2006

Martin Logan Summit: Follow Up



O palco sonoro promete mesmo. A imagem produzida é mesmo holográfica, como as minhas fieis companheiras de largos anos, Magneplanar 2.7 QR, nunca conseguiram fazer.


Agora quanto aos baixos, o assunto é mesmo grave! A minha sala é pouco maior que a sua, cerca de 25 m2, e já antes tinha problemas na zona dos 125 Hz, conforme constatado pelas medições da JOCAVI que, depois, tratou a sala mas, as melhorias não foram assim tantas.



Tenho um erro de construção na sala que é um soalho 'verdadeiro', com a respectiva caixa de ar e, as vibrações do ar transmitem-se-lhe, provocando um indesejável e incómodo efeito de ressonância. Mas, já estava e agora tenho de o gramar.



Assim sendo, as afinações a que o JVH chegou, não serão apropriadas para esta sala pois, a questão não estará tanto na afinação dos 25 Hz mas sim nos 50 Hz, digo eu ! De resto as frequências muito baixas até são bastante toleráveis, como saboreio na faixa 3 do SACD da Dulce Pontes e Enio Morricone. Aquele grave profundo, reproduzido pelo Subwoofer da B&W AWS 850, em multicanal obviamente, é magnífico.



Enfim, vou continuar a procurar melhores resultados. Uma pedra de granito debaixo das colunas, para que o altifalante inferior não projecte directamente sobre o soalho ?!, etc, etc.



Desculpe maçá-lo com este e futuros textos e, se tiver tempo para me ir transmitindo algum do seu saber, aplicado a este caso concreto, ficar-lhe-ei muito grato.



Cumprimentos.



Email de leitor identificado



O CARTEIRO TOCA SEMPRE DUAS VEZES


Já aqui dissertei sobre o “Correio” e o tratamento que lhe dispenso. O facto de esta secção, tão importante em qualquer publicação, parecer inactiva durante meses, não significa que não receba abundante “correio electrónico” diário, ao qual respondo sempre, aliás, ainda que de forma sucinta por razões de tempo, que não de espaço, pois, ao contrário das revistas e jornais em que já colaborei (e vou continuar a colaborar, quando surgir uma proposta suficientemente tentadora), no Hificlube tenho todo o espaço do mundo, embora não tenha todo o tempo do mundo, como Rui Veloso.



Acontece que por razões de privacidade (e de preguiça, admito) não publico a minha correspondência com a regularidade desejada. Talvez deva fazê-lo com mais frequência, como neste caso, por me parecer actual e pertinente, e também porque me permite publicar uma espécie de “follow-up” do teste da Martin Logan Summit.



MARTIN LOGAN SUMMIT: “FOLLOW-UP”



Primeiro, um esclarecimento: o subtítulo “ O grave problema do baixo” não deve ser entendido à letra - se o problema fosse assim tão grave não tinha solução, e não é isso que transparece claramente da leitura integral da minha análise.



Trata-se de um jogo de palavras (grave=baixo), que talvez não tenha sido óbvio para todos, que foi decalcado de um artigo que publiquei nos bons velhos tempos da revista AUDIO sobre a reprodução de “baixos” ou… graves.



Segundo: o problema existe e não deve ser escamoteado. Com ambos os controles (25Hz/50Hz) na posição “0”db, os graves da Summit no seu conjunto, estão em média 6dB acima do nível médio do painel electrostático, o que me levou a sugerir a Gayle Sanders que o controle de “luminosidade” da luz-piloto azul, que afinal acabo por deixar sempre no máximo, devia ser substituído por um controle de volume da secção de graves, independente dos controles específicos para “igualização” centrados nos 25 e 50Hz respectivamente. Pode conseguir-se isto com uma resistência cerâmica em série, embora me pareça uma solução menos…eh…audiófila. Eu utilizo, oh heresia!, o controlo de graves do McIntosh C2200. Apenas para ouvir CD/SACD, porque com DVD sabe bem ouvir um grave um pouco mais “farfalhudo”.



Terceiro: como deixei bem claro, o acoplamento acústico varia de sala para sala e pode ser optimizado com os controles existentes.



Além de Ken Kessler, que voltou a obter a pole-position, por incúria minha, e publicou uma crítica muito positiva, outros críticos, cujas análises entretanto fui lendo, tendem a concordar comigo (ou eu com eles, se preferir, embora eu tenha tido acesso ao produto antes deles), ao considerar que o grave das Summit pode soar excessivo (eis alguns dos termos utilizados: “prominent”, “overpowering”, “overcooked” “overblown”, “ponderous”, etc.).



O que é facto é que todos alegam ter obtido excelentes resultados uma vez encontrado o “tuning” adequado. Cada sala é um caso, e houve até quem propusesse uma afinação oposta à minha: +2dB aos 25Hz e -5dB aos 50Hz, por exemplo.



Quarto: à medida que a “queima” prossegue, após mais 3 semanas de audição, verifico que o painel está cada vez mais solto, deslocando mais ar, logo diminuindo a diferença de “peso específico” do som para os “woofers”; que, por sua vez, ganham mais tensão e controle e vão perdendo a tendência inicial para soarem, passe o termo, “overblown”. É assim muito provável que a afinação ideal mude com “as trovas do tempo que passa”. Com as Summit, como aliás com todas as colunas, a variável espaço deve ser sempre equacionada com a variável tempo. Assim, estou já tentado em reduzir em 1dB o corte drástico de 10dB aos 25Hz.



Quinto: tal como também referi, no meu caso específico (até por razões de espaço, mas sobretudo por convicção audiófila, tendo a ouvir música no campo próximo) elevar as Summit um pouco nos pilares traseiros, reduzindo o ângulo de inclinação do painel, confere-lhes mais presença, ataque, resolução, além de melhorar substancialmente o enfoque das imagem central e facilitar a dispersão dos graves reproduzidos pelo woofer inferior. Deste modo, os graves perdem algum do “protagonismo” excessivo.



Sexto: colocar uma pedra de granito debaixo da coluna, como sugere o leitor, poderá ter algum efeito positivo no seu caso (reduz a vibração do soalho), mas apenas se servir de base integral também aos pilares (chamem-lhe spikes se quiserem). Eu sugiro algo de mais absorvente e dispersivo, como um tapete de ráfia ou sisal, embora saiba que com os comprimentos de onda envolvidos o efeito de absorção é praticamente nulo.



David Price, na Hifi World de Abril, sugere uma meia de motoqueiro…sem a bota respectiva, claro! Como anedota, não está mal, não senhor…


No mesmo artigo vem publicado o gráfico computorizado da resposta de frequência das Summit, que confirma a minha análise auditiva. Eu sei que não é fácil medir colunas híbridas e que os resultados podem variar, dependendo do posicionamento do microfone de medida, como aprendi por experiência própria na câmara anecóica do IST, quando colaborei com o Prof. Bento Coelho (e as nossas salas são tudo menos anecóicas), mas enfim, vale o que vale…



Aproveito ainda para dar os parabéns ao leitor pela excelente compra que efectuou. E sugiro a todos os cépticos da transdução electrostática que vão ouvir as Martin Logan Summit/Vantage antes de tomarem qualquer decisão de compra de colunas de caixa. É uma experiência enriquecedora e… esclarecedora.



Nota: estas páginas estão abertas aos leitores possuidores (ou apenas potenciais compradores) para poderem publicar a sua opinião e as suas experiências pessoais com as Summit/Vantage.



ARMANDO SANTOS 'DÁ A CARA' E PROPÕE SOLUÇÕES


Muito me lisonjeou a sua ideia do follow-up ao teste das Summit, dando-me oportunidade de participar. Respondendo com entusiasmo ao seu repto, posso-lhe referir os seguintes aspectos: Dando toda a atenção às refêrencias que o JVH efectou no teste das Summit, quer no respectivo follow-up, decidi apostar no radicalismo da colocação das colunas. Fui, inclusivé, um pouco mais além do 1,20 mts de afastamento da parede traseira, tendo ficado à distância de 1,32 mts, medidos a partir do painel sobre o topo da caixa dos woofers. Quanto ao afastamento das paredes laterais, distam delas 89 cm, medidos à face do painel electrostático mais próximo da parede. Utilizando a regra de projecção do foco de luz, sugerido no manual, inclinei-as ligeiramente para dentro, de modo a que o foco se reflectisse apenas em pouco menos de 1/3 do painel. Antes, conforme tinha pensado, coloquei-as sobre pedras de granito de 2 cm de espessura. Deveriam ser mais espessas, mas eram as que tinha, e também não me parecia correcto elevá-las demasiado, sob pena de lhes alterar a geometria relacionada com a inclinação do painel. Este elemento possibilitou-me a aplicação dos spikes, o que ainda não tinha acontecido antes. Mais uma vez, de acordo com as sugestões do JVH, deixei-as 1 cm mais elevadas nos spikes traseiros. A minha habitual posição de audição manteve-se quase inalterada (recuei-a ligeiramente). Agora estou mais próximo da 'boca de cena'. Iniciei, então, a fase de audições com discos que habitualmente utilizo para o efeito: Proprius, Pierre Verany CD test 2, Inak,Tracy Chapman, Telarc SACDs e outros que me fui habituanto a ver mencionados pelo JVH. E qual o resultado de tudo isto ? Deslumbrante, simplesmente deslumbrante! O maior problema, o dos graves, pura e simplesmente deixou de existir. Afinações actuais:


-4 dB a 50 Hz e -2 dB a 25 Hz


O palco sonoro forma-se, efectivamente, bem atrás da linha dos painéis. Os vocalistas bem centrados, quando é o caso, ainda que talvez um pouco baixos, (pouco acima do soalho). Acho esta característica um pouco artificial. Para a tentar resolver, numa próxima fase de desenvolvimento, vou tentar jogar com a inclinação do painel e com o afastamento da minha posição de escuta. As colunas desaparecem mesmo, reaparecendo sempre que o efeito stereo de uma gravação é mais pronunciado, por exemplo, quando um determinado instrumento efectua um solo, estando posicionado à esquerda ou à direita do palco sonoro, afastanto também, em demasia, o instrumento em causa. Que modificações mais contribuiram para este brilhante resultado ? Penso que todas em conjunto. Mas a recolocação e a utilização dos spikes foi decisiva. Aproveito agora esta última nota (sobre o reaparecimento das colunas algo que considero que deveria ser bem melhor), para perspectivar o futuro evolutivo do meu sistema. Partindo do princípio que em termos de colunas atingi o máximo expoente que me é possível em termos financeiros, resta-me virar para os restantes componentes. Em termos de amplificação estou a alimentá-las com os velhinhos Parasound HC-3500 que, agora, estão bem mais folgados, pois só têm de cuidar da alimentação do painel XStat. Então, assim vão ter que ficar. De resto, dada a maior sensibilidade das Martin Logan face às Magneplanar, estou convencido que os Parasound estarão sempre a trabalhar em Classe A, tendo em conta, também, os níveis de audição que pratico. Como pré-amplificador, utilizo um Primare C31, cuja parte analógica me satisfaz bastante mas, face a futuras alterações na fonte, poderá ficar fora-de-jogo. Então quanto às fontes, terreno onde penso que tenho de mexer, logo que me seja possível, digo-lhe um segredo adiantando-lhe que sou, apesar disso, fã incondicional do SACD: o meu Meridien 508 de 20 bits bate por KO o Sony SACD NS-900V ! É claro que, apesar das diferenças de idade e tecnologias, são de campeonatos diferentes. A secção analógica do Meridien é fantástica e, por isso, ainda hoje me encanta. De qualquer modo, estou certo que é aqui que terei de actuar. Os aspectos menos positivos do som que estou actualmente a desfrutar, e que atrás referi, não seriam minorados, ou mesmo banidos com um dCS p8i ou até um CARY 306 ? Quem sabe?!...


O que eu sei é que a Ajasom, deverá responder afirmativamente ao repto do JVH, pelo que esperarei pacientemente pelo teste da máquina supra-referida.


Um abraço


ASantos