2004

Projecções: Hitachi Illumina Pj Tx10



À medida que o Euro 2004 se aproxima, torna-se mais premente a necessidade de uma grande ecrã (os jogos são normalmente vistos em família ou entre amigos). Os CRT (televisores convencionais) têm os limites impostos pela pressão atmosférica: o vácuo impõe valores tanto mais elevados de resistência do vidro quanto maior é o ecrã; os LCD estão limitados pelos pixels e andam pelas 50 polegadas, os «plasmas» idem, embora já tenham atingido este ano as 80 polegadas.


Se quer uma imagem maior, projecte-a: dois metros e meio por um metro e meio, por exemplo, o ideal para TV e cinema em casa. Pode ir-se um pouco mais longe, mas começamos a ter problemas de falta de luminosidade, salvo com alguns projectores CRT de grande porte ou os novos DLP de triplo-chip, tão excepcionais quanto o preço que pedem por eles.


Até agora não havia projectores de vídeo abaixo dos 2 500 euros que me iluminassem o espírito. O que mais se aproximou desse desiderato foi o In Focus X-1. Claro que há projectores ainda mais baratos no mercado mas são concebidos para ilustrar palestras e não para ver filmes. O Hitachi PJ TX10 dá-lhe cinema de qualidade por menos de 1 800 euros!



Hitachi Illumina PJ TX10


Chegou, vi, e (con)venceu: é um sucesso... «dermatológico»!...


O segredo de um bom projector de vídeo está na «colorometria» e, dentro da paleta de cores, a cor da pele é a mais difícil de reproduzir. Não me refiro apenas à tonalidade, refiro-me à textura, que tem de parecer natural e não «de cera». Mesmo com discos-teste para afinar as cores, quando tudo parece estar certo, há sempre algo de errado com o tom da pele. Tal como os nossos ouvidos estão afinados para a voz humana, os nossos olhos são muito sensíveis à cor da pele. Mesmo sem preconceito racial a toldar os sentidos.


As peles, de todas as cores, raças e credos, como obriga a Constituição, são tratadas pelo Hitachi da mesma forma correcta, sem discriminações e, fundamentalmente, parecem humanas na textura. Como consequência, todas as outras cores são vivas, vibrantes e correctas: dos vermelhos que não desbotam, aos pretos (notável reprodução), que são, afinal, a não-cor, e aos brancos com «conteúdo»: o sombreado das rugas de um T-shirt, por exemplo (já vi projectores que as lavam com Tide, quando não mesmo com lixívia pura, e tudo o que é branco parece ter sido apagado com typex). O vermelho, o branco e o preto são as cores mais difíceis em vídeo: os verdes e azuis como mais ou menos saturação, mais ou menos intensidade, não complicam tanto com os nervos (ópticos).


A tecnologia LCD, que utiliza uma «sanduíche» de três painéis de cristais líquidos, um para cada cor base, vermelho, verde e azul, que ora deixam passar a luz ora não, criando assim a imagem pela combinação das cores, não tem o glamour tecnológico (nem a qualidade) dos DLP (utilizam microespelhos que fazem incidir a luz num sensor e uma roda de cor, como já aqui foi explicado). Só que a relação eficácia/preço pende claramente para o LCD, a avaliar pelo desempenho deste Illumina, quando o preço de um DLP topo de gama, como o excelente Yamaha DXP-1000, é superior a 10 000 euros!


A focagem e correcção do efeito de trapézio (keystone) é manual no Hitachi, mas isso acaba por se tornar uma vantagem: pode ser colocado com e sem inclinação, de cabeça para baixo e até de lado, que é sempre possível obter um rectângulo perfeito sem perda de pixels por compensação electrónica.


O PJ TX10 não será o mais «nítido» dos projectores, mas não confundir com «homegeneização» da imagem: o detalhe é q.b. Se gosta de mais «sharpness», sirva-se no menu, mas não abuse para evitar o efeito de espelho de casa de banho, daqueles que nos pregam sustos quando, despenteados, barba grande, acordamos de noite para fazer chichi e acendemos a luz fluorescente (ugh!). No modo «Dynamic», a afinação de fábrica é um bom ponto de partida (ou de chegada). Se prefere uma imagem mais soft opte pelo modo «Cinema».


O PJ TX10 também não será o mais «luminoso» (700 ANSI Lumen) ou «contrastado» (800:1) dos projectores: gosta de trabalhar no escuro, com o zoom fechado para não disperdiçar luz a tentar iluminar telas demasiado amplas. Mas é um dos mais silenciosos. No modo «Whisper», poupa no ruído (apenas 26dB!) e na luz (a lâmpada dura mais: 2 500 horas). Perde-se um pouco de luminosidade (560 AINSI Lumen) que pode ser compensada em parte no menu de setup.


O resultado final é muito repousante para os olhos. Ainda que haja quem (o meu filho, por exemplo) detecte na imagem, em certas circunstâncias, o efeito de «rede» (em especial as linhas horizontais) que são consequência da tecnologia LCD utilizada (os DLP sofrem de efeito de arco-íris). Eu não vejo esse efeito: Deus afinou-me melhor os ouvidos. Ou pelo menos não me incomoda ao ponto de se tornar obsessivo.


O Illumina não tem certas características agora tão na moda, como entrada DVI ou HDMI (talvez os próximos modelos). Tem as tradicionais S-VHS, RGB, composto e componentes (deve utilizar sempre que possível esta última). Aceita vídeo progressivo PAL/NTSC (tem o seu próprio desentrelaçador se necessário) e alta definição (720p ou 1080i) adaptada, pois a resolução nativa é de apenas 854 x 480.
Além do leitor-DVD, pode ligá-lo ao computador, à consola de jogos e à televisão (através do sintonizador gravador de vídeo).


Visionei cerca de 20 filmes e concertos com o Illumina PJ TX10 e, embora a qualidade fosse variável de filme para filme, o nível médio foi sempre muito elevado. O «Herói», por exemplo, um filme chinês na linha de «O Tigre e o Dragão», é imperdível, ainda que a transcrição para vídeo não seja perfeita: notável cenografia e fotografia, insuperável beleza plástica do guarda-roupa e das coreografias, som «surround» Dolby Digital 5.1 a condizer: reproduzido por colunas electrostáticas Martin Logan, alimentadas por amplificadores Krell, constitui um verdadeira experiência espiritual zen. Até na violência há uma preocupação estética!


Para ver os DVD que aluga no Clube do bairro, por este preço (1 750 euros) o Hitachi Illumina PJ TX10 não tem rival. E duvido que o tenha ao dobro do preço...



Distribuidor: Delaudio, L.go Casal Vistoso, lt.3-B, Lisboa, telef. 21 843 64 10/11