2005

Highend 2005: O Testamento Técnico De Dan D'agostino



O HighEnd Show 2005 utilizou 14 000 metros quadrados do Centro de Exposições de Munique para albergar 168 expositores e 500 marcas de 54 países diferentes e 12 500 visitantes entre profissionais, jornalistas e público em geral.


Como sucede em quase todo o mundo, a organização tem vindo a permitir a participação de fabricantes de electrónica de consumo, nomeadamente equipamentos de vídeo, num território que durante anos foi, como o nome do certame indica, exclusivo do «highend», ou seja, o áudio em dois canais na sua expressão máxima. Apesar disso, o Highend Show, que após se ter realizado durante 20 anos em Frankfurt, se mudou o ano passado para Munique para poder crescer, no sentido comercial do termo, continua a ser o palco privilegiado para apresentar os novos modelos topo-de-gama da alta-costura do som. Ora, sendo a Alemanha também o maior mercado europeu deste tipo de equipamentos, é natural que os principais fabricantes americanos se desloquem a Munique para serem eles próprios a apresentar ao público e à imprensa as suas obras primas.



DAN D'AGOSTINO


Foi o caso de Dan D'Agostino, da Krell, que demonstrou pessoalmente perante um público interessado e reverente aquilo que considerou ser o seu «testamento técnico»: Krell Evolution Series de componentes estéreo highend.


O sistema composto pelo pré-amplificador Evolution Two de duplo chassis e dupla fonte de alimentação e pelos amplificadores monoblocos Evolution One, também com fonte de alimentação separada, constitui o estado da arte actual em amplificação, tendo pela primeira vez Dan D'Agostino conseguido conciliar a beleza e a graça com o poder quase ilimitado que sempre foi ex-libris da marca.
Sistema HEAT: Krell Evolution+LAT1000


EVOLUTION ONE


O Evolution One é um amplificador monobloco de 450W cuja potência é inversa da carga a alimentar, atingindo facilmente os 1 800W/1Ohm. O funcionamento é em Classe A pura com gestão de energia por polarização em patamares e utiliza uma topologia exclusiva de ganho em corrente evitando a tradicional conversão corrente/tensão que provoca distorção. O circuito é isento de realimentação negativa global. O amplificador é monitorizado por circuitos internos de alta velocidade para garantir o melhor desempenho em todas as circunstâncias e é capaz de alimentar mesmo as colunas mais difíceis.



EVOLUTION TWO


O Evolution Two é o primeiro pré-amplificador monaural da marca. Integralmente balanceado funciona também em modo de ganho de corrente sendo o sinal transmitido para os Evolution One pelo sistema CAST para garantir a sua absoluta integridade mesmo a longa distância. O potenciómetro de volume é uma obra prima que concilia a mais sofisticada tecnologia digital e a tradicional precisão dos atenuadores de resistências discretas.



ESTÉREO TOUT COURT


Quando lhe perguntei a razão desta aposta radical no estéreo puro na era do multicanal, Dan respondeu com o misto de candura e autoridade que é também apanágio dos seus produtos: “O multicanal é bom para ver filmes. Se para ter música em «surround», com tipos a tocar atrás de mim, eu tenho de degradar o sinal primeiro, prefiro os dois canais”. E adiantou ainda que vai apresentar em Las Vegas em 2006 a referência absoluta da Krell de leitor-Universal multiformato (CD/SACD/DVD-Audio) tudo em...dois canais!



PRIMEIRAS IMPRESSÕES


Toda esta informação está disponível na internet e os «Evolution» vão estar disponíveis em breve para audição em Portugal no novo auditório da Imacústica, no Porto. A novidade é o facto de ter sido esta a primeira vez que foram demonstrados na Europa, depois da exibição estática em Janeiro, na CES 2005, de Las Vegas.


Os Evolution foram demonstrados acolitados pelas colunas LAT 1000, que são também uma “evolução” das LAT1, o primeiro modelo lançado pela Krell. As LAT 1000 mantêm a mesma caixa de alumínio sólido para permitir o “upgrade”, tendo sido substituídos os altifalantes de graves e médios, que são agora de alumínio e titânio, e o filtro divisor que é ainda mais simples. Como fonte foi utilizado o SACD Standard II com saída CAST .


As condições de demonstração num ambiente de «feira», dentro de um contentor-auditório, não são as ideais para realçar as virtudes de um equipamento highend. Mas é na adversidade que se revela o carácter. E que carácter! Ouviu-se Michel Jonasz, Doug McLeod e Eric Clapton, que cantou “I woke up this morning” como se estivesse ali bem acordado. No dia em que ouvir os Evolution você, caro leitor, também vai acordar de um longo sono.


Agora que a détente está na ordem do dia, eu diria, sem querer ofender o patriotismo de Dan (combateu na Marinha dos EUA) - mas Bush é demasiado cowboy para servir de exemplo- , que os Evolution têm a pose de um estadista como Putin: inteligente, discreto, aparentemente calmo, afável, de olhar arguto e penetrante, mas mestre em artes marciais e capaz de golpes rápidos, certeiros e incisivos; que tanto sabe ser conciliador como dar um murro na mesa (ou por baixo da mesa: aqueles graves secos e recortados!) e com a consciência plena de que domina um enorme poder nuclear...


Para mais informações: IMACÚSTICA



Nota: Na próxima semana será publicado no DNA um Especial Sons de oito páginas sob o título “HIFI, O QUE É?”, tendo como pano de fundo o HighEnd Show 2005, e ilustrado com fotos seleccionadas de outros equipamentos exibidos no evento. Os leitores podem entretanto seguir o desenvolvimento da reportagem aqui no Hificlube (ver Artigos Relacionados)