2005

Ces 2005: «oani», Objectos-acústicos-não-identificados



Na «Feira» propriamente dita estão as empresas «sérias», no sentido em que seguem a lógica de mercado e a sua actividade e propostas comerciais são politicamente correctas: baseiam-se em aplicações práticas de novas tecnologias e, de uma maneira geral, o grande público está disposto a embarcar nelas sem precisar de muita fé, desde que tenha dinheiro para as comprar, mesmo que não compreenda muito bem como funcionam: plasmas, projectores, amplificadores digitais, leitores-DVD, colunas mais ou menos ortodoxas, composta de uma caixa e de vários altifalantes, etc.
Alexis Park, vista da piscina


É no Alexis Park e, em especial, no «The Show», o certame alternativo do Hotel St. Tropez, que vive à sombra da CES apanhando as franjas de visitantes audiófilos mais radicais (alguns são casos perdidos), que se encontram os «OANI», objectos-acústicos-não-identificados, estranhas formas de vida, cujo funcionamento é explicado por gurus mais ou menos idóneos, com base em ciências paranormais, e que exigem muita fé e alguma credulidade de parte de quem os ouve tocar, pois não desafinam mas desafiam a lógica comum.



Ano após ano, quando eu pensava que já nada existia sobre a terra que pudesse surpreender-me, eis que descubro de novo - com satisfação e algum gozo pessoal, diga-se em abono da verdade, porque alguns tocam surpreendentemente bem -, colunas, amplificadores, etc., ditos «extraterrestres», que são por vezes peças únicas e «invendáveis», que nem nome têm: «I made it myself...» é a resposta mais comum à pergunta: «O que é isto?...». Ou «What the heck is it?», como dizem os americanos



ACOUSTICAL ART

«The Flow»



Harvey Lee, o artista, diz que é «arte moderna». Eu acho que são sobras da montagem da canalização do esgoto. Se fossem azuis, eu diria mesmo que foram inspirados nos estranhos instrumentos de percussão dos «BlueMen», um dos espectáculos em cena em Las Vegas. Ideal para música de ... casa-de-banho.



GREEN MOUNTAIN AUDIO

Parecem ter sido inspiradas à imagem do «Alien». Mas tocavam música e tinham alma. Uma alma boa, como a do seu criador Roy Johnson, que me emprestou umas baterias recarregáveis quando o meu flash ameaçou extinguir-se. Só pessoas boas fazem equipamentos bons.



LS

É o que se chama «preamplifier in-a-shoe-box». Não prima pela estética. Se o «The Flow» é arte moderna, isto é o quê? A arte do desenrasca?...



MACHINA DYNAMICA

Brilliant Pebbles



Por qualquer motivo perdi a fotografia (efeitos da mecânica quântica?). Mas pedi esta foto emprestada à Soundstage (vê-se logo pela má qualidade que não é minha..). Pensem num frasco transparente banal com cristais de banho coloridos lá dentro. Consta que os «cristais» absorvem as vibrações e eliminam as interferências EMI/RFI. E como?



Eu cito: «Via quantum mechanical and other mechanisms in the crystals»



Assim mesmo. E eu que pensava que eles estavam a gozar comigo. Com uma explicação destas um tipo até se sente pequenino.



Colocam-se em cima das colunas, dos amplificadores, no chão, etc. São tipo banha-da-cobra - resulta sempre.



Para mim as Brilliant Pebbles ganham de caras o prémio «OANI» da CES 2055. O que é que acham?



Nota: podem ler uma explicação científica do funcionamento dos Brilliant Pebles aqui.



METAL SOUND DESIGN

Moon II


Por estranho que pareça a «Moon II» tinha um som extraordináriamente requintado e doce. Não foi à toa que ganhou um dos «Innovation Awards 2005» na categoria «HighEnd Audio» entre tantos e tão bons produtos presentes na CES2005. A Moon II baseia-se no seguinte princípio acústico: «a vibração está na proporção inversa do peso». Som de peso, digo-vos eu...



U-VOLA
Sala da U-Vola


Não são novidade e a Delaudio chegou a pensar importá-las sem sucesso comercial imediato. Contudo, sempre que as oiço fico com um grande melão, porque os «melões» da U-Volas amplificados por Pathos Classic One souberam-me mesmo muito bem. E apesar do folclore não são uma chinesice, têm design italiano, pois então...