2004

Mark Levinson Nº320s - Parte 2



Mark Levinson Nº320S, elegância e robustez


O ML Nº320S, que custa um pouco maisde 10 000 euros, é o descendente directo do famoso prévio de referência de duplo-chassis Nº32, com andar «phono» opcional e o mesmo potenciómetro do tipo «twin resistor ladder» (duplo com canais independentes e resistências com soldadura de superfície, sendo que só uma em cada passo está no caminho do sinal). Por fora parece ter sido construído a partir de um bloco sólido de metal, com painel ondulado, mostrador alfanumérico distinto e informativo e teclas bem dimensionadas que, tal como os botões de volume e selecção, destacam-se pelo tom claro: um sorriso de dentes brancos num rosto negro.
ML Nº320S, painel posterior


O «320» é um prévio simétrico em toda a acepção da palavra, até na disposição das fichas no painel posterior, o que pode fazer um pouco de confusão nas ligações ao princípio. Simetria que no interior atinge o limite da perfeição: todos os circuitos são integralmente balanceados (simétricos). Mesmo quando as fontes são não-balanceadas, os sinais são convertidos para que não sofram interferências no percurso interno.
ML 320S, interior com escudos de protecção
ML 320S, interior sem escudos de protecção


Aliás, tudo parece ter sido concebido para que o sinal siga o seu caminho impávido e sereno. Os circuitos de áudio, controlo e alimentação são totalmente isolados por escudos de aço para os proteger de interferências electrostáticas e electromagnéticas. A corrente alterna filtrada por dois andares activos de tensão regulada segue por uma «circular externa» aos circuitos áudio. Um primeiro andar de ganho regula a tensão de linha e as variações de temperatura. O segundo andar de ganho de elevada performance está exclusivamente dedicado ao sinal áudio. Os circuitos de controlo e de áudio têm alimentação e transformadores toroidais(!) separados cada um isolado por uma gaiola de Faraday para evitar a corrupção dos sinais de baixa tensão por corrente alterna. A construção dual-mono separa física e electricamente o canal direito do canal esquerdo para garantir imagens sónicas tridimensionais. Mas há mais: pode atribuir nomes diferentes, ganhos diferentes, percursos diferentes (para gravação) a cada uma das entradas ou até desactivá-las se não estiverem em uso. Pode ainda desactivar o controlo de volume e integrar o 320 num sistema Surround pré-existente controlado pelo processador AV.
Durante o cerca de mês e meio em que o utilizei, só estranhei a «lentidão» do potenciómetro de volume, que é preciso rodar várias vezes até atingir a «velocidade» de cruzeiro: passos de 1 dB até aos 23 dB e de apenas 0,1dB a partir daí. Em contrapartida, a precisão do ganho é quase laboratorial: cada disco tem o volume exacto para ser ouvido e 0,1dB pode fazer toda a diferença. Também possui controlo remoto, claro.


O ML Nº320S tem todas as vantagens da neutralidade típica dos grandes prévios passivos «de resistências» sem nenhuma das desvantagens e oferece ainda todas as facilidades de utilização dos mais modernos exemplos activos. O som é claro-escuro como a pintura de Rembrandt, mas transparente, amplo e profundo (também no grave) sem o mais leve resquício de coloração «electrónica». O silêncio intersticial é fantasmagórico: na ausência de som o «vazio» é total, surgindo depois os elementos sonoros como corpos celestes iluminados pelo sol no negrume do universo infinito. O ML 320S soa como parece: sólido, de rosto redondo e sem protuberâncias, elegante e robusto, rápido, cheio e táctil, carnudo e de penetrante odor a terra húmida como uma trufa preta de Périgord. E é igualmente raro e caro.



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