2004

Bw Nautilus New 800d Series: O Museu Britânico - Parte 2



O Museu Britânico
Museu Britânico (pátio interior)


A nossa guia era uma senhora simpática, com cara de professora de liceu reformada, que lembrava a Miss Marple e falava um inglês perfeito.
Biblioteca (interior)


Lá contou a história do museu, datas, nomes e espaços nobres, a começar pela Biblioteca, um edifício moderno, cilíndrico, que substituiu o original, onde estudou Lenine e Marx, Orwell e Bernard Shaw, blá, blá, então e o Eça?, homessa!...
Biblioteca (cúpula)


Tirei mais uma foto, agora da espectacular cúpula, e saímos em direcção ao pavilhão da Grécia,
Museu Britânico: um dos frisos do Parténon


onde os ingleses guardam os despojos do saque dos frisos do Parténon, que o Governo grego reclama e o Governo inglês se recusa a devolver, com o argumento de que se não tivessem sido eles a trazer os frisos para Londres (para os proteger, claro), provavelmente hoje já não existiriam. Além de que foi tudo legal: foram autorizados pelo representantes do Império Otomano, que ocupou a Grécia durante 350 anos - explicam eles num folheto para que não haja dúvidas.
Réplica de Templo grego


Como devem calcular, os gregos que faziam parte da comitiva não queriam acreditar no que liam no folheto. Seria o mesmo que os ingleses levarem a Torre de Belém para junto do Tamisa, escudados na legalidade da mais antiga aliança, com o argumento de que é património da humanidade e não resistiria a um segundo terramoto se continuasse à beira do Tejo...
Museu Britânico: estátua egípcia


No pavilhão Egípcio, mais do mesmo: uma múmia nua, Ginger de seu nome, por ter cabelos ruivos por acção da areia do deserto, que parecia um arenque fumado (argh!), estátuas monumentais de príncipes e faraós, túmulos e sarcófagos, com e sem recheio mumificado, hieróglifos e escrita cuneiforme (até a famosa Rosetta Stone, a pedra negra que ajudou Champollion e Thomas Young a descodificar a escrita egípcia lá está!), tudo muito bem explicado pela nossa diligente professora: «Gato em egípcio antigo, por exemplo, escrevia-se miaaoou seguido da figura do gato...». Ai, que giro!
A pedra da Rosetta (foto ESA)


Uma colecção de valor inestimável trazida para Londres no tempo da outra senhora, que pude visitar sem ter de ir às pirâmides em cima de um camelo. O egípcio, agora refiro-me ao distribuidor da BW no Cairo, que, tal como o grego, fazia parte do «rebanho negro», também não deve ter achado muita graça à exposição. Mas não reza a crónica que se tenha manifestado, ou tê-lo-á feito em árabe, e ninguém percebeu.



Pensem no corpo de Camões nú exposto no Museu Britânico dentro de uma cúpula de vidro climatizada para manter fresco o único olho do bardo...



Se exceptuarmos a ironia da minha descrição, inspirada por Eça, que deve ser lida com uma pitada de natural boa disposição, a visita ao Museu Britânico até valeu a pena. Foi como se a BW pretendesse dizer-nos que só é possível construir o futuro no presente se este estiver bem assente nos pilares do passado.


A New 800 Series não surgiu do nada: é o símbolo do desejo constante do homem de ultrapassar os limites impostos pelo estado da arte em cada época: na escultura como na arquitectura, na pintura como na música, na ciência como na tecnologia, sempre com o ritual do sagrado em pano de fundo, seja ele religioso ou leigo, na busca incessante da imitação da natureza.
O verdadeiro Nautilus que inspirou as Nautilus 800 originais (à esquerda em corte)


E lá estava, na secção de História Natural, o verdadeiro Nautilus, o molusco cefalópode, que está na origem das BW Nautilus.


Continua (Ver Artigos Relacionados abaixo)