2006

Cia Actua Em Portugal



CIAudio D200b


A CIAudio, é um empresa californiana que actua no território da Classe D, sendo concorrente directa da BelCanto, Halcro e NuForce. Já testei os BelCanto M1000 e os NuForce 9.02/SE, tenho os Halcro MC20 em audição prolongada, só me falta ouvir o CIAudio D200, também já agendado com o Augusto Quadros, da Quadros&Ventura, que é o actual distribuidor nacional.

A CIAudio implementou nos seus amplificadores a tecnologia concebida por Bruno Putzeys (ex-Philips) e, ao contrário dos concorrentes, utiliza na fonte de alimentação transformadores toroidais, condensadores e pontes rectificadoras.



KE-POWER SOURCE: test-drive

A Quadros&Ventura permitiu-me, entretanto, dar uma voltinha rápida com um filtro de corrente da KE-Power, da Kemp Elektroniks, uma empresa holandesa que actua na área profissional, mas que, através da britânica UKD, resolveu entrar no mercado audiófilo.



Sabe-se como todos os aparelhos introduzem ruído na rede eléctrica, afectando a qualidade dos sistemas de som. E isto antes de nos enfiarem a Internet em casa também pela rede eléctrica...


A KE-Power Source tem oito tomadas de 16 amperes, de forma a permitir ligar todos os componentes de um sistema AV, incluindo o amplificador, pois disponibiliza uma potência de 3 800 W sem redução dinâmica.



O fabricante é parco em informações sobre a tecnologia utilizada, mas o peso de 13 quilos (!) faz pressupor a presença de transformadores isolados com resina epoxídica, sendo necessariamente maior o ligado às tomadas designadas por Amplifier. As oito tomadas com terra de 16 A estão divididas em 3 secções e isoladas entre si, sendo que as destinadas a equipamento digital têm um duplo buffer.



O fabricante aconselha um período de queima mínimo de 100 horas, pelo que considero que não me devo pronunciar definitivamente sobre o desempenho deste filtro, pois só o utilizei durante algumas horas.



Aliás, o meu estúdio não será o local ideal para testar filtros: tenho um circuito independente de 40A com terra independente, composta por uma vara de cobre de 2 metros enterrada no solo. Além disso, utilizo normalmente um filtro Isotek Titan, sempre que o equipamento o permite: as fontes comutadas dispensam-no bem.


Assim, as “diferenças “ óbvias para qualquer pessoa habituada a ouvir o “lixo” presente na corrente eléctrica e a interferência rádio presente num bloco de apartamentos situado numa grande cidade, não são, no meu caso, que vivo entre a serra e o mar, assim tão óbvias.


Tal como o fabricante, aconselho a que todos os componentes do sistema tenham terra (não há perigo de “loop” aqui) e que todos, mas todos mesmo!, estejam ligados em fase para melhores resultados. Quanto ao KE-Power Source, este deve ser em absoluto ligado a uma tomada com (boa) terra ou a emenda será pior que o soneto...



O patamar de silêncio baixa ainda mais audivelmente se forem utilizados como complemento cabos de potência com ferrites (os Siltech, no meu caso, mas a KEMP fabrica também cabos mais baratos com isolamento de pó de ferrite).



Só por isso, o KE-Power Source justifica a experiência e a eventual compra, porque é difícil voltar atrás depois de respirar som sem poluição.



Não posso, contudo, pronunciar-me definitivamente sobre a alegada ausência de compressão dinâmica ou de alterações tonais (é normal um ligeiro up-tilting), que exigiriam uma audição mais prolongada após queima.



Fiz, no entanto, uma experiência radical e despropositada, pois contraria tudo o que acabo de escrever, que me deixou intrigado e, paradoxalmente, descansado. Liguei um pequeno rádio Tivoli One (a ficha não tem terra e, não tendo também antena exterior, é muito susceptível a interferências) a todas as as tomadas do KE em sequência, e verifiquei que os melhores resultados se obtinham nas entradas Pré-amplifier e Auxiliary 2 e o pior na Digital 2.



Será porque o duplo buffering está de facto afinado para equipamentos digitais, ou é apenas porque a D2 está mais próxima da entrada da corrente de sector? A Digital 1 tem menos interferências…



Bom, pelo menos dá-nos uma garantia: as tomadas estão, de facto, ligadas a circuitos de isolamento diferentes e o lettering não está lá só para enfeitar…



Se você, caro leitor, anda a ouvir “coisas” estranhas no seu sistema que não deviam lá estar, o KE-Power Source pode funcionar como um verdadeiro “exorcismo”: vão-se os fantasmas da EDP que assombram o som, fica a música…
Augusto Quadros está à sua espera para lhe servir energia pura, na sua loja de Telheiras


Distribuidor: QUADROS&VENTURA


Rua Fernando Namora, 45 B, loja 6, Telheiras, Lisboa


Telef. 21 715 54 30


quadrosventura@hotmail.com



Mas afinal a 'terra' também influencia a qualidade do som, pergunta o leitor Nuno Baptista? Como, entretanto, já recebi outros emails sobre o assunto, publico a minha resposta a este leitor para clarificar a questão:


Caro JVH,


Estive a ler o seu artigo no HiFiClube.net 'KE-POWER SOURCE: test-drive'.Em certo momento diz 'Tal como o fabricante, aconselho a que todos os componentes do sistema tenham terra (não há perigo de “loop” aqui) e que todos, mas todos mesmo!, estejam ligados em fase para melhores resultados. Quanto ao KE-Power Source, este deve ser em absoluto ligado a uma tomada com (boa) terra ou a emenda será pior que o soneto...'


A minha questão é:Eu pensava que a 'terra' era para proteger os equipamentos de descargas eléctricas,por exemplo,mas que não tinha influência no desempenho sonoro.Pode clarificar este ponto,tal como a 'terra'influenciar a sonoridade dos aparelhos?



Cumprimentos



Nuno Baptista



Caro leitor



É através da 'terra' que o KE “escoa” a poluição rádio eléctrica presente na corrente de sector. Quanto mais 'limpa' e menor resistência esta tiver, melhores serão os resultados.



É por isso que basta um dos equipamentos não estar ligado ao KE para que a 'poluição' passe para o restante sistema através dos cabos de ligação...



Do mesmo modo, convém que os cabos, em especial os de coluna, sejam blindados (protecção exterior contra interferência rádio eléctricas) ou tenham uma geometria que previna que funcionem como antenas...



Resta um problema que eu não abordei, porque não se tratava de um teste mas de um 'test-drive': o cabo de antena ligado ao seu sistema AV é a principal porta de entrada da poluição rádio eléctrica. E o KE aí não pode fazer nada: o fabricante aconselha um filtro de corrente com divisor galvânico, ou, mais prático ainda, retire a antena quando o seu programa for só de áudio: a diferença é imediatamente audível...



E já agora, se utiliza mesas de metal para o equipamento, ligue-as também à terra, diz ainda a Kemp Elektroniks...



És terra e à terra hás-de tornar, digo eu...




Um abraço audiófilo



JVH