o palco para os artistas. Com excepção da visão do adorável logotipo iluminado LINN que tem a arte de aparecer e desaparecer de cena como por magia...



Para mais informações: TRANSOM 21 351 25 55 . Transom@Transom.pt