2003

O Fantasma De John Lennon



Perplexo com as informações que lhe chegavam sobre a diversidade das matrizes utilizadas nas versões SACD-estéreo e CD-estéreo da recente edição em disco híbrido de «Dark Side Of The Moon», John Atkinson, editor da revista Stereophile, resolveu «medir» bit a bit a faixa «Money» nas duas versões e concluiu que, de facto, o sinal no CD sofreu forte compressão em especial no som da guitarra solo.


 


Resta saber se foi intenção deliberada de favorecer o SACD por parte da EMI/Sony. Mais compressão significa que certos pormenores escondidos na mistura soam mais alto (e não o contrário). Se foi essa a intenção, pode ter-lhes saído o tiro pela culatra, pois há quem ache que o disco soa melhor no modo CD (tem mais «punch») que no modo SACD-estéreo, embora ninguém ponha em causa a superioridade da versão multicanal da responsabilidade de Guthrie.


 


Para mim a matriz é a mesma, apenas se optou por uma igualização e compressão diferente. Deste modo, «Money» soaria muito melhor na rádio (a única faixa do CD promocional.


 


Se tem dúvidas, faça a seguinte experiência: no fade-out final de «Eclipse» (faixa 10), por baixo da batida ritmada de sintetizador («heartbeat»), ouve-se distintamente uma orquestra de violinos tocar acordes de «Ticket To Ride», dos Beatles!?


 


Na versão CD isso é ainda mais audível que na versão SACD estéreo, mas está presente igualmente em ambas.


 


Curiosamente, ou talvez não, a «orquestra» está ausente na faixa «Eclipse» da notável versão multicanal. Em substituição, ouve-se um tic-tac ínfimo não-identificável sob a «batida cardíaca».


 


Terá sido o fantasma de John Lennon, que vagueia ainda nos estúdios de Abbey Road, que malevolamente introduziu acordes de orquestra de cordas de «Ticket To Ride» na mistura estéreo do SACD de uma banda rival? Será ciúme por os Beatles não terem nada editado em SACD? Ou será a vingança de Alan Parsons por ter sido preterido?...


 


Quem souber que responda..