2005

Diário De Bordo_ The Negative Effects Of Feedback



O inferno está cheio de boas ideias, e a verdade é que eu não tenho tempo para tudo. Mas admito que dá mau aspecto ter o “Diário” tanto tempo parado. A solução encontrada é a das novas entradas do 'Diário' passarem fugazmente aqui pelas 'Notícias' antes de serem remetidas para a respectiva secção do Arquivo, para os leitores se habituarem a lá ir espreitar. Vou passar a ser mais assíduo na actualização do “Diário”. Juro.



Peço aos leitores um pouco de paciência: se, quando passarem por lá, não houver nada de novo não desanimem, voltem sempre ao local do crime...


E podem mandar os vosso comentários se assim o entenderem.


Para começar, vou partilhar convosco “coisas” que me passaram pela cabeça hoje, ao ler a edição de Agosto 2005 da Hifi News.



SONS OUVIDOS E MEDIDOS



Martin Colloms compara pela primeira vez as “medidas” do Audio Note Ongaku (nova versão UK de Peter Qvortrup) com os resultados auditivos. Não podiam ser mais contraditórios. Em condições ideais (isto é, com colunas de alta eficiência) o Ongaku atingiu e ultrapassou os 100 pontos na escala subjectiva aberta de Colloms. E contudo, objectivamente, as “medidas” deixam muito a desejar: distorção, “hum”, resposta em frequência variável em função da carga a alimentar, devido à elevada impedância de saída, logo com um factor de amortecimento (damping factor) irrisório. Mas como Qvortrup explica, há uma relação desconhecida entre factor de amortecimento e realimentação negativa na presença de sinais transitórios, como a música, e não apenas sinais de teste. Ora os Ongaku têm “zero feedback”:


A problem in the normal expression of damping factor is that its measurement is performed using steady state signals. This results in a factor relying quite heavily on the action of an amplifier's feedback. The damping ability of an amplifier under transient conditions, before the feedback mechanism has been able to reach, is only accurately expressed as the steady state damping factor divided by the feedback factor. Thus, an amplifier with twenty decibels of feedback and specified damping factor of one hundred, has a damping value of only ten under transient conditions. This not only reduces the amplifier's ability to control the cone movement, but allows voltages created in the speaker voice coil to mix with the output signal and enter the amplifier's feedback system. In this condition, distortions created by the speaker's motion are not only unattenuated, but are emphasized through feedback regeneration.


Ou seja: a filosofia subjacente aos Ongaku é o oposto do defendido por alguns “gurus”, que consideram que, quanto mais realimentação negativa (negative feedback) e mais elevado o factor de amortecimento, melhor. O Ongaku nunca passaria um “null-test”. Mas garanto-vos que passa o teste da música...


Um audiófilo apaixonado pelo gaku-On apresentou a sua versão DIY no Audioshow 03.


Eu já ouvi o Ongaku original que, tal como outros amplificadores a válvulas -os Wavac, por exemplo - são autênticos “sustos” no laboratório. Mas o som, senhores, o som!...Será que estamos a medir aquilo que realmente conta? Será que a paixão se pode avaliar pela análise do ADN?



Se a realimentação negativa é uma técnica fácil, barata, que não está sujeita a patente, por que motivo os principais fabricantes mundiais de highend têm tanta relutância em utilizá-la? Será por simples teimosia? Não creio. É que nós não somos osciloscópios, somos seres humanos, e gostamos de música e não de sinais de teste.



Leiam o que diz Peter Qvortrup na integra em The Audio Note Philosophy sobre “The negative effects of feedback”. E já agora não percam também: “Are You on the Road to Audio hell?”.