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Hifiman Ananda – felicidade auditiva

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Ananda é um dos novos modelos de auscultadores planar-magnéticos da Hifiman. O nome significa felicidade em sânscrito, e é isso que vai sentir quando os ouvir. Ananda dá-lhe asas para subir ao céu dos audiófilos…

Ananda é o substituto do Edition X e, não fora o formato diferente do aro de aperto da cabeceira, os auriculares, que envolvem a orelha por completo, são tão iguais – até na cor: preto – que não são fáceis de distinguir.

A diferença está no preço: 999 euros, ou seja, metade do que custa a Edition X

A diferença está no preço: 999 euros, ou seja, metade do que custa a Edition X, que já custava também quase metade do preço dos Hifiman HE 1000 originais, que são a minha referência actual.

A Hifiman tem vindo, ao longo dos anos, a tornar cada vez mais acessível a tecnologia de transdução planar-magnética que, para quem ainda não sabe, não utiliza altifalantes dinâmicos, como a maior parte dos auscultadores convencionais, antes uma nano membrana, tão fina, tão fina que, se largada no ar, se comporta com a leveza colorida de uma bola de sabão; e tão resistente que, uma vez tornada condutora por vaporização e sujeita ao poderoso campo magnético criado por uma dupla bateria de ímanes de neodímio, suporta vibrações de grande amplitude de 8 a 50 000 ciclos por segundo.

A tecnologia ortodinâmica não é nova (foi utilizada pela primeira vez pela Yamaha, nos anos 60), os materiais sim, e isso faz toda a diferença hoje. 

Nota: para saber mais sobre esta tecnologia, sugiro aos leitores a leitura dos testes já publicados no Hificlube sobre a Edition X e os Hifiman HE1000, este último em língua inglesa, porque o publiquei originalmente na revista HIFI Critic.

Ora, o Dr. Fang Biang, um especialista em tecnologia de materiais que se dedicou ao áudio, tem vindo a produzir película para as membranas cada vez mais fina, na ordem de 1 ou 2 mícrons (50 vezes mais fina que um cabelo humano!), praticamente desprovida de massa, logo de inércia, logo tão rápida a responder à mínima variação de sinal como o próprio ar. Digamos que funciona como um tímpano gigante invertido (50 mm).

No fundo, os auscultadores electrostáticos também funcionam com base na vibração de uma membrana ultra fina. Mas, ao contrário dos planar-magnéticos, também conhecidos por ortodinâmicos, os electroestáticos não têm o grupo electromagnético, pelo que precisam de um amplificador dedicado, com capacidade de os alimentar com a elevada tensão de funcionamento necessária para fazer vibrar a membrana.

Já os planar-magnéticos, como este Ananda, funcionam com qualquer amplificador de auscultadores convencional, e até com um smartphone. Nem sempre tem sido assim, contudo, porque são pouco sensíveis e exigiam muita potência para dar o melhor de si.

O Hifiman HE1000, que ainda utilizo como referência, por exemplo, é muito exigente em relação à qualidade e potência do amplificador, ou pode soar algo ‘fininho’ e artificial. O Edition X já era mais tolerante, e agora o Ananda é uma ‘pêra-doce’ e ‘vai com todas’, embora não seja verdade que dá o máximo com um smartphone. Tal como os seus irmãos mais velhos (e mais caros), soa tanto melhor quanto melhor for a companhia…

Ananda é uma ‘pêra-doce’ e ‘vai com todas’, embora não seja verdade que dá o máximo com um smartphone.
CoplandDAC215: prévio/amplificador de auscultadores a válvulas c/ DAC de alta resolução: PCM384, DSD256

CoplandDAC215: prévio/amplificador de auscultadores a válvulas c/ DAC de alta resolução: PCM384, DSD256

Durante o teste prolongado, utilizei como referência um Chord Hugo 2, que já tinha dado excelentes indicações com os Hifiman HE1000; e ainda uma agradável surpresa da reserva da Imacustica: o Copland DAC215 (ver foto em baixo), que ‘sacou’ um dos graves mais ‘cantantes’, articulados e tensos, que já ouvi de uns planar-magnéticos sem balanceamento. Trata-se de um prévio/amplificador de auscultadores a válvulas com DAC incluído, compatível com PCM384 e DSD256, com uma riqueza harmónica e abundância de detalhe, só possível com a tecnologia de vácuo.

Nota: estou ansiosamente a aguardar a chegada do dCS Bartok, que espero possa ser ainda incluído neste teste.

Hifiman Ananda – felicidade auditiva

O Copland DAC215 faz um excelente conjunto com os Ananda.

O Copland DAC215 faz um excelente conjunto com os Ananda.

Ananda chegou num belo estojo forrado a pele sintética, que mostra bem o cuidado posto pela Hifiman na comercialização dos seus produtos, fazendo-se acompanhar por dois cabos de cobre puro com manga translúcida: ambos em Y, um mais longo com jack de 6,3 mm; outro mais curto com jack de 3,5 mm, em ângulo recto.

O HE1000 vinha equipado com cabos balanceados com fichas XLR, mas estamos a falar de um topo de gama. Por outro lado, os conectores, ou fichas de saída, são de 2,5 mm, tal como os do Edition X, pelo que nenhum deles aceita os conectores de 3,5 mm do Ananda e vice-versa, que são assim agora compatíveis com os cabos dos principais fabricantes.

Os auriculares (ou cápsulas) são ovais, com almofadas confortáveis de pele e veludo perfurado, e adaptam-se muito bem a todos os tipos de orelhas, que envolvem completamente, embora haja senhoras que os possam achar demasiado longos (a ponta inferior chega a tocar no maxilar, quando não mesmo no ombro). Nota: neste caso, sugiro os Sundara de cápsulas redondas, com uma qualidade de som muito semelhante, por metade do preço (ver foto).

Hifiman Sundara, uma versão de auriculares redondos, a metade do preço dos Ananda, com um som muito semelhante.

Hifiman Sundara, uma versão de auriculares redondos, a metade do preço dos Ananda, com um som muito semelhante.

As hastes de suporte permitem a extensão em comprimento, mas não giram sobre o eixo, como os modelos referidos, embora isso não obste a um ajuste lateral perfeito. Pesam apenas 399 gramas e podem usar-se durante horas, sem induzir sensação de desconforto. Claro que, no Verão, produzem calor e fazem suar, o que acontece com todos os modelos de todas as marcas, menos os ultra-leves ou os de ‘enfiar no ouvido’. Mas isto é outra música...

Ananda é do tipo ‘aberto’, o que significa que tocam música para dentro e para fora, sendo ‘poluentes’ para o ambiente acústico, permitindo a terceiros saber o que está a ouvir – menos os graves. É quando os colocam que eles percebem o que estavam a perder…

Audição crítica

Ananda, a felicidade de ouvir música ao crepúsculo, sem perder o contacto com os sons da natureza e o ambiente envolvente.

Ananda, a felicidade de ouvir música ao crepúsculo, sem perder o contacto com os sons da natureza e o ambiente envolvente.

Logo à saída da caixa, Ananda tem melhor equilíbrio tonal e de resposta em frequência que todos os Hifiman que já ouvi (ainda não experimentei Ayra, a versão highend de Ananda). Digamos que têm um ‘voicing’ consensual, pensado não apenas para os audiófilos, mas para os amantes de música em geral, sem arestas vivas, com ligeira limitação nos extremos de frequência, em comparação com os Hifiman HE1000, produzindo um grave de elevado recorte e definição e revelando um agudo ‘ diplomático’ na sua abordagem musical.

Nota: o agudo era, aliás, a única gama em que os planar-magnéticos não conseguiam ainda bater os electrostáticos; de resto sempre preferi de longe a gama média, cuja transparência não era obtida à custa da falta de corpo, e do poder e extensão do grave nem se fala. Por comparação, os electrostáticos soam anémicos e artificiais, embora aquela filigrana de detalhe seja por certo cativante para muitos. Ora, a nova nano-membrana de Ananda anda agora lá muito próxima do agudo electrostático.

Ananda pode não ser tão dinâmico e transparente como o HE1000; pode até não ter a mesma extensão do grave (não confundir com tensão e poder); mas, ao contrário deste, que precisa de um tempero de igualização para soar cheio e natural (eu utilizo o igualizador paramétrico do JRiver, deste modo: +1.4dB (84Hz), +1.3dB (703Hz), +1.1 dB (1620Hz), -1.5 dB (8278Hz), -0.8dB (10000Hz), Ananda soa como ‘Das wohltemperierte Klavier’ (O Cravo Bem Temperado), de Bach sem necessidade de afinação prévia.

Ananda é todo-o-terreno, estando igualmente à vontade com pop, hip-pop, funk e jazz

Acresce que Ananda é todo-o-terreno, estando igualmente à vontade com pop, hip-pop, funk e jazz, com uma secção rítmica robusta e uma gama média de excelente textura harmónica de cores quentes e saturadas, ainda que um pouco mais escuras que as do HE1000. Se é que precisamos de muita luz, quando temos os sons a entrar directamente nos ouvidos…

Ananda significa felicidade em sânscrito, a mesma felicidade, misto de surpresa e maravilhamento, que vi estampada no rosto de todas as pessoas a quem pedi que ouvissem uma música de que gostassem com estes notáveis auscultadores da Hifiman.

Produto: Hifiman Ananda

Preço: 999 euros

Distribuidor: IMACUSTICA

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CoplandDAC215: prévio/amplificador de auscultadores a válvulas c/ DAC de alta resolução: PCM384, DSD256

O Copland DAC215 faz um excelente conjunto com os Ananda.

Hifiman Sundara, uma versão de auriculares redondos, a metade do preço dos Ananda, com um som muito semelhante.

Ananda, a felicidade de ouvir música ao crepúsculo, sem perder o contacto com os sons da natureza e o ambiente envolvente.