Numa longa entrevista, via Zoom, em português, numa homenagem ao seu país adotivo, Ricardo Franassovici discute com JVH a importância da música para a saúde em geral. No entanto, há uma ressalva: apenas o áudio high-end — e caro — pode realmente curar a mente e o corpo.
E ainda abordou o streaming, que mudou o áudio para sempre, mesmo que, às vezes, possa ser um pouco irritante.
En passant, Ricardo também menciona que a guerra entre o analógico e o digital acabou. Será?
Há pessoas que vendem equipamentos high-end. E depois há Ricardo Franassovici, que vende convicções.
Falar com Ricardo é mais do que apenas conversar com o CEO da Absolute Sounds of London. Ele é como um chef com estrelas Michelin. Primeiro prova. Depois julga e decide se algo merece um lugar à mesa na empresa que fundou há 50 anos e se tornou o distribuidor de áudio high-end mais conhecido do mundo.
Ricardo não segue tendências. Segue a verdade da música (ao vivo).
A sua experiência na indústria musical — antes de o hi-fi se tornar um campo de batalha — dá-lhe a centelha que falta a muitos neste campo minado: a memória viva de músicos a tocar ao vivo em locais reais. Uma referência que nunca o abandonou. E talvez seja por isso que, quando entra numa sala, não quer saber da potência dos amplificadores ou dos chips dos DACs em demonstração. A pergunta que ele faz a si próprio é muito mais “provocadora”:
Soa como música ao vivo ou não?
Ao longo dos anos, Ricardo não moldou apenas um portefólio de marcas de excecional qualidade — criou uma filosofia. A coleção TEN, por exemplo, não é um simples catálogo; é uma declaração de princípios. Os princípios de que a excelência é rara; de que todos os compromissos são audíveis; e de que o tempo revelará sempre a verdadeira natureza do que era, afinal, uma simples moda.
Amigos e concorrentes conhecem-no como uma pessoa de mente aberta e resposta desarmante. Às vezes até demasiado ousado, mas sempre apaixonado e leal aos seus princípios (e amigos).
Por trás da intensidade dos seus sentimentos, há algo muito simples: a rejeição da mediocridade.
Numa indústria excessivamente obcecada pela tecnologia, Ricardo confia na música ao vivo como âncora. Tudo o resto é secundário.
Entrevista via Zoom com Ricardo Franassovici












