2007

Os Senhores Da Guerra



Assobiar o adversário, atitude que já se tornou extensiva aos hinos nacionais, insultar a mãe do guarda-redes sempre que pontapeia a bola, ou ameaçar a equipa de arbitragem de morte lenta e dolorosa deixou de ser uma reacção espontânea e inconsequente, que fazia parte do espectáculo e morria com ele, para passar a ser uma reacção concertada com consequências previstas no Código Penal.



As claques organizadas são hoje exércitos de dirigentes arvorados em senhores da guerra, que disputam o mediatismo e o poder político e económico que o futebol lhes confere, à custa da imbecilidade clubística, e ameaçam tornar um país de brandos costumes num campo de batalha sangrento.



Portugal é um dos poucos Estados-nação com unidade territorial, política (o Alberto João é a excepção que confirma a regra...), linguística e religiosa. Pois há quem confunda regionalização com regionalismo e queira criar artificialmente uma divisão Norte-Sul, tendo como catalisador o futebol.



É por isso que sou audiófilo primeiro e só depois adepto da bola, ambos desportos de sofá. Em 2006, o Highend Show realizou-se, no Sheraton, do Porto. Os lisboetas foram lá acima em paz e conviveram num clima de amizade e troca de experiências. Desta vez, o Hifishow acontece em Lisboa, no Hotel Villa Rica, e os audiófilos do Norte já se preparam para descer em festa à capital com mulheres e crianças: conversa-se, bebe-se um copo e discutem-se as novidades em equipamentos. Sem empurrões, obscenidades e garrafas pelo ar: os fanáticos do som não precisam da polícia de choque a separá-los, une-os a mesma paixão.



A audiofilia é, de facto, outra música...

JVH



O ERRO DE PORTUGAL SÃO OS PORTUGUESES


Comentário do leitor Fernando Barbosa


Que saudades de António Silva em todo o seu esplendor. ''O Leão da Estrela'', o saudoso filme de culto, onde mostrava que uma ida ao futebol era uma peregrinação, até farnel metia, e mais: fato, gravata, e chapéu eram indumentárias obrigatórias; mais ainda, o chamar nomes ao árbitro era uma componente que embelezava o convívio de uma ida ao futebol, ou seja, aplicando uma pequena frase que eu utilizava muito quando catraio: ir ao futebol era melhor do que ir ao cinema. Grande António Silva!



Hoje ir ao futebol significa entrar sem a certeza de voltar, isto é grave, diria mais, muito grave...


No tempo dos romanos, os leões esfaimados ( não os do Sporting... ) comiam escravos, enquanto os que assistiam nas bancadas pediam BIS; ou seja, o ''show'' tinha início dentro do coliseu ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE; e, se os famintos espectadores, ávidos de sangue e de verem pernas e braços nas bocarras dos predadores, dessem início antes do ''show must go on' , quem ia servir de belas e apetitosas refeições eram eles próprios.


Os Centuriões ou a Legião Romana (A polícia da Porrada, naquela época ) impunham respeito. As ''claques'' na altura quando exultavam por este ou por aquele escravo ser magnifica e sofregamente digerido pelo leão da sua maior ou menor simpatia, só podiam manifestar-se, como já disse, lá dentro, no recinto.



Mas quando se assiste a uma autoridade isenta, ela própria a permitir ofensas verbais a tudo e a todos, quando se assiste a uma comissária que mais parece o Deus nosso senhor, pois aparece e está em todo o lado, dizendo com o ar mais Candide (não o de Voltaire, nem o de Bernstein ), e cito:



“Foram tomadas todas as medidas de seguranças necessárias, para evitar o descambado”.



Perante isto, só me apetece retratar uma sequência de humor de Jô Soares no seu programa hilariante dos anos 80: O Planeta dos Homens, na qual um sujeito, quando assistia a algo de muito errado e insensato, dizia: SÓ QUERO APLAUDIR…



Na sequência do seu texto, reforço: O erro fatal de Portugal são os Portugueses.


Aquilo a que se assistiu ultrapassou o limiar da fronteira da vergonha, que foi uma vez mais rainha e senhora numa terra de ninguém, sem rei nem roque.



Saudações Musicais


Fernando Barbosa


P.S.:


Não tendo a minha pessoa qualquer inclinação nem simpatia pelo desporto '' rei '', não quero deixar de sublinhar que o Verde exerce em mim algum fascínio...