Afinal, o carbono também pode ser ecológico. Quando o mundo procura a sustentabilidade, a HEDD aposta no carbono para reproduzir música de forma ecológica, isto é, sem distorções.
Há marcas que não perdem a sua personalidade, mesmo quando mudam de tecnologia de transdução. A HEDD ganhou fama com o transdutor full-range AMT (Air Motion Transformer). Por isso, quando o novo modelo D1 me chegou às mãos sem AMT, temi o pior: lá se vai a magia da HEDD. Mas olhem que não, ou melhor, oiçam…
O D1 continua a ser um auscultador do tipo aberto, circumaural, com diafragma TPCD (Thin-Ply Carbon Diaphragm). A HEDD foi a primeira a utilizar um AMT full-range, agora é também a primeira a utilizar uma membrana de carbono ultrafina como diafragma, tendo como objetivos principais: reduzir a massa, controlar os modos de ressonância e evitar o excesso de damping.
Um HEDD para todo o dia
O D1 pesa apenas 350 gramas (menos 200 gramas que o TWO GT!), o que, por si só, constitui um alívio para os ‘heddistas’ habituados a andar com um peso sobre a cabeça que os impedia de fazer longas audições, não por cansaço auditivo, mas por cansaço cervical.
A estrutura é sóbria, funcional, com aquele minimalismo industrial que não pretende apenas seduzir — pretende, sobretudo, bem servir. As almofadas são de veludo perfurado, a banda de cabeça é confortável e o conjunto transmite robustez. O cabo é destacável, de manga têxtil, e a ligação é feita por meio de duas fichas de 3,5 mm (uma em cada auricular), e terminal de 6,35 mm (incluído).
Segundo a HEDD todas as partes são facilmente substituíveis em caso de necessidade de reparação. Mas não se preocupe, pois a garantia, mediante registo, é extensa. Num setor em que reina o produto descartável, isto é música para os nossos ouvidos — e não apenas no sentido metafórico…
32 ohms de impedância e 100 dB de sensibilidade
Ao contrário dos modelos com AMT, o D1 não é apenas mais leve para a cabeça; é também mais leve para o amplificador — e para a carteira, pois o preço (€700) é de um terço do HEDD Two GT, que tanto me encantou.
O D1 não é apenas mais leve para a cabeça; é também mais leve para o amplificador — e para a carteira.
O D1 não precisa de um superamplificador de auscultadores e funciona sem problemas com qualquer fonte portátil, incluindo o telefone, se comprar o cabo apropriado. Mas eu tento sempre sacar o melhor de cada componente. E, por isso, ouvi-os não com um, nem com dois, mas com três amplificadores diferentes: iFI Audio Diablo 2, Luxsin X9 e Eversolo DAC Z10. Todos soam bem, todos soam diferentes.
Com todos eles, o D1 reproduziu bem os transitórios, ainda que sem a ‘velocidade’ a que o AMT nos habituou, e manteve o palco sonoro organizado mesmo com material complexo.
O D1 é, por natureza, um auscultador de tendência neutra — mas não daquela neutralidade ‘anorética’ que às vezes confunde honestidade com magreza. O D1 tem corpo suficiente, mas não transforma os contrabaixos em linhas de baixo balofas e consegue manter um timbre credível com o piano, as vozes e as cordas.
Leia tudo o que eu escrevi sobre os seus irmãos mais velhos: Heddphone One, Two e Two GT, para perceber que, mais do que qualquer outro componente de áudio, a audição com auscultadores depende muito da correta colocação dos auriculares e do formato das suas orelhas, quase tanto como da sua capacidade auditiva.
Sobretudo, a reprodução de graves depende da selagem entre as almofadas e a sua cabeça. De tal ordem que até as almofadas em veludo perfurado, como é o caso do D1, e de pele fazem diferença.
Por exemplo, se usa óculos, isso afeta a selagem e parte do grave perde-se. Em linguagem audiófila, chama-se a isto ‘the clamp/fit impact’. Ou seja, a pressão das almofadas sobre a sua cabeça faz tanta diferença que basta pressionar os auriculares com os dedos, encostando-os mais à cabeça, enquanto ouve música, para perceber isso imediatamente. Daí que — com auscultadores — cada cabeça, sua sentença — literalmente.
Em condições ideais, o grave é rápido, com notável ‘pára-arranca’, mas não tem extensão muito abaixo dos 45 Hz, o que é ótimo para trabalhos de mistura, pois não obscurece a definição com subgraves artificiais, que parecem ter sido lá postos só para impressionar o ouvinte.
Os médios são excelentes: a membrana de carbono soa quase como uma membrana de mylar. As vozes têm boa presença e inteligibilidade. É um médio misto de ‘estúdio’ e ‘doméstico’ sem projeção excessiva: clareza sem agressividade.
O agudo tem luminosidade controlada, sem tendência para favorecer as sibilantes. Há uma ligeira elevação nas altas frequências que não prejudica o equilíbrio tonal e favorece a definição, o arejamento e a riqueza de informação.
Os HEDDphones D1 soam bem ao natural e não precisam de muito tempero.
Eu considero que os HEDDphones D1 soam bem ao natural e não precisam de muito tempero. Mas se tem acesso a um EQ para métrico, como o da Roon, pode optar pelo preset disponível Oratory 1990 (Harman Curve) ou pela minha sugestão de aproximação do HEDD D1 à curva de Harman:
- LSQ 80 Hz, +4.0 dB, Q 0.70
- PK 35 Hz, +2.0 dB, Q 1.00 (ajuda a descer um pouco mais))
- PK 200 Hz, -1.5 dB, Q 1.00
- PK 2.7 kHz, +2.0 dB, Q 1.20
- PK 5.5 kHz, -1.5 dB, Q 2.50 (se é sensível ao brilho dos pratos, dos trompetes e sibilância)
- HSQ 10 kHz, -1.0 dB, Q 0.70 (opcional — se dispensa o arejamento)
Nota: comece com estes parâmetros e, depois, faça os ajustes ao seu gosto. O mais provável é que opte pelo som ao natural, como eu.
Conclusão:
Não é um auscultador feito para impressionar em cinco minutos com grave inflacionado e brilho artificial. É um auscultador para ouvir — e, sobretudo, para entender: leves, neutros e agradáveis. E, num tempo em que muitos produtos parecem desenhados para agradar aos computadores — e não aos humanos —, isto é quase um ato de resistência. Todos os auscultadores que lhe fazem frente custam pelo menos o dobro.
Para mais informações: EXAUDIO
HEDDphones D1 - Uma introdução em vídeo por JVH












