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unison research sh

Unison SH tubed headampDAC, na versão testada com painel decorativo em madeira

Passar horas a ouvir música com auscultadores alimentados por válvulas, com o Verão à porta e o futebol em todo o lado, parece ser um anacronismo, sobretudo quando um iPhone e um par de ‘supositórios auriculares’ cumprem perfeitamente a função de nos ‘dar música’, de forma prática e com qualidade q.b.

Aliás, mesmo sem sair do âmbito da Support View, que distribui a Unison Research, até aqueles um pouco mais exigentes têm soluções bem mais baratas e portáteis, como o DACMagic XS, que é do tamanho de uma caixa fósforos e me deixou encantado quando o testei.

Porquê, então, o SH, Simply Headphone? Simplesmente porque as válvulas são como o ‘slow cooking’: a comida sabe melhor que a do ‘take away’. E isso para algumas pessoas faz toda a diferença, tanta que não os dispensam para ouvir música.

Apesar do aspecto clássico, reforçado pelo painel de madeira em tom laranja (este é um dos poucos casos em que eu teria preferido a versão com painel negro), o enorme botão de volume e os comutadores do tipo ‘toggle’, o SH está equipado para os tempos modernos com um DAC PCM32bit/384kHz e DSD256, com base num ‘chip’ Sabre ESS, e conexão USB 2.0 assíncrona. Tem ainda entradas RCA para fontes analógicas.

Unison SH tubed headampDAC, na versão de cores invertidas: painel negro e aros em cor de madeira (fotografado no High End 2016, Munique)

Unison SH tubed headampDAC, na versão de cores invertidas: painel negro e aros em cor de madeira (fotografado no High End 2016, Munique)

O andar de entrada utiliza uma válvula ECC83 e o de saída um par de EL84, ambas em modo de funcionamento tríodo, com o respectivo transformador de saída, que fornece o sinal às entradas A e B de auscultadores (ligadas em paralelo).

O comutador ‘toggle’ esquerdo selecciona os modos de ganho ‘Low’ e ‘High’. Aqui atenção, porque a designação refere-se à sensibilidade dos auscultadores e não ao ganho em si. Assim, o modo ‘Low’ fornece um ganho mais elevado e ‘High’ menos elevado.

O comutador direito selecciona a fonte digital via USB ou analógica via RCA.

Ter ‘hum’ ou não, eis a questão

Hifiman HE1 (esquerda na foto) e X, dois dos auscultadores planar magnéticos utilizados no teste sem quaisquer problemas de compatibilidade eléctrica ou sinais de 'hum'

Hifiman HE1 (esquerda na foto) e X, dois dos auscultadores planar magnéticos utilizados no teste sem quaisquer problemas de compatibilidade eléctrica ou sinais de 'hum'

No teste, utilizei auscultadores de todos os tipos, dinâmicos (Focal One, Pryma e Hifiman HS), intra-auriculares (Martin Logan Mikros 90) e planar magnéticos (Hifiman X e HE1000). Obviamente, os melhores resultados foram obtidos com estes últimos, sobretudo os HE1000.

E isto porque via USB o SH tem uma resposta ‘arredondada’ na oitava superior (-2,4dB aos 20kHz) que casa bem com a ‘vivacidade’ do HE1000. Por outro lado, a resposta do grave tem excelente extensão (-0,25dB aos 5Hz), e o HE1000 agradece, pois gosta de um ‘cheirinho’ de baixo. Ora, como a gama média é tipicamente valvular (tríodo) e os planar magnéticos reproduzem os médios com extrema naturalidade, temos aqui um bom casamento acústico e estético: a madeira como elemento de decoração.

Por feliz (ou infeliz) acaso, a HifiNews, revista com a qual colaboro com alguma regularidade (ver na edição de Agosto o meu teste às Sonus Faber Il Cremonese), publicou na edição de Julho (à venda nas bancas em Portugal) um teste ao Unison Research SH, tendo Paul Miller detectado no laboratório ‘hum’ excessivo (uma espécie de ronronar de baixa frequência).

Keith Howard que fez o teste auditivo refere o ‘hum’ também, embora tenha gostado do carácter valvular do som’, sobretudo com as entradas analógicas.

E porque refiro eu isto, quando podia ‘simplesmente’ ignorar? Porque o exemplar que eu tenho aqui comigo não sofre de ‘hum’ com auscultadores, tanto nos modos Low como High, e foi isso mesmo que eu disse a Paul Miller ao telefone.

O Unison SH (no topo à esquerda) fotografado na companhia de alguns dos modelos de amplificadores a válvulas da UR, no High End 2016, Munique

O Unison SH (no topo à esquerda) fotografado na companhia de alguns dos modelos de amplificadores a válvulas da UR, no High End 2016, Munique

Da minha parte, não pretendo ‘escamotear’ o problema, apenas pretendo clarificá-lo, para os leitores (e são muitos) que também lêem a Hifi News não ficarem confusos sobre a eventual diferença de opiniões, pois o ‘hum’ detectado por Miller pode ter ficado a dever-se a um problema eléctrico daquele exemplar em particular, e não a um erro geral de concepção – a Unison Research é uma empresa experiente de créditos firmados e confirmados.

Nota: como sempre, aconselha-se a experimentar (com os seus próprios auscultadores) antes de comprar, tendo o cuidado de seleccionar o modo Low ou High mais adequado ao seu equipamento complementar. Por exemplo: embora seja ‘simply’ para headphones, o SH pode atacar um par de colunas activas (eu utilizei as Focal XS Book) com o cabo apropriado (jack/duplo RCA) ligado a uma das entradas A ou B para auscultadores, e o modo High seleccionado. Nesta configuração, para a qual o SH não foi concebido, o modo Low sofre, de facto, de ‘hum’. Mas basta passar para 'High' para desaparecer o ruído.

‘Slow cooking’

Quando testei o amplificador integrado Unison Simply Italy, do qual o SH é basicamente a versão de amplificador integrado para auscultadores, escrevi:

‘Dentro da sua zona de conforto, o Simply Italy é simplesmente notável: as vozes têm corpo e alma, como os seres que as produzem; os instrumentos denunciam de imediato o material de que são feitos e o timbre próprio que resulta do seu tamanho, forma, função e posicionamento na orquestra’.

Nota: a Unison Research era, então, distribuida em Portugal pela Ajasom, sendo agora distribuida pela Support View.

O mesmo se pode dizer deste Simply Headphone. A potência é limitada, embora mais do que suficiente para alimentar os HE1000 (modo 'Low'). Não tem o controlo e versatilidade da minha referência a transístores, o McIntosh MHA100, o que se compreende dada a diferença de preço. E é óbvio que, como todos os amplificadores a válvulas, tem alguma coloração (eufónica e agradável ao ouvido), distorção (inaudível) e aparente falta de dinâmica (soa muito confortável em audições prolongadas). Mas o resultado final é que conta: enorme prazer auditivo.

Ou como eu escrevi já há mais de uma década:

‘Os amplificadores a válvulas não são perfeitos. Mas ouvi-los dissipa a angústia de termos de viver com o pecado original, e ajuda-nos a aceitá-los como apenas mais uma idiossincrasia que decorre do facto de sermos apenas humanos e - tal como eles - imperfeitos.

A audição dos amplificadores a válvulas produz em nós uma indefinível sensação de bem-estar, que tem tanto de emocional como de física: a ilusão de presença, de espaço e principalmente de profundidade do palco sonoro é tão real, tão palpável, que não pode ser apenas ilusão.

A riqueza harmónica confere ao som um corpo que, para utilizar um chavão dos críticos de vinhos, quase se pode «mastigar». Na prova, as válvulas «sabem» a fruta: ameixas, com um toque exótico de canela, os taninos arredondados...

Os espíritos mais racionalistas dirão: sim, mas isso não passa de um truque resultante da inteligente manipulação da distorção harmónica, como os testes laboratoriais podem provar.

Não refuto o poder da ciência para desmistificar as crendices que rodeiam o mito da superioridade das válvulas sobre os transístores.

Mas gostava que me apresentassem provas laboratoriais dos efeitos benéficos do estágio do vinho em pipas de carvalho francês. E, contudo, elas existem: basta provar...’


Contacte a Support View ou um revendedor autorizado, e prove o som valvulado do SH, simply headphone - e não só...

Para mais informações: Support View

Unison SH tubed headampDAC, na versão testada com painel decorativo em madeira

Unison SH tubed headampDAC, na versão de cores invertidas: painel negro e aros em cor de madeira (fotografado no High End 2016, Munique)

Hifiman HE1 (esquerda na foto) e X, dois dos auscultadores planar magnéticos utilizados no teste sem quaisquer problemas de compatibilidade eléctrica ou sinais de 'hum'

O Unison SH (no topo à esquerda) fotografado na companhia de alguns dos modelos de amplificadores a válvulas da UR, no High End 2016, Munique