Editorial

2015 a very good year



It Was A Very Good Year


When I was seventeen, it was a very good year
It was a very good year for small town girls
And soft summer nights
We'd hide from the lights
On the village green
When I was seventeen

When I was twenty-one, it was a very good year
It was a very good year for city girls
Who lived up the stairs
With all that perfumed hair
That came undone
When I was twenty-one

When I was thirty-five, it was a very good year
It was a very good year for blue-blooded girls
Of independent means
We'd ride in limousines
Their chauffeurs would drive
When I was thirty-five

But now the days are short, I'm in the autumn of my years
And I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year


Singer: Frank Sinatra


Songwriter: Ervin Drake


It Was A Very Good Year lyrics © THE SONGWRITERS GUILD OF AMERICA


2015: um grande ano para o Hificlube


2015 foi o ano da internacionalização. O Hificlube já era lido em mais de 100 países, em tradução livre, ou libertina?, da Google. Mas a publicação de algumas análises e reportagens em inglês e, sobretudo, a colaboração com as revistas HiFiNews (Audio Research GS Pre/150; Constellation Inspiration 1.0) e HiFiCritic (McIntosh MHA100; Hifiman HE1000 e Gryphon Diablo 200) deu um novo impulso à nossa aceitação como parceiros de pleno direito da crítica audiófila internacional.


Nota: os testes originais em língua inglesa estão integralmente (e gratuitamente) disponíveis em pdf no Hificlube, respectivamente na secção Editorial (JVH na Hifi News) e Reviews/Testes (HifiCritic Reviews by JVH).


Como sempre, publicámos, pelo 15º ano consecutivo, a reportagem do Highend Show, que se realiza em Munique desde 2004, depois de 20 anos em Frankfurt, o habitat natural das colunas mamute, dos giradiscos e das principais novidades em estreia mundial.


Fomos também a Paris, fazer a cobertura do ‘desfile’ de moda audiófila do Salon Hifi, e ainda a Nova Iorque ao World Of McIntosh para a vernissage dos auscultadores Pryma, da Sonus Faber.


Viajar já não é o que era, não só pelos custos, mas também por aquilo que nos custa: now the days are short, I'm in the autumn of my years’, e a CES de las Vegas, que durante 30 anos parecia ser já ali, tornou-se ‘a bridge too far’, especialmente com Munique aqui tão perto…


Mas os Americanos vieram cá!


Na Imacustica, Alon Wolf, da Magico apresentou as M-Pro; Irv Gross, a eletrónica Constellation; e Michael Fremer deu um workshop sobre ‘tuning’ de gira-discos. Enquanto o viking Flemming E. Rasmussen celebrou os 30 anos da Gryphon, na Ultimate Audio Elite. E nós fomos também ao Porto, às primeiras Ultimate Sessions, que decorreram no Sheraton.


De resto, aproveitando as excelentes condições de audição disponibilizadas atualmente pelos principais distribuidores de equipamento highend, optámos por ouvir os ‘pesos pesados’ no próprio ‘habitat’ onde se sentem mais ‘à vontade’ para exibir os seus dotes, com sentido prático e sem perder o sentido crítico, e a vantagem de o leitor poder repetir a experiência e comparar notas e pontos de vista nas mesmas condições; ao contrário do que aconteceria na privacidade da casa do crítico que é uma ‘realidade não transmissível’, logo não escrutinável ou discutível pelo público.


A privacidade ‘acústica’ é uma variável não dominada por quem nos lê, que comporta ainda todos os inconvenientes logísticos do transporte e montagem do equipamento, além do tempo e espaço necessário; e, claro, o risco, nem sempre coberto pelo seguro, pois estamos a falar de exemplares muitas vezes únicos, que custam centenas de milhares de euros, e que, por isso, os distribuidores não podem dispensar por muito tempo.


A este nível fazer stock é não só impraticável (disponibilidade limitada) como sai demasiado caro. E hoje em dia não é fácil, muito menos aconselhável, andar para aí de um lado para o outro com um par de colunas ou de amplificadores que pesam 500 quilogramas e custam 500 quiloeuros…


Assim, logo em janeiro, analisámos as sumptuosas Estelon Extreme (também na versão em língua inglesa), alimentadas por um par de monoblocos VTL Siegfried, num dos auditórios da Ultimate, algo que não teria sido possível em condições domésticas. Muito menos seria possível ouvir em casa as Gryphon Pendragon.


Do mesmo modo, eu nunca teria ouvido o único par existente em Portugal das Magico M-Pro, se não fosse a demonstração no auditório principal da Imacustica, com amplificação Constellation Hercules.


Nota: por acaso não é verdade. O atual proprietário das M-pro convidou-me amavelmente para uma audição em sua casa.


Assim, trouxe comigo tudo o que era transportável, e ouvi in loco o que teria exigido um ‘carregador de pianos’ (o tempo dos ‘chauffeurs que me conduziam aos 35 anos’ já lá vai…). 2015 foi, pois, um ano de contrastes, no tamanho e no preço dos componentes da cadeia áudio que analisámos com ouvido crítico e pena afiada. Poucos mas bons. E todos eles são ‘The Editor’s Choice’ dentro da sua categoria, porque não perdemos tempo com ‘segundas escolhas’.


Dos pequenos DACs de bolso, como os liliputianos Meridian Explorer V2, Chord Mojo e Cambridge DACMagicXS, ao McIntosh MHA100, que pesa 15 quilos. Ou o contraste entre o Nagra HD DAC que ‘pesa’ 20 mil euros e o Audioquest JitterBug que custa…50 euros!


E muitos auscultadores. Dos oBravo HMT-1, Audeze LCD-X e EL 8; Oppo PM-3 e Audioquest Nighthawk aos surpreendentes Hifiman HE1000, que andam nas bocas, perdão, nos orelhas, do mundo!


Também pequenas colunas monitoras: das ativas Dynaudio Excite 14A, às inovadoras Sonus Faber Chameleon e às fabulosas Raidho D-1.


A possibilidade de dispor de ‘mão de obra’ especializada para me apoiar nos processos de análise auditiva e técnica permitiu levar a cabo em tempo recorde testes comparativos de amplificadores, como os Primaluna Premium HP, que de outro modo exigiriam semanas de preparação.


Foi assim que ouvimos também em primeira mão as Wilson Sabrina (no âmbito do teste aos Constellation 1.0 para a HiFiNews – ver na secção Editorial), as Sonus Faber Chameleon e, mais recentemente, as novas B&W 800D3, no auditório da Viasonica, tendo ficado em banho-maria para 2016 as Focal Sopra, porque ainda não tinham chegado e as GoldenEar Triton One, porque entretanto se esgotaram, o que não me surpreende depois de uma primeira audição na Ultimate.


2015 foi, hélas, também o ano da morte de Dieter Burmester, tendo o Hificlube publicado o merecido epitáfio.


Nota: aproveitamos para agradecer a colaboração em 2015 dos principais distribuidores e do seu amável pessoal: Luis Campos, Rui Calado, Jorge Gaspar, Alberto Silva, quando não mesmo a colaboração personalizada de Delfin Yanez, Manuel Dias, Miguel Carvalho e José Filipe. Além de todos os outros que, não sendo aqui referidos muito contribuiram para o sucesso das nossas iniciativas).


Todos os testes, análises e opiniões acima referidas estão disponíveis nas secções’ Reviews/Testes’, ‘Notícias’, ‘Eventos’ e ‘Editorial’. Basta clicar e fazer scroll até encontrar o que pretende.


Nota polémica:


Na data em que entra oficialmente em vigor o AO no Brasil (o cerco aperta-se), este texto foi revisto segundo as novas normas pelo FLIP (agradecemos à Priberam Informática e à AEM Press). Mais tarde ou mais cedo, teria de me render ao AO, sob pena de o meu neto mais velho começar a corrigir-me a ortografia, isto se algum dia conseguir convencê-lo a ler uma linha do que eu escrevo sobre áudio. Curiosamente, depois de tanta polémica, o corretor apenas fez três ou quatro alterações num texto com mais de mil palavras…


BOM ANO AUDIÓFILO 2016