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Reviews Testes

Audeze Maxwell 2 ANC vs ASUS ROG Kithara

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Read the review in English here

 

Podem os auscultadores concebidos para 'gaming' agradar também aos audiófilos mais interessados em música do que em tiros, explosões e inimigos escondidos atrás da porta?

Dantes, os auscultadores para ‘gaming’ eram escolhidos sobretudo pela eficácia na reprodução dos efeitos sonoros, pela inteligibilidade das vozes e pela qualidade do microfone, essencial para coordenar equipas em conversas (‘gaming chat’). A música vinha por acréscimo, não era uma prioridade.

Com a entrada da tecnologia planar-magnética no universo dos jogos, a música passou a fazer parte da equação. E os auscultadores de gaming, de repente, começaram a interessar mesmo a quem nunca tinha segurado num comando, mas sabe distinguir um grave cheio de um grave obeso.

Os Audeze Maxwell 2 ANC e os ASUS ROG Kithara são ambos apresentados como ‘gaming headsets’. Mas a única coisa que têm em comum é a tecnologia de transdução: ambos recorrem a transdutores planar-magnéticos, até há pouco tempo quase exclusivos do universo audiófilo.

E soam bem porque há quem os compre, não para jogar, mas apenas para ouvir música. Até porque, vindos de duas marcas com currículo audiófilo, a Audeze e a HIFIMAN, esta última associada ao desenvolvimento dos Kithara, são vistos como uma alternativa mais acessível aos auscultadores hi-fi tradicionais destas marcas.

Duelo de sons

Contudo, são tão diferentes entre si que resolvi colocá-los frente a frente, num duelo travado quase exclusivamente com música.

A vertente 'gaming' ficou nas mãos do meu neto, especialista em jogos de computador, que achou os Maxwell demasiado pesados para usar durante horas e os Kithara demasiado abertos para jogar noite dentro, em competição com jogadores de outros continentes. Ainda assim, reconheceu em ambos uma qualidade importante: são muito bons a detetar, pelo som, a posição do 'inimigo'.

No meu caso, troquei os inimigos pelos músicos.

Do tanque de guerra ao caça furtivo

O Maxwell 2 ANC é robusto, fechado, cheio de tecnologia, funciona com bateria e não precisa de cabos, pelo menos em teoria. O Kithara parece o tipo de prenda que um pai audiófilo compra ao filho 'gamer' que teve boas notas, apesar de o jogo lhe roubar demasiado tempo de estudo.

O Maxwell utiliza transdutores planar-magnéticos de 90 mm, tecnologia Fazor, ímanes Fluxor, gestão acústica SLAM, Bluetooth 5.3 (pode até atender o telefone enquanto joga), dongle USB-C de baixa latência, ligação USB-C por cabo, entrada analógica de 3,5 mm, mais de 80 horas de autonomia e microfone destacável hipercardioide. Nota: não fornecido, mas também tem microfones internos.

Oferece ainda cancelamento ativo de ruído nesta versão ANC e redução de ruído por meio de inteligência artificial aplicada ao microfone. São coisas diferentes, e convém não as confundir: o ANC serve para reduzir o ruído que chega aos nossos ouvidos; o filtro de IA serve para remover o ruído ambiente da nossa voz quando falamos, o que não pude comprovar.

É também compatível com Dolby Atmos, mas já lá iremos.

Por tudo isto, o Maxwell pesa cerca de 560 g. E isso sente-se. Parece que temos um capacete na cabeça, robusto, protetor, almofadado, mas também quente — sobretudo no verão. Por serem fechados, não deixam o ar circular com a mesma liberdade de uns auscultadores abertos. Em compensação, também não deixam o som escapar para o ambiente com a mesma facilidade. Isolam. E, num produto de 'gaming', isso conta.

ASUS/HIFIMAN: outra filosofia, a mesma tecnologia

O ROG Kithara foi desenvolvido em colaboração com a HIFIMAN e utiliza transdutores planar-magnéticos de 100 mm, diafragma Neo Supernano, tecnologia Stealth Magnet e configuração aberta. Vem equipado com cabos de boa qualidade e múltiplos adaptadores: 3,5 mm, 6,3 mm, 4,4 mm balanceado e USB-C.

Não há Bluetooth. Não há bateria. Não há ANC. Não há DAC.

Pesam cerca de 420 g. Não é propriamente peso-pluma, mas menos 140 g sobre a cabeça, ao fim de algumas horas, faz muita diferença. A ASUS trabalhou melhor a área do conforto: auriculares ovais e grandes, cabeceira larga e macia, estrutura metálica, ajuste por deslizamento e almofadas suaves, com opção de pele sintética/tecido ou veludo.

O ar circula melhor. E o som também. Claro que todos à sua volta sabem o que está a ouvir, e o utilizador ouve tudo o que se passa à sua volta. Menos isolamento. Menos privacidade. Mais informação.

Versatilidade futurista

O Maxwell 2 ANC ganha claramente em versatilidade: Bluetooth, dongle USB-C para jogos com baixa latência (fornecido), cabo USB-C para áudio digital de alta resolução até 24 bits/96 kHz e entrada analógica de 3,5 mm quando tudo o resto falha.

Na prática, não consegui utilizar o dongle USB-C. Nabice minha, admito. Mas tanto por cabo como por Bluetooth funcionou na perfeição. No final, acabei por voltar ao cabo USB-C, porque foi assim que soou melhor aos meus ouvidos.

Já o Kithara não promete liberdade sem fios. É um auscultador audiófilo com cabo e microfone para jogos. Ponto. Ligado a um DAC/amplificador, comporta-se como um auscultador hi-fi a sério. Ligado o microfone, transforma-se num auscultador de 'gaming'. Não há emparelhamento, bateria, aplicação ou dongle. Há apenas um cabo analógico.

Solução completa ou solução purista?

O Maxwell 2 ANC é uma solução mais completa, com funções para 'gaming' integradas: mistura de áudio de jogo/chat via USB-C, versões específicas para Xbox ou PlayStation, compatibilidade com Dolby Atmos ou Tempest 3D, consoante a versão, e aplicação Audeze para ajustes.

O Kithara é uma solução mais purista: exige uma fonte e um amplificador de melhor qualidade, além de um ambiente mais silencioso. Não tem soluções para tudo. Tenta apenas tocar melhor.

Nota sobre Dolby Atmos

  • A compatibilidade do Maxwell 2 ANC com Dolby Atmos deve ser entendida com algum cuidado. Não significa que os auscultadores tenham, lá dentro, uma configuração multicanal em miniatura. Continuam a existir apenas dois transdutores: um para o ouvido esquerdo, outro para o ouvido direito.
  • O que o Dolby Atmos faz é receber informação espacial do jogo, filme ou aplicação e convertê-la numa renderização binaural, tentando enganar o cérebro por meio de atrasos, diferenças de fase e filtros acústicos. Em teoria, o som pode parecer vir da frente, de trás, de cima ou dos lados.
  • Na prática, o resultado depende muito da fonte, da plataforma, da qualidade da mistura e, sobretudo, da compatibilidade entre o perfil HRTF utilizado pelo sistema e o formato das nossas orelhas.
  • Nos jogos compatíveis, pode ajudar a criar escala, envolvimento e sentido de espaço. Para a localização cirúrgica em altura ou em profundidade, convém não esperar milagres.
As portas batem com estrondo quando se fecham. As granadas explodem realmente. Os tiros matam só de susto.

O cancelamento ativo de ruído reforça essa sensação de imersão. Não melhora magicamente a qualidade do transdutor, mas reduz o ruído de fundo. Menos sala, mais campo aberto para a batalha.

O Kithara joga de outra forma. Apresenta uma notável separação espacial, com planos sonoros mais legíveis e uma localização muito convincente das fontes. Do inimigo, no caso do meu neto. Dos músicos, no meu caso.

O som é mais fino e leve do que o dos Maxwell 2 ANC, sem dúvida, mas também mais transparente. Há menos corpo, menos pressão, menos impacto físico. Em compensação, há mais ar e os eventos sonoros surgem com contornos mais limpos.

Mas, ao contrário do Maxwell, o Kithara deixa o mundo virtual invadir o espaço real e o espaço real invadir o mundo virtual. A televisão na sala, a família que conversa, o ar-condicionado ligado, tudo interfere nas batalhas (e na música). E quem está por perto também ouve.

O Maxwell 2 ANC é para o jogador que vive em comunhão familiar ou que precisa de se isolar para jogar. O ROG Kithara é para o jogador que vive em condições de privacidade e valoriza a transparência posicional acima do impacto visceral.

E a música?

Com rock, música eletrónica, bandas sonoras orquestrais e pop moderna, o Maxwell 2 ANC dá-lhe 'mais' música. Tem mais graves, mais densidade, mais calor e mais escala. A música surge cheia e envolvente.

Com o Kithara, as vozes respiram melhor, os pratos têm mais ar e morrem mais lentamente, ao contrário do 'inimigo', que é abatido sem piedade. A reverberação é mais fácil de seguir. Pequenos acontecimentos acústicos surgem no espaço e não estão confinados numa cápsula.

O Maxwell 2 ANC faz a música parecer maior; o Kithara faz a música parecer mais livre.

A escolha do veneno

Por mim, se fosse jogador, ficaria com os Maxwell 2 ANC. Porque isolamento, cancelamento de ruído, autonomia e versatilidade contam muito na vida real e são ainda mais importantes no mundo do 'gaming'.

Sendo audiófilo, contudo, ligo o Kithara a um bom DAC/amplificador, fecho a porta e troco o jogo pela música. Sempre.

O Maxwell 2 ANC é um tanque: pesado, forte, fechado, tecnológico, imersivo. O Kithara é um caça furtivo: mais leve, mais rápido, mais transparente, mas também mais elegante e ágil no espaço virtual.

Ausus Maxwell capa


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