2003

Campus Party



O Blu-ray de alta resolução (27GB) já foi lançado no Japão. Motivo: não se pode copiar como o DVD.



Entrei no meu estúdio onde tenho o prévio McIntosh C2200, Krell Showcase, FPB 400cx e Chord DAC64, tudo em banho-maria, pronto a arrancar. Ao fim de cinco minutos, já estava a precisar de um banho. Lá dentro estariam uns 45º C. E pensei: os leitores merecem-me todo o respeito (em especial os verdadeiros audiófilos e os candidatos a sê-lo mais do que a parecê-lo) mas a esta hora eles estão dentro de água (alguns infelizmente estão no meio do fogo devido à incúria, negligência e crime) e eu aqui a dissolver-me lentamente. Desisti.


Antes de escrever é preciso ouvir. Repetidamente. Ou arrisco-me a fazer eco das baboseiras que leio por aí na net e em outros locais inconfessáveis, que ainda por cima se pagam para ler. Assim, confesso que, não tendo ouvido, não escrevi, isto é, escrevo apenas para confessar que não escrevi por não ter ouvido. Ou melhor: ouvi mas não o suficiente para poder escrever. E não ouvi suficientemente o quê? O actual suprasumo dos leitores-SACD: Sony SCD XA9000es. Algo que ninguém ouviu com ouvido crítico a não ser eu, ainda que, já admiti, tenha sido insuficientemente ouvido. Apesar de tudo, seria motivo mais do que suficiente para me precipitar para o papel e ser o primeiro a escrever sobre o que ouvi - ainda que mal. Mas atenção: eu só utilizei na audição SACD originais em alta resolução (que, aliás, não se podem sequer copiar, e já vamos ver o porquê deste aparte). Como está muito calor deixo o teste para a semana ou para a outra (que tal um teste comparativo entre o Sony SCD XA-9000es e o Krell SACD Standard?): já mandei instalar uma banheira no estúdio. A água e a electricidade são incompatíveis mas eu prometo ter cuidado, escusam de fazer figas: Sons não vai ceder o lugar a um bloguista da moda sem luta.


Confesso que só fiz aqui referência ao XA9000es para fazer roer de inveja os que gostariam de o ter mas não podem: só há um em Portugal - este! Que outro crítico pode na sua área dizer o mesmo? Os críticos de música não, por certo, porque os discos antes de ser já eram...


E chega de silly-crónica. Vamos a coisas (que se podem tornar) sérias. No DN de 5 de Agosto, pode ler-se um artigo assinado por Miguel Rodrigues intitulado «Festa da Internet terminou no Minho após 112 horas online». Com base na leitura do artigo e a informação complementar veiculada pela televisão, com entrevistas no local, só posso concluir que o Minho Campus Party foi (alegadamente) a festa do copianço: música, filmes e jogos, nada escapou à marabunta informática. Em apenas 112 horas foram copiados milhões de ficheiros protegidos por direitos autorais, nos países de origem e em Portugal, através da banda extralarga disponibilizada. Com linhas de 100MGb/s - que na prática se traduziram afinal em velocidades de «download» efectivas de 4MGb/s - é possível em 5 dias copiar todo o conteúdo dos ficheiros do Kazaa antes que o FBI mande selar as instalações e tenha tempo de abrir processos crime contra todos os 60 milhões de utilizadores só nos EUA (ver Artigos relacionaods).


Não admira pois que os participantes tenham feito tudo para se manter acordados nesta maratona dita cultural e de divulgação das virtudes da internet. Aliás, a consciência da impunidade é de tal ordem que nenhum dos entrevistados escondeu a cara (na televisão) ou o verdadeiro objectivo da sua presença no «campus»: «sacar» o máximo de ficheiros possível. E cito do artigo de Miguel Fernandes:


«Depois de 24 horas colados ao ecrã, os participantes desta autêntica rave informática começavam já a demonstrar os primeiros sinais de cansaço, bem visivel nas olheiras que aumentam proporcionalmente ao número de megabytes armazenados no disco duro... Mais velho e vindo de Santarém, um jovem de 26 anos garante que veio essencialmente para fazer downloads. «É absolutamente fantástico», diz eufórico. «Neste momento estamos a navegar a quatro megabytes por segundo, o que está a anos-luz da ADSL». Vem munido de um disco de 120 gigabytes e com perto de uma centena de cd's para gravar...».


Um disco de 120 GB e um centena de CD-R, só ele - e havia outros mil participantes igualmente bem municiados! Vamos ser ingénuos e acreditar que «tudo isto» é para «uso pessoal». Ou então não vamos ser ingénuos e acreditamos mesmo que amanhã já é possível comprar nas ruas e feiras de Portugal por bom preço «Exterminador 3» em DVD ou colectâneas de CD e outros filmes ainda não editados na Europa que vão alimentar o mercado ibérico paralelo até ao próximo «Campus Party» (nas saídas do Metro de Madrid vendem-se CD-pirata a mil paus nas barbas da polícia). «Tudo isto» com apoio de entidas privadas e públicas e a presença de ministros...


A primeira área que o FBI atacou nos EUA foi o «campus» universitário (os alunos utilizavam a banda extralarga disponível para objectivos científicos para fazer downloads e partilhar ficheiros, assim nasceu o Napster). Curiosamente, esta iniciativa «cultural» é apoiada por uma empresa americana e denomina-se «Campus Party», uma festa onde a identificação dos utilizadores se dilui na multidão. Isto num país à beira mar plantado onde se aplica aos CD e DVD legais um IVA excessivo. Serão os efeitos da «Silly Season»?...


Alguns dos participantes no «campus» levam listas fornecidas pelos clientes e organizam-se, revezando-se para garantir que os pedidos serão cumpridos. O negócio justifica o sacrifício...


Já somos de novo obrigados a obter vistos para entrar nos EUA (tudo, diz-se, por causa dos passaportes falsos roubados nos Consulados e utilizados agora por terroristas). Só falta o FBI pedir a lista de todos os participantes no «Campus Party» para enviar à PJ os pedidos dos respectivos mandados de captura. Ou prender-me quando eu chegar ao aeroporto de Newark pelo simples facto de ser português: se não fostes tu, foi o teu filho. Um dia destes Bush ainda coloca Portugal no Eixo-do-Mal...



Nota: Na CES, no Centro de Imprensa são disponibilizados computadores e Internet gratuita aos jornalistas. Mas os «burners» (gravador CD-R) estão proibidos. Porque será?


COMENTÁRIO:


Telminatol tlês


O «Terminator 3» já está a venda na feira de Almeirim! Custa 15€ porque é novidade, o MATRIX RELOADED custa apenas 10€, porque já saiu há muito tempo!


Escusado será dizer que havia a versão indiana e chinesa no que respeita a abordagem da venda: os indianos são mais recatados e têm as novidades escondidas debaixo dum cobertor berrante. Os chineses são às claras: ou porque estão mais protegidos, ou então nem sabem bem que o que fazem é ilegal, mal falam Português: «Queles o Telminatol tles ?! São quinze Eulos».


JG