2004

Audio Eclipse: A Matéria Dos Sonhos



Uma das críticas que me fazem justamente é a do «círculo vicioso»: movimento-me num meio restrito e analiso equipamentos distribuídos em Portugal apenas por meia-dúzia de importadores. Daí à acusação velada de «panelinha» vai um ignomioso passo. A verdade é que esta «meia-dúzia» importa no conjunto 40 ou 50 marcas diferentes - das quais uma dezena chegava para me fazer feliz e constitui material editorial mais que suficiente para me manter ocupado durante o ano.


A apresentação de uma nova marca ou modelo, por si só, já não é motivo bastante para me fazer sair de casa. É preciso que se crie uma empatia «triangular»: não perco tempo com maus equipamentos nem com más pessoas. Prefiro escrever sobre produtos e pessoas com provas dadas nos meios audiófilos. Quanto aos outros, têm que passar primeiro por uma prova de carácter. Não gosto de equipamentos com muito «carácter». Nem de pessoas com pouco.
Audionet ART/SAM+Wilson Benesch Discovery; cabos HMS Grand Finale


A Audio Eclipse é uma «start up». Dois jovens simpáticos, o Paulo e o Rui, que vivem o sonho de importar com paixão marcas desconhecidas, como a alemã Audionet e a britânica Neat Acoustics. No Audioshow 2003, obtiveram um razoável sucesso. Só que, ao contrário deles, eu não fui nada simpático. E desanquei neles (ler em Artigos Relacionados).
Paulo e Rui, da Audio Eclipse


Em circunstâncias «mais auspiciosas» surgiu agora um convite para assistir nas instalações da Absolut Sound/Vision à apresentação das últimas novidades da Audionet e da Neat. Convenhamos que, depois do que eu escrevi, o Paulo e o Rui deveriam desejar que eu me danasse. Mas não. Receberam-me como um amigo de longa data. Apresentaram-me a Thomas Gessler, «geshäftsführer» da Audionet, e a Stephen Oakes, «sales manager» da Neat Acoustics, com quem mantive uma interessante conversa. Ora, isto revela duas coisas boas: carácter e confiança absoluta nos produtos que representam.
Thomas Gessler, da Audionet


Thomas Gessler é, obviamente, um audiófilo apaixonado pelo seu trabalho. Produz áudio-gourmet para os verdadeiros apreciadores. Não gosta de SACD. E explica porquê: «Tem demasiada distorção nas altas frequências e é o mais «jitterizado» dos formatos conhecidos. PCM (DVD-Audio) a 24 bit/192kHz aproxima-se mais do «master tape» que DSD. Não admira que a Philips/Sony estejam já a preparar um SACD MkII...». E passou a exemplificar tocando algumas faixas em alta resolução de um «sampler» em DVD-Audio. Lá levei com os inefáveis Eagles, na versão de estúdio, que não se compara com a nova versão ao vivo, e não fiquei muito convencido. Como foi obtida a matriz digital? A partir do «master» analógico? «I hope so…», respondeu Thomas. Mas a audição da faixa de uma cantora desconhecida a 192kHz deixou-me um bom gostinho no ouvido. «Foi registada directamente na matriz digital», esclareceu Thomas. «Nota-se, nota-se...».
Stephen Oakes, Neat Acoustics


Stephen Oakes é um jovem simpático e sorridente. Tem a mesma calma doce das Neat Ultimatum, que levam a água ao seu moinho sem espalhafato, «nonchalant», diz-se em inglês.
Neat Ultimatum+Audionet VIP/MAP V2/AMP VII


O leitor CD ART V2 e DVD VIP e os amplificadores SAM V2 (integrado) e AMP VII (multicanal) da Audionet não exibiram o típico «carácter» alemão, que se traduz por uma coloração metálica, antes seguem a escola de neutralidade Burmester - a um preço bem mais acessível, diga-se; as colunas Neat Ultimatum voltaram a agradar-me e justificam uma audição mais atenta, logo que a minha agenda fique um pouco mais desanuviada.
Cabos HMS Grand Finale


Fiquei ainda a saber que a Audio Eclipse, que já distribui os filtros de corrente Isotek, garantiu também a distribuição da Wilson Benesch, que utiliza fibra de carbono na construção das caixas acústicas, tendo demonstrado o modelo Discovery cablado com um curioso cabo: HMS Grand Finale, com anéis de ferrite em toda a sua extensão para protecção contra RF e adaptadores comutáveis de impedância para uma «empatia» perfeita amplificador-coluna.



Mais informações: Audio Eclipse, Rua da Areia, Cascais, telef. 918 651 722