2003

Tag Mclaren Audio: Choque E Espanto



Entrei no site da TAGMcLaren para ver se já tinham o módulo de video scaler para o AV192R e dou de caras com um comunicado de Udo Zucker que basicamente informa que devido à recessão económica mundial o grupo vai parar o investimento no desenvolvimento de novos produtos áudio e vídeo, embora não pretenda abandonar à sua sorte quem nela apostou, numa atitude louvável, mantendo a venda do actual stock e o apoio aos distribuidores e clientes.


Upgrades já prontos como o módulo de oito canais para o conjunto AV32R/DP/AV192 e o Video Scaler Module VSM2048 serão ainda comercializados


O sonho que o Dr. Udo Zucker alimentou (e me confessou pessoalmente) de ultrapassar a Krell em design e qualidade transformou-se no pesadelo de Sísifo: quando já estava no cume da montanha deixou a pedra rolar, tendo o cuidado de que não magoasse ninguém...


Tudo porque a TAG não conseguiu impor-se no mercado americano? Tudo porque apostou forte no AV, uma área que exige grandes investimentos e na qual os japoneses dominam a produção e os americanos a tecnologia? Ou foi o grupo McLaren que fechou a porta do investimento para apostar tudo nos bólides?


Ficam alguns excelentes produtos, nos quais apesar de tudo continua a valer a pena investir garantida que está a assistência técnica. E também alguns momentos bem passados, como o almoço memorável na fábrica de montagem dos Fórmula 1 da McLaren, perto de Londres, em 1998, a convite do Dr. Udo Zucker, que tive a honra de conhecer. Fica a mágoa de não ter conseguido dar uma volta à pista no McLaren F1 de dois lugares com Coulthard ao volante...


Tenho a certeza de que ele fez tudo para que este final infeliz não acontecesse. E presto-lhe aqui a minha homenagem.


Nota: Dentro de 5 anos o Sistema Aphrodite vai valer o dobro do que custa agora. Atentem no que aconteceu com as Sonus Faber Extrema e com as Quad ELS57.



TAG McLaren Audio continua em pista


Depois de navegar pelo Forum de discussão da TAG McLaren, onde o próprio Dr. Udo Zucker responde em directo, numa atitude de abertura e disponibilidade única no mundo, só posso concluir que o comunicado acima deve ser entendido não como um obituário mas como um paragem para reflexão.



Aparentemente, o que Udo Zucker teria pretendido dizer era o seguinte, e cito:



«O mercado de produtos de alta qualidade e preço elevado para áudio e home cinema está em crise, tendo sido muito afectado pelas dificuldades políticas e económicas que o mundo atravessa desde o final de 2001. Apesar da baixa das taxas de juro, o mercado não mostra sinais de recuperação, pelo contrário. A procura em baixa tem como resultado a incapacidade de se corrigirem automaticamente os preços de forma a reflectir os reais preços de produção. Acresce que o mercado asiático, que já estava em profunda recessão, foi severamente afectado pela SARS (peneumonia atípica) no início de 2003.



Irá o mercado recuperar já nos próximos meses, dentro de um ano ou apenas daqui a dez anos? Ninguém sabe, vejam o que se passa com a economia japonesa em crise há quase dez anos. Só sabemos é que as esperanças que alimentámos, uma após outra, depois do 11 de Setembro, não se materializaram.



A gama de produtos da TAG McLaren pode considerar-se líder da indústria ou pelo menos altamente competitiva na sua área. Sejam objectivos e admitam que a nossa gama de produtos pouco ou nada tem que possa ser melhorado. Deste modo, a única forma de dar um passo em frente seria desenvolver coisas completamente novas, como o DVD-Blue laser, um sintonizador de satélite ou um controlador multisala... Qualquer que seja a escolha, são produtos altamente complexos, logo de desenvolvimento caro.



Assim, a TAG McLaren Audio decidiu rever a sua política de investimento, numa altura de crise, em especial depois da Guerra do Iraque. Tendo em conta todas as circunstâncias, foi tomada a decisão de não investir em produtos cujo desenvolvimento envolva verbas avultadas e apostar antes na consolidação do futuro da TAG McLaren. Aqui convém dividir a questão em duas partes distintas: a actual gama de produtos e o apoio em termos de futuro. Não há qualquer mudança».
(fim de citação)


Udo Zucker explica que foi isto que tentou esclarecer junto dos distribuidores internacionais. Contudo, um dos distribuidores ingleses lançou o boato de que a TAG ia acabar, daí o comunicado público que deu origem à notícia de abertura. Mas insiste, e cito de novo: «...vão perder-se alguns empregos, é certo, mas isso em nada afecta a nossa política de apoio às garantias e «up-grades» pós-venda.



Por outras palavras: Udo Zucker garante que a TAG McLaren Audio vai continuar como até aqui, apenas considera que não é altura para correr riscos com tecnologia de ponta cujo desenvolvimento exige verbas avultadas. Podia, claro, optar pelo velho truque OEM, que consiste em apresentar como original um produto fabricado por terceiros. E deixa entender que é o que se passa com muitos dos seus concorrentes.



Finalmente, para provar que a TAG está atenta às necessidades dos seus clientes, Udo Zucker faz a seguinte provocação: proponham «coisas» que gostariam de ver melhoradas nos vossos modelos TAG. Logo choveram propostas como: leitores Universais, ligações i-Link, etc.


Udo Zucker responde a todas estas questões nem sempre de forma positiva mas fundamentando as opções no actual contexto tecnológico. Vale a pena consultar: TAG McLaren Audio



Seja como for, ou tratou-se de uma monumental «gaffe» de Udo Zucker, que desestabilizou fortemente a imagem de marca da TAG em todo o mundo; ou então, e porque estamos na «silly season», tratou-se de uma campanha publicitária pouco ortodoxa com resultados espectaculares: não se fala noutra coisa e as declarações de apoio dos consumidores continuam a chover. Há males que vêm por bem?...



COMUNICADO


Recebi de Delfin Yanez, da Delaudio, a garantia de que nada mudou na política de comercialização e apoio pós-venda da TAG McLaren Audio em Portugal: mantêm-se as garantias, os «up-grades», as encomendas, as vendas e ... os preços.



Udo Zucker passou-se?


Olhem que não. John Atkinson adiantou uma explicação: a TAGMclaren Audio precisou de accionar a cláusula do despedimento colectivo para reestrurar a empresa. Ora para isso a legislação britânica obriga as empresas cotadas na bolsa a tornar público um comunicado sobre as razões dessa decisão. Foi o que o departamento jurídico da TAG fez em nome de Udo Zucker. Mas sendo a TAGMclaren Audio parte integrante do grupo TAGMcLaren só a falência total do grupo podia ser declarada, algo de impensável. A reestruturação era o único caminho possível: a TAGMclaren Audio vai pois manter-se em pista, limitando-se a reduzir a velocidade para não gastar tanto combustível...