2007

Highend 2007_munique_parte 9: As Palestras



Um repórter que se preze devia ir a todas, mas arrisca-se a ficar preso numa sala durante 1 hora, por sessão, enquanto lá fora, estão os equipamentos que veio afinal ouvir e fotografar para mostrar aos seus leitores.
Instalação sonora do 'workshop' da revista Stereoplay


Este ano frequentei apenas o “workshop” da revista Stereoplay, e admito que não fui lá por causa do tema: Die Kunst der audiophilen Aufnahme, que na nossa língua significa: A arte das gravações audiófilas. Fui, sobretudo, porque era lá que estavam as Cabasse La Sphère, e eu queria ouvi-las de novo. Afinal, quase não ouvi as Cabasse, porque eles falavam à razão de 10 minutos por cada 2 minutos de música. Curiosamente, valeu a pena e acabou por ser deveras interessante.
Tratou-se de uma iniciativa conjunta da Stereoplay e da editora Quinton, com a presença simpática de dois engenheiros de som: Andreas Rathammer e Heinrich Schläfer, que em tradução livre significa “dorminhoco”, que foi o me ia acontecendo a mim: ainda há quem ache que as minhas palestras são chatas...


O objectivo do “workshop” era mostrar o engenho e arte dos produtores de discos, que pegam num “master” em bruto e, por meio de compressão e igualização, “melhoram-no” para que soe bem em CD, em especial no rádio do carro.


Primeiro ouvia-se um excerto do master original, seguia-se o mesmo excerto sujeito a compressão prévia e depois a igualização ao gosto do produtor. Os participantes tinham que votar no que gostavam mais e arriscavam-se a ganhar um par de colunas Quad 11 activas. No fundo, no fundo, o objectivo era divulgar o catálogo da Quinton e vender os discos ao pessoal.


Depois do engenheiro passar 20 minutos a dizer que a captação original tinha demasiada dinâmica e, portanto, os sons mais baixos se iriam perder na transcrição para CD, toda a gente concordou que “comprimido” é que era bom, até porque os instrumentos e vozes são “puxados” para a boca do palco e ganham presença. Com a igualização, a voz e o sax ficaram irreconhecíveis mas admito que ganharam “cor” e “definição”. O produto final soava, sobretudo, mais alto - e “mais” é, por definição, melhor que “menos” para 90% das pessoas.


No final, ainda perguntei se me arranjavam cópias directas dos “masters”, mas quando ele respondeu “Warum?”, desisti da ideia.
O reencontro com as Cabasse La Sphère


Bom, pelo menos ouvi as La Sphère com amplificação Mark Levinson. E não tinha sido por causa delas que eu lá tinha ido? Então...