2004

Alexandria, A Grande



Wilson Audio Alexandria X-2


São a obra máxima de Dave Wilson, um nome «sonante» do «highend» americano. Durante o mês de Setembro foram exibidas nas instalações da Imacústica, no Porto. Entretanto, já estão na ilha da Madeira, onde vão ser apresentadas com pompa e circunstância na inauguração da primeira loja de «highend» do Funchal. Do programa consta a presença de Alberto João Jardim a título pessoal. As Alexandria também são frontais e sem «papas na língua»: o que está no disco é o que se ouve. Qual será a opinião desassombrada de Jardim, que gosta de música «séria», e não só do «bailinho da Madeira» e da «Mula da Cooperativa», como a oposição quer fazer crer, sobre estas candidatas ao galardão de melhor coluna de som do mundo?



SONS ESCRITOS


No áudio como no futebol ou nos concertos ao vivo, as pessoas vão aos espectáculos atraídas pelas vedetas. Se Madonna tivesse sido substituída pela Britney Spears o entusiasmo não teria sido o mesmo. As Alexandria não vão estar no ISCTE. Não foi possível à Imacústica garantir este ano uma sala com dimensões dignas. É pena, pois a festa do áudio só se realiza uma vez por ano e esta oportunidade não se repetirá. Em sua substituição, apresenta as sumptuosas Sonus Faber Stradivari (a Artaudio exibirá as inacreditáveis Nautilus originais, a «Mãe-Caracol», exibida no pavilhão do Reino Unido na Expo98).


Apesar do acesso ao ISCTE ser «tendencialmente gratuito», como manda a Constituição, o interesse do público tem vindo a diminuir para o que contribuiu alguma ambivalência da organização: o que começou por ser um Audioshow é cada vez mais um Videoshow, um sinal dos tempos em todo o mundo.


Ora a audiofilia é uma religião com o seu culto, os seus gurus (de pacotilha, admito) e os seus fiéis (fanáticos benignos); o vídeo é apenas electrónica de consumo: uma vez satisfeito o desejo de posse a paixão é passageira e morre depressa. A discussão sobre CRT e LCD ou plasmas poderá interessar a mais pessoas durante algum tempo mas não a todas as pessoas durante o tempo todo. Os audiófilos preferem o misticismo técnico das eternas polémicas analógico vs digital ou válvulas vs transístores.


No final, nunca ninguém fica satisfeito: os audiófilos porque consideram que o seu espaço acústico foi «corrompido» pela imagem (e pelos subwoofers!); e os videófilos porque «plasmas» e «surrounds» também os há nos centros comerciais.


A solução é cada um ir ao ISCTE ouvir/ver apenas aquilo que lhe interessa. No meu caso, vou lá ouvir/ver tudo (mesmo o que não me interessa) para poder contar depois aos que não tiveram interesse em lá ir (reportagem integral comentada aqui a partir de amanhã).



WILSON AUDIO ALEXANDRIA X-2


Podiam ter sido desenhadas por Jean-Paul Gaultier para acessório cenográfico de «O Quinto Elemento». Até o «supertweeter ambiental» na nuca lhes dá um ar de «ficção científica». Construídas a partir de um material cerâmico ultrarígido e resina epoxídica, têm uma estatura imponente: olham-nos do alto do seu metro e oitenta e esmagam-nos com os trezentos quilos de peso (cada!). Sobre a base alada que alberga os dois poderosos «woofers» são montados os restantes três elementos modulares que comportam os altifalantes de médios e o «tweeter» de titâneo, que podem ser ajustados geometricamente de forma a garantir a fase perfeita relativa à distância de cada altifalante ao ouvinte. (mais especificações aqui)
O som é também cinematográfico: na dimensão do palco sonoro, no realismo com que corporiza os intervenientes do processo musical em curso e na tridimensionalidade e riqueza de informação das imagens acústicas.


As Alexandria não são só uma obra prima da electroacústica, são um obra-prima da engenharia mecânica aplicada ao áudio e o seu notável desempenho justifica o orgulho de Dave Wilson.
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