2005

Hitachi Pj Tx200: No Escurinho Do Cinema




Há cerca de dois anos que vejo cinema em casa regularmente com projectores Hitachi. Testei, aliás, o modelo PJ TX10, e tudo o que escrevi então aplica-se ao TX200 por defeito ou omissão, tal a superioridade do actual modelo em todos os parâmetros da imagem vídeo:


“O segredo de um bom projector de vídeo está na «colorometria» e, dentro da paleta de cores, a cor da pele é a mais difícil de reproduzir. Não me refiro apenas à tonalidade, refiro-me à textura, que tem de parecer natural e não «de cera». Mesmo com discos-teste para afinar as cores, quando tudo parece estar certo, há sempre algo de errado com o tom da pele. Tal como os nossos ouvidos estão afinados para a voz humana, os nossos olhos são muito sensíveis à cor da pele (e ao cheiro!). As peles de todas as cores, raças e credos são tratadas pelo Hitachi da mesma forma correcta, sem discriminações, como obriga a Constituição, e parecem de facto humanas na textura. Como consequência, todas as outras cores são vivas, vibrantes e correctas: dos vermelhos que não desbotam, aos pretos (notável reprodução), que são, afinal, a não-cor, e aos brancos com «conteúdo»: o sombreado das rugas de uma T-shirt, por exemplo (já vi projectores que as lavam com Tide, quando não mesmo com lixívia pura, e branco mais branco não há). O vermelho, o branco e o preto são as cores mais difíceis em vídeo: os verdes e azuis como mais ou menos saturação, mais ou menos intensidade, não complicam tanto com os nervos (ópticos)”.


Seguiu-se o PJ TX100, que não me entusiasmou tanto, até porque esperava uma melhoria ainda mais substancial com a entrada DVI. Mas o actual Hitachi Illumina PJ TX200 é um projector excepcional: será porventura o melhor projector LCD do mercado na sua categoria. Logo no meu primeiro contacto, tive oportunidade de o comparar lado a lado com um modelo de projector DLP da Runco, cinco vezes mais caro e, embora estivesse sentado a apenas dois metros do ecrã, preferi a reprodução das cores do Hitachi. E, quanto ao detalhe, a excepcional lente com 4 elementos de baixa dispersão combinados com elementos asféricos do Hitachi pediu meças também.


A tecnologia 3LCD, que utiliza uma «sanduíche» de três painéis de cristais líquidos, um para cada cor base, vermelho, verde e azul, que ora deixam passar a luz ora não, criando assim a imagem pela combinação das cores, não tem o glamour tecnológico dos DLP da Texas Instruments que utilizam microespelhos que fazem incidir a luz num sensor e uma roda de cor para as combinar. Só que a relação qualidade/preço pende hoje claramente para o LCD.


É um facto que os DLP reproduzem melhor os negros. Mas os LCD oferecem cores mais saturadas. E se é verdade que a textura dos pixéis (efeito de rede de galinheiro) pode ser visível em alguns planos de fundo muito iluminados, o “arco-íris” da roda de cor dos DLP também pode levar as pessoas mais sensíveis ao desespero. Mesmo com rodas de sete segmentos há quem garanta que o vê! Ora acontece que com o PJ TX200 as galinhas já devem ter fugido todas, porque eu, a uma distância entre os dois e os três metros, não consigo detectar rede nenhuma, e ninguém vê cinema com o nariz encostado ao ecrã...
As especificações deste projector 16:9 são excelentes: varrimento progressivo tanto com PAL (560p) como NTSC (480p), resolução nativa de 1280 x 720 (para as futuras emissões de HDTV ou para ver DVD em alta definição “puxado” a 720p), luminosidade de 1 200 AINSI lumens e contraste de 7000:1. Se eu escrevesse sobre os produtos de áudio e vídeo, como outros há na nossa imprensa, que se limitam a transcrever os “press-releases” das marcas sem terem o trabalho de os desembalar, montar, afinar, testar, para comprovar a informação que debitam como papagaios, este nível de contraste excepcional seria aqui tomado sem a necessária pitada de sal: 7000:1?!


É claro que esta medição só pode ter sido obtida com a íris praticamente fechada (1) e a ventoinha no modo silêncio (24dB/960 AINSI lumens), logo com luminosidade reduzida, além do nível de preto no modo “deep black” e um ligeiro ajuste no parâmetro Gamma. Ora eu preferi o “natural” ao “deep” nos pretos e a íris na posição 4 e não mexi no Gamma, apenas baixei um pouco a temperatura de cor (6 500K): o default ( 7500 K) é um pouco frio para os meus olhos (Nota: com HDMI há parâmetros fixos). Mesmo assim o resultado final ao nível do contraste é assombroso, desde que garantidas as condições de total escuridão na sala. Aliás, a única vantagem dos televisores de plasma e LCD sobre os projectores é poderem ser utilizados em condições de luz ambiente. Nota: a Sony vai comercializar um ecrã (High Contrast Black Projection Screen) que só reflecte a luz projectada (vermelha, azul e verde), cujo brilho é independente da luz ambiente (branca).

Como já acontecia com os modelos anteriores, a imagem do Hitachi melhora substancialmente após meia-hora de projecção. O equilíbrio tonal é excelente mesmo com a ligação S-Video (o processamento interno de 10-bit com reprodução de até mil milhões de cores ajuda), assim como a nitidez da imagem que é notável. A míriade de nuances de cor e o elevado contraste proporcionam uma ilusão de relevo e profundidade até agora só possível em projectores DLP de 10 000 euros e mais. Claro que para tirar partido do vídeo progressivo deve optar por uma ligação por componentes. Pelo menos num caso (com um leitor-DVD barato da CyberHome) obtive melhores resultados com S-Video que com “Component” (faça experiências). E também o excelente Linn Classik Movie funcionou muito bem com S-Video. Contudo, não sabe o que perde até explorar a ligação HDMI com um leitor-DVD que permita fazer “up-scaling” até aos 720p. Admito que não é o mesmo que o Blu-Ray, mas não deixa de ser um deslumbramento para os olhos. A tal ponto que nos perguntamos se vale a pena investir mais numa área em que a evolução é tão rápida. Há cinco anos só era possível obter esta qualidade de imagem com os enormes CRT de três tubos catódicos. E pode levá-lo para o quarto (4, 7Kg) e ligá-lo ao PC para dar outra dimensão aos jogos de computador do seu filho. Ou à TV por cabo ou satélite.


Que pena ainda faltar tanto tempo para o Campeonato do Mundo de Futebol que vai ser transmitido em alta definição. Infelizmente, não pela SIC que, apesar de tudo, sempre tem melhor imagem que a malfadada “powerbox” da Sport-TV (pixelixa, congela, distorce...) que nós pagamos e depois vai vender os direitos de exclusividade à concorrência que transmite em canal aberto. O que me vale são os DVD projectados a 720p pelo Hitachi PJ TX200.


Vá à Delaudio comprovar com os seus olhos o que aqui fica escrito. Ver para crer como S. Tomé, porque uma imagem vale mais que mil palavras, e a crítica deve ser sempre lida com uma pitada de sal...


Distribuidor: DELAUDIO, Lisboa, Largo do Casal Vistoso, 3 b (ao Areeiro), telef. 21 843 64 10 . delaudio@ip.pt


Preço: 2 279 euros (à data da publicação)