2005

Audioshow 2005: Opinião Dos Leitores 1



Vítor Torres foi o primeiro a enviar a sua opinião e o primeiro contemplado com o álbum triplo (2 SACD híbridos + 1 DVD) de Yellow Brick Road, de Elton John (ver nas Notícias). Tenho mais umas dezenas de álbuns destes para oferecer, cortesia da Sony Portugal. Não sejam tímidos: lancem-se aos teclados! O melhor texto ganha ainda um SACD de Bob Dylan. E há também singles-SACD (híbridos) de 'Money', dos Pink Floyd, em 5.1.

Vitor Torres foi apenas o primeiro, mas já há outros. Leia e inspire-se.




VITOR TORRES
Vitor Torres, fotografado no Audioshow 2002


É sempre com muito gosto que o encontro e troco algumas ideias consigo sobre este vasto e apreciado tema da audiofilia aguda. Por outro lado, consulto na net, todos os dias, o Hificlube, sempre na procura dos seus tão apreciados artigos que sustentam e refrigeram a alma dos seus sôfregos leitores, pelas novidades, impressões críticas, conselhos e outros juízos de tudo aquilo que nos move!



Em boa verdade você instituiu como que um sintagma audiófilo, ou seja um tratado normativo em todas as vertentes e ramificações deste estranho objecto de desejo que é a reprodução sonora nas ideais e próximas condições acústicas da música directa ao vivo. Para tanto você escreve com donaire, graciosidade adquirida pelo gosto da função, pela experiência, conhecimentos do saber feito, pelo fino e inteligente humor, contrariamente a outros ( i.e. Ken Kessler) que o utilizam de forma negra e pesada.



Mas não se diga que só lhe endereço encómios dado que, em 2% do que escreve não concordo ou estou em campo oposto. Em 98% estou inteiramente ao seu lado, e é sobre esta esmagadora percentagem que vale a pena escrever.



Bem recentemente fiquei encantado com o belíssimo artigo escrito sobre Holbein de Menezes esse guardião da cultura audiófila do Brasil. Pena é que Holbein não colabore mais vezes com a revista Audio em saborosos, originais e versáteis artigos.



Contrariamente ao prazer de conversar não gosto muito de escrever e, é sempre com alguma inércia que inicio a funcão! Dito isto, vou tentar esboçar a impressão deixada por este Audioshow de Outubro2005.



Em primeiro lugar é visível o prolongado e manifesto desinteresse de muitos importadores em comparecerem ao certame, delegando por vezes em revendedores a mostra de algumas marcas e produtos. Não estiveram presentes a Sony, Philips, GP, Audioelite, Atitude, Vieoacústica, Edecine, etc. Daqui a degradação e falha de objectivos que a exposição vai tendo de ano para ano.



Contudo, este ano, três factos muito interessantes aconteceram a merecer nota elevada e que, para mim, constituiram as melhores propostas em termos de equipamento e sonoridade, pondo de parte o preço e envergadura dos mesmos. Assim:



1. Imacústica com as colunas Wilson Alexandria e amplificação e fonte Krell.


2. Ajasom com as colunas Vivid K1, amplificação Nagra e fonte Reimyo.


3. Absolut Sound/Vision com as colunas Kensington ( não as Westminster) com super tweeter St200 e amplificação McIntosh.



Da Imacústica, a proposta apresentada ultrapassou quaisquer parâmetros analíticos de audição, presença, organização e montagem. Não é deste mundo e qualquer utente não se poderá considerar o seu feliz proprietário, apenas o seu usufrutuário pois, o mesmo, ficará muito para além da sua expectativa de vida, para fruição de filhos e netos!



Da audição confesso que fechei por diversas vezes os olhos para fazer perdurar a imagética de um som firme e suave, directo e compulsivo, holográfico e linear, profundo e sublime, encantador e natural. Naturalidade é a palavra de ordem que assumo e enalteço! Se todos procuramos preservar a natureza, o som é o elememto natural por excelência e, daqui, o grande e mavioso encanto destas colunas! Contrariamente às SF Stradivari, estas são talvez as melhores colunas de som que já ouvi pelas 3 ou 4 partidas do mundo.



As colunas Vivid K1 despertaram um sentimento de plenitude ambiental mormente na reprodução das vozes humanas, e em especial das femininas. Digo femininas porque o impensável apareceu e deixou-me estupefacto!? Em primeiro lugar, solicitei a reprodução de um cd meu com Annie Ebrel - voz e Riccardo del Fra - contrabaixo. A voz de Annie esteve portentosa em clareza, dimensão, palco acústico e senti-a à minha frente em audição em minha casa? Aqui o representante da Ajasom colocou um cd com árias de ópera com voz de uma soprano desconhecida. A voz feminina era profunda, articulada e extensa assumindo por vezes o brilhantismo da coloratura. Finda a audição foi-me dito que ' a intérprete ' é um homem ( não castrati)???!!! Malhas que alguns tecem... Não sabia que existiam 'Fernandos Pereira' no Belcanto.



Finalmente o conjunto da Absolut Sound estava a tocar soberanamente bem. Gosto muito da Tannoy Kensington e de outros modelos da marca e, ainda, da amplificação McIntosh. Claro que o som estava facilitado pelos temas escolhidos : jazz, blues e gospel. Não lhe tira merecimento. Foi obra e um grande som.



Espero que tenha gostado desta minha simples e despretensiosa colaboração.



Saudações audiófilas.



Vítor Torres


ALEXANDRE TAVARES
Alexandre com o SACD de Elton John, que lhe entreguei pessoalmente no Audioshow


É com muito agrado que lhe envio o primeiro e-mail. Já sou leitor do site HIFICLUBE há algum tempo, e posso dizer que representa um caso único na comunidade audiófila portuguesa, pelo prazer de comunicar as suas ideias e a sua experiência auditiva com os todos os que (infelizmente) não podem aceder tão facilmente a esses maravilhosos sistemas de som que (pouco) dinheiro não podem comprar.


Tive oportunidade de assistir ao Audioshow no Sábado à tarde. Estava de facto muita gente, o que tornava uma audição decente bastante difícil. De facto nem consegui assistir às Wilson Alexandria nem ao sistema Linn.. No entanto gostaria de transmitir a minha breve opinião acerca de alguns dos sistemas que me interessaram (a ordem é puramente aleatória):


1. BW 800D com amplificação e fonte Classé (Artaudio)


Adorei a sonoridade deste sistema, preciso e com uma clareza estonteante. A presença dos instrumentos na sala (bem apresentada) é impressionante. Já o ano passado assisti à prestação das Nautilus originais nesta mesma sala e na altura não fiquei totalmente convencido (considerando o preço claro), principalmente porque numa sala uns pisos acima estava um sistema que realmente sabe transmitir a música directamente para o nosso cérebro (e por metade do preço): Sonus Faber Stradivari Homage


2. Audiovector / Gamut (Absolut Sound And Vision)


Excelente apresentação muito profissional e simpática. O som era talvez demasiado grande para a sala, mas gostei regra geral da apresentação sonora.



3. Sonus Faber Grand Piano Domus (DELMAX)


Reforçam a minha paixão pelas Sonus Faber. Mesmo mal colocado (havia demasiada gente numa sala tão pequena) apreciei a sonoridade fora de série destas colunas.


4. Monitor Audio Silver com amplificação Advance (Delaudio)


Tendo em consideração o preço, parabéns pela qualidade sonora muito agradável sem excessos e com uma bela transparência. Fiquei surpreendido.


5. Vivid com amplificação Nagra (Ajasom)


Se os Nagra não prestam, então não sei o que será bom. Estive lá pouco tempo mas de facto aquelas colunas originais deixaram-me estarrecido pela espacialidade sonora que conseguiram criar.


6. VON SCHWEIKERT (Quadros e Ventura)


Qual é o objectivo de colocar uma colunas tão 'potentes' a tocar a altos berros numa sala tão pequena? Assim é difícil ter alguma noção da real qualidade de um sistema.


7. Marting Logan Summit (Imacústica)


O ano passado não gostei das Martin Logan (estavam estridentes). Este ano adorei.


8. Tannoy Prestige Westminster (Absolut Sound And Vision)

Feias (a minha mulher por acaso gostou) mas surpreendentes. A voz do Louis Armostrong tinha uma presença assombrossa, o som do piano foi.... sem palavras. Nem quero saber o preço... Faltou saber como se comportaria com outros tipos de música.


E pronto. Espero ansiosamente pelo próximo ano, e esperemos que a Imagem não ultrapasse de vez o Som porque, embora tanto um como o outro se complementam, enquanto a Imagem nos dá um prazer imediato o Som dá-nos um prazer que perdura e que mexe com (quase) todos os nossos sentidos ao ponto de nos deixar como que extasiados.


No Domingo não resisti e lá voltei ao Audioshow. Principalmente para ouvir as tão badaladas Wilson Audio Alexandria c/ amplificação Krell Evolution. Mas também para comprovar se as Sonus Faber na Delmax eram mesmo boas.


O conjunto Krell/Alexandria brindou-me com um som de uma dimensão
absolutamente impressionante. Não imaginava que um sistema de alta
fidelidade pudesse atingir tal escala. No entanto (há sempre um no
entanto), em peças mais introspectivas, menos dinâmicas o som soava
demasiado 'larger than life'. A presença dos instrumentos e das vozes
era de facto assustadora, mas faltava aquele ambiente introspectivo que
eu encontrei o ano passado nas Sonus Faber Stradivari Homage e que tanto
me encantou. Com música orquestral foi, no entanto, arrebatador,
estrondoso (fico sonhando com o que seria com uma sinfonia de Mahler
neste sistema).


Por isso mesmo desloquei-me de novo à sala da Delmax, onde finalmente
(no Sábado foi impossível sentar-me perto do 'sweet spot') tive
oportunidade de ouvir uma demonstração espectacular de som, com
excelentes escolhas musicais (para o meu gosto claro) e uma sonoridade
cativante (claro que a uma escala muito mais pequena e a um preço muito
mais aceitável). Nesse mesmo local, e por mera coincidência, tive também
a oportunidade de o conhecer pessoalmente e a quem agradeço a simpatia
(e claro o 'presente').


Passando pela sala da Artaudio de novo, as BW pareceram minúsculas, por
comparação com as gigantes 'Egípcias'. O som desta vez cativou-me menos,
talvez porque as duas demonstrações anteriores me transmitiram, ambas, e
cada uma à sua maneira, algo de especial. As BW são de facto muito boas
mas o seu som é demasiado correcto, mais perfeito talvez. Enfim, possuem
um carácter semelhante às Nautilus originais (os 'caracóis') que ouvi o
ano passado nesta mesma sala.



Fico à espera do Audioshow do próximo ano e com muita pena de não
existirem mais iniciativas do género durante o resto do ano, pelos
arredores de Lisboa.


Saudações audiófilas e continuação do bom trabalho que tem efectuado.


Alexandre Tavares


RAFAEL SHYWOLF LINO

Suponho que se lembre daquele casal que fotografou no stand da Interlux?
Achei piada escrever sobre o que pensei do AudioShow 2005, talvez aquilo
que vai na cabeça de quem é fotografado com uma cara de espanto como
fiquei na altura. Desde já os melhores desejos para o HiFiClube.


Não escrevo para um prémio apenas para limpar e organizar esta cabeça que
pelo AudioShow passou. Acho que todos temos necessidade de desabafar sobre
as coisas de que gostamos.


Um metaleiro?! Foi assim que alguns comentaram entre dentes, quando entrei
no AudioShow 2005 acompanhado da minha namorada. Foi com alguma pressa que
visitei os pisos do ISCTE, visto que a minha companheira estava algo doente
e todo aquele som não era lá muito bom para ela.


Não sou audiófilo, apenas alguém que ama a música na sua forma mais
natural, por isso os mais puristas que me desculpem, mas o meu ponto de
vista é algo diferente de alguém que vai para criticar a fundo sistemas de
som de alguns milhares de Euros.


Não tive muito tempo, o que me partiu o coração, mas tenho de admitir que pouco
havia para eu ver para além das minhas marcas favoritas, como a NAD,
ROTEL, Marantz e ONKYO, das poucas que eu com o meu ordenado posso pensar
ou por vezes sonhar comprar.


Subi aquelas rampas na esperança de encontrar a Sony e a sua eterna gama
Highend e acabei por sair algo aborrecido visto que nem a Sony nem seus os
representantes se deram ao trabalho de marcar presença este ano, o que
deixa o consumidor pensar até que ponto a Sony se continua a preocupar com
os clientes. As saudades que tenho do falecido senhor Akio Morita...


Enfim, lá continuei na minha demanda por amplificadores de potência e
alguns integrados de alto nível. Sendo por vezes desprezado como jovem que
sou, mas isso infelizmente já é habito no Audioshow. Por vezes os
representantes esquecem que, apesar de jovem, eventualmente terei poder de
compra suficiente para muitas daquelas belezas, mas de certeza que não irei
comprar a quem me tratou como apenas mais um que só gosta de potência. Eu,
apesar de gostar de “metal”, procuro um sistema tão dinâmico e limpo como
qualquer amante de Jazz ou musica Clássica. Mas tenho que admitir que sou
grande apreciador de musica clássica, não fui criado como os actuais
jovens são, pelo lema do que dá nas rádios ou televisão.


Tenho especial carinho pelo AudioShow mas já me cansa a arrogância de
alguns que fazem critica destrutiva a marcas com a BW uma referência para
mim em colunas. Olham para elas como se caixotes fossem, e isto dá que pensar a quem gosta de áudio.


A minha passagem pelo AudioShow foi algo rápida mas os
comentários não mudam nem a arrogância de muitos. Por outro lado existem coisas que me deixam realmente surpreso. Como o stand da Interlux, onde vi e ouvi pela primeira vez umas colunas cujo dinamismo, liberdade e potência me deixaram surpreso e a falta de um subwoofer “visível” também. Tenho de admitir que tive que perguntar se elas usavam um subwoofer, já vi tantas artimanhas acústicas que estou por
tudo, e é claro que estas colunas usam um subwoofer extremamente discreto e
belo à sua maneira: o MPS da Gallo, se não estou em erro, que se mostrou
fabuloso. As Gallo Nucleus Micro apresentadas pelo senhor Carlos
Henriques, que foi extremamente prestável e muito esclarecedor, foram sem
dúvida umas colunas que me deixaram pensar um pouco na minha conta bancária, visto que, além de acessíveis, são belas e têm um som límpido para tão pequenas esferas mesmo a grande output de potência.


Enfim gostei do AudioShow apesar de achar que quando se tem muito é
possível esquecer de quando se tinha pouco. Um audiófilo não o deixa de
ser só porque não pode aceder a colunas topo de gama, nem um metaleiro
como eu o deixa de ser só porque sente vontade de ouvir o som como ele
deveria de ser, ou seja belo e puro.


Com os melhores desejos Rafael Lino.


JOAQUIM VERDASCA


'-Os convites são aqui-' dizia um 'júnior' empertigado e com uma
peculiar falta de ..., para nos dar as Boas Vindas, e éramos muitos. E assim fui recebido no certame.


Confesso que a minha ansiedade era enorme, faltei o ano passado, e nesta
coisa do Som é sempre com tristeza que falto.


Lá entrei, primeiro apeadeiro: Imácustica, gostei muito mais no Porto, senti-me ultrajado afinal algumas centenas de milhares de Euros podem nem tocar por ai além. Lá estava mudo e calado o CD7 AR, pelo aspecto aquilo promete.


Ajasom, bom som o das Wilson Benesh, terreno, modesto e muito bonito.


As Vivid são lindas suponho que, com umas válvulas (talvez aquele
fabuloso Jadis DA88 da Imácustica), enchiam-nos a alma.


Adorei a Delmax, é a prova que a afinação do sistema é muito mais que
a soma das partes.


Do resto..., mantenho a saudade de há talvez 8/10 anos, em que
conseguia ser dos primeiros a entrar e dos últimos a sair.


Joaquim


PEDRO BARTOLOMEU


Como seu leitor habitual, e respondendo ao seu convite, envio-lhe um pequeno texto relativo ao Audioshow 2005.


Gostei mais do evento este ano, talvez por os sistemas serem quase todos de topo (e não é todos os dias que podemos desfrutar de tais equipamentos), ou ainda por terem dado primazia ao áudio (multicanal e stereo ), mas a verdade É que foi muito mais apelativo, apesar de algumas marcas/importadores estarem ausentes, que foi o que mais me desagradou.


Só pude ir no primeiro dia, mas do que ouvi gostei das BW/Classé; das Wilson/Krell, mas aqui, talvez por saber previamente o preço do conjunto ( what!??), estava à espera de um milagre acústico, mas não detectei nenhum, pelo que pelo preço pedido, preferia outro sistema mais acima (6º piso), e ainda sobrava algum para umas viagens “around the globe”...


As Tannoy e McIntosh é que no meu entender estiveram em grande este ano, tanto na sala da Digisom como na Absolut Sound. Achei mesmo fabuloso o sistema multicanal da Digisom, com imagem a condizer, mesmo sem apreciar o “software” que estava a passar na altura (Jean Michel Jarre).


Na sala da Absolut também me detive mais tempo do que o habitual tal o entusiasmo que me transmitiram aqueles caixotes absolutamente horríveis da Tannoy alimentadas pelos Mac. Na parte de baixo das colunas, vislumbrei o que parecia ser uma fechadura (?), será para guardar a colecção de cds do proprietário?.....tipo cofre…


Gostei da apresentação das Audiovector/Gamut, mas achei o som algo cansativo, não sei se a sinergia seria a melhor entre amplificação e colunas…



Gostei ( tal como no ano passado ) da sala da Exaudio, com as ATC, com um sistema de colunas activas a pedir uma sala um pouco maior para demonstrar todo o seu potencial.



Na sala da Delmax, fiquei por pouco tempo, devido ao calor (seria de tanta válvula, ou do calor humano ?), e à afluência que era mais que muita. Ainda assim gostei do que ouvi.



Mas o sistema que leva o “prémio” - o que mais gostei este ano - foi o composto por Wilson Benesch/Dcs/Ayre, na sala da Ajasom. Muito bom.


Bem, agora só me resta aguardar pelo resto da sua reportagem.


Saudações Audiófilas


Pedro Bartolomeu


PEDRO PATRÃO


Sem entusiasmo, entrei no Audioshow, convencido, mas não conformado, que, de novo, e a exemplo dos últimos anos, assistiria a uma exposição, a qual de audio pouco mais teria que o nome, e na qual tentaria, como sempre, escapar às demonstrações semi-obscuras do AV.

Com espanto, fui notando que, desta vez, embora timidamente, e apesar das poucas novidades, os sistemas de áudio baseados em amplificação de dois canais e um par de colunas, não eram em número inferior aos de imagem.


Com prazer renovado, recordei, em muitas salas, tempos de edições anteriores onde a imagem se não impunha aos audiófilos para distracção dos sentidos, quando apenas queriam saborear o prazer da audição das peças musicais.


Deixando para o JVH, a descrição exaustiva do evento, refiro apenas que, na redescoberta da música, fiquei especialmente tocado pelo que ouvi pelos conjuntos Nagra/Vivid, e , noutro patamar de preços, Advance Acoustic/Monitor Áudio, onde os altifalantes de metal deverão ter tido a importância já esperada.


Ao sair, ficou a dúvida, e permanece o desejo, que o AV possa abandonar o Audioshow e fixar-se nos locais de excelência para exposição permanente como produto de consumo doméstico - nas montras e estúdios dos retalhistas, e nos amplos espaços das grandes superfícies comerciais, deixando as salas livres para que a comunidade audiófila volte a emocionar-se com a audição puramente musical.

Pedro Patrão


FERNANDO MAGALHÃES


Foi com alguma pena que este ano não fui ao Audioshow, ainda que já tenha
conheça/tenha ouvido alguns dos sistemas que por lá andavam. De qualquer
forma, ao ler as suas crónicas é-se transportado ao local do acontecimento e
imagino os sons que por lá deviam ter andado. (se calhar faltavam motivos
mais fortes para ir do Porto a Lisboa...)


O que me despertava mais curiosidade para ouvir seria o sistema Krell/
Wilson, quanto mais não seja pela montra de tecnologia que contém e para
'ouvir' uns quantos milhares de euros de sistema. Mas um sistema que terá
supostamente uma enorme resolução e capacidades dinâmicas quase inesgotáveis
acolitado por um leitor 'Universal' da Krell?? Humm... É que foi a partir de
um Audio Research Cd3 que ouvi o 'som' que me fez sentir mais próximo da
música ao vivo, ao ponto de ficar com os pelos em pé. (excluindo sistemas
analógicos) e sabendo que estava lá um CD7 parado , é estranho... A LINN é
que se ia arrepiar por esta filosofia, pois sempre valorizou a importância
da fonte em relação ao resto do sistema (sempre ajudou a vender os Sondek´s)
e de facto, garbage in... garbage out? (sem ofensas à Krell).


Ainda pelo que percebi, fiquei espantado pela primazia que o audio de 2
canais voltou a ter no Audioshow. Por mim, ainda bem. Afinal eu também ainda
não conheço nenhum clube de fâs do 'receiver 7.1' ou de 'projectores'... mas
vejo cada mais apaixonados pelas válvulas e pelo vinilo.


Também fiquei curioso em relação às Tannoy Westminter, que nunca ouvi e pela
solução que utiliza (o tal cone dual concêntrico mais a corneta acústica
para os graves).


Outro grande motivo de interesse seria a sala da ajasom, pelas colunas Vivid
(e pelo génio que as concebeu). Aquela estrutura rígida e o movimento dos
altifalantes de alumínio próximos do ideal (movimento em pistão) prometem...


Provavelmente ia gostar das VON SCHWEIKERT, pois tendo a preferir um som
'extrovertido'. Mas ainda não ouvi menções a grandes fontes analógicas: a VPI e a Oracle não
estavam presentes?


Só para terminar e porque chega de conjecturas, desagrada-me muito uma certa
tendência de alguns (muitos?) portugueses de dizer sistematicamente mal de
tudo, como o audioshow/ críticos. Por mim, que haja mais 'certames' como
este, que hajam mais páginas como o hificlube ( o que é um previlégio ler o
seu know- how de borla), mais críticos e mais revistas (mesmo num mercado
pequenino como o nosso... e é curioso um país pobre com tanta representação
de luxo...


Nota: Fotos Hificlube/ autor JVH - todos os direitos reservados