2005

Denon Dcd-sa1/pma-sa-1 - Parte 2: O Leitor Cd/sacd



DENON DCD-SA1

Nenhum pormenor foi descurado. O novo transporte híbrido Denon SVH é estável como uma rocha e preciso como um bisturi. Da vibração à microfonia, tudo foi equacionado para garantir o mínimo de jitter por indução mecânica.

O oscilador do “master clock” tem a precisão de um relógio atómico e o circuito modular está colocado bem junto dos DACs Burr-Brown DSD 1792 (circuito de conversão de modo diferencial com DACs separados para o positivo e o negativo) para que o maléfico duo jitter/RFI não se instale ao longo do percurso. A fonte de alimentação utiliza transformadores separados para os circuitos digitais e analógicos e até os condensadores são alojados em armaduras amortecidas por resina impregnada de areia. Tal como de resina são os “amortecedores” das placas de circuito “flutuantes”. A caixa, e bem assim o fundo assente sobre pés isolantes, é constituída por 3 placas de diferentes materiais separados por feltro para “quebrar” as ressonâncias.

Em termos de funcionalidade, não se distingue muito dos últimos «Universais» topo de gama como o AV-X1. Fundamental é o botão rotativo que controla o «Mode». No modo “Normal” funciona como qualquer outro leitor CD/SACD. A posição “EXT In” permite a utilização como conversor de uma fonte digital externa. Na posição “Pure Direct”, desliga o mostrador e outros circuitos, nomeadamente as saídas digitais. Nesta posição não pode, pois, ser utilizado como transporte de um outro conversor externo. No meu caso, na posição “Pure Direct”, não foi possível estabelecer comparações A/B entre o conversor interno e o Chord DAC64 utilizando o DCD-SA1 como transporte comum para eliminar mais uma variável. Mas no modo “Normal” isso já é possível, pelo que foi esse o modo seleccionado nos testes. No dia-a-dia, contudo, em especial quando se pretende ouvir um disco do princípio ao fim, aconselho o modo “Pure Direct”. A diferença na qualidade de som é ínfima, mas sente-se na forma de uma “pureza” suplementar.


Os leds vermelho e azul indicam respectivamente a leitura da “camada” SACD (default) e CD dos discos híbridos. O botão de pressão Super Audio CD setup (ou de preferência utilizando a mesma função no controlo remoto para o ouvinte se poder manter na mesma posição sentado para uma melhor aferição dos resultados sonoros) permite “saltar” (com um ligeiro hiato de 1s) da conversão DSD directa da matriz SACD para a conversão PCM 192/24 da mesma matriz utilizando a tecnologia AL24 de “upsampling” exclusiva da Denon. Com mais um toque no comando, avança-se para a matriz PCM da “camada” CD contida nos discos híbridos. Para ler o CD (e não a versão CD do disco híbrido), o leitor, não você que me lê, mas o DCD-SA1, tem de mudar de “laser” pelo que volta ao início do disco. Também não é possível voltar atrás uma vez que se tenha comutado entre SACD e SACD/PCM. A sequência de comparação será, pois, sempre SACD/PCM/CD. O sentido inverso está interdito.



Nota: Embora a codificação do CD seja também PCM c/ “upsampling” pelo processo AL24, a partir de agora, e por razões de organização da escrita, passo a designar por “SACD/PCM” o modo de conversão alternativo da “camada” SACD e por SACD/CD e SACD/DSD as versões directas respectivas.



Da extrema precisão de leitura ao total isolamento mecânico do sistema de transporte (percorreu até o fim a “pista de obstáculos” do disco-teste da Pièrre Verany sem erros até aos 2mm, o que constitui um record para a Denon), à separação total das fontes de alimentação dos circuitos analógicos e digitais; da conversão independente ou integrada dos sinais DSD (SACD) e PCM (CD), à possibilidade de utilizar o DCD como conversor separado, tudo tem um único objectivo: a reprodução perfeita dos formatos CD e Super Audio CD.



O DCD-SA1, em especial quando utilizado em tandem com o PMA (utilize sempre as saídas balanceadas), alcançou com facilidade a minha referência doméstica, o conversor Chord DAC64, sendo superior a este na dinâmica e na articulação e definição do grave, logo no sentido rítmico, e na precisão do enfoque do centro virtual. As cantoras caem-nos no colo num lap-dancing erótico: podemos 'vê-las' mas não podemos tocar-lhes, como mandam as regras da casa. O DCD perde na expansividade do “ar”, na textura, que é mais “orgânica” no DAC64, e difere no palco sonoro, embora a separação dos planos em profundidade seja muito idêntica em ambos. O primeiro plano do SA1 é, contudo, um pouco mais recuado que o do DAC64, assim como na relação entre uma lente de 24mm e outra de 28mm. Com base nas minhas notas e na memória auditiva (e não numa comparação A/B), o DCD SA1 tem características sónicas muito semelhantes às do Krell SACD Standard no modo SACD-estéreo. A mesma transparência, claridade, controlo, dinâmica arrebatadora e sensação de presença, realismo e verosimilhança acústica. Talvez seja um pouco menos 'frontal' na apresentação do processo musical em curso. Com um ou outro disco (Dark Side Of The Moon, dos Pink Floyd, por exemplo) tive saudades do efeito surround proporcionado pelo multicanal.



Para mais informações: VIDEOACÚSTICA , 21 424 1770 .



(Continua: ver Artigos Relacionados)