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Video Zenaudio
28 Nov 2008
STILL VINYL AFTER ALL THESE YEARS
Reportagem nacional
Visitei este hifishow temático apenas no Domingo, acompanhado pela minha esposa, durante cerca de duas horas. Foi mais uma visita de cortesia que uma...eh...auditoria. Mas tenho os ouvidos, tal como a alma, preparados para só ligar ao que a engrandece, depressa esqueço o que me aborrece. Sigam comigo o trilho das fotografias que ilustram o que não passam afinal de impressões acústicas subjectivas. Até porque cada vez se ouve mais com os olhos. As Nautilus que o digam...
AJASOM
 
Desta vez gostei mais das Meridian activas. Também é verdade que me sentei na sweet spot (até me foi oferecido amavelmente o comando). A sala era enorme e estava engenhosamente dividida por uma parede de painéis acústicos negros. As colunas são de banda muito larga e sempre que o grave descia lá abaixo, este esgueirava-se por trás dos painéis e voltava desfasado e túrgido como um convidado que chega tarde ao casamento.

 
Reencontrei Brel, ne me quitte jamais pas, apesar dos estalos; e Solti à frente da Orquestra da Royal Opera House, Convent Garden, num LP da Victor RCA, genericamente intitulado Venice, com prelúdios e aberturas de óperas famosas: La Traviata, Semiramide, L'Italiana in Algeri, etc.
 
 
Sinceramente fiquei encantado com a reprodução do disco, mesmo sabendo que o sinal analógico do Wilson Benesch estava a ser digitalizado a 24/96. Não ouvi dureza, não ouvi compressão e deliciei-me com a delicadeza dos agudos. Até o grave se portou bem com este disco. Bravo, Maestro Solti!  
 
AUDIOMANIA

 

Que me perdoem os audiomaníacos, em especial One-O-Six, sempre simpático e genuinamente empenhado nas coisas do áudio. Mas havia (há) algo de errado com estes caracóis. Tanto com CD (e eu conheço bem o Reimyo CDP777) como com LP o som não tinha nem corpo, nem substância, nem imagem. Ouvi compressão geral (não se deve confundir som alto com dinâmica) e distorção evidente no canal direito. Cheguei até a pensar que uma das secções (a de médios-altos) estaria ligada em inversão de fase relativamente às restantes, uma vez que o altifalante faltoso no Porto terá sido substituído, suponho.  

Willie Nelson não soa assim anémico, nem mesmo nas minhas Sonus Faber Concertino. E também não percebi porque não aproveitaram a profundidade da sala para afastar um pouco mais as colunas dos ouvintes. Até por uma razão muito simples: as Nautilus precisam de algum distanciamento para integrarem no espaço as 4-unidades e soarem coesas. Assim, estamos a ouvir 4-altifalantes por canal, e ainda por cima só um canal, se tivermos o azar de nos sentarmos fora da sweet spot. Estes caracóis foram (mal) afinados apenas para um ouvinte, daí o forte “toe-in” - os outros limitavam-se a molhar o pão no caldo. Se calhar o pessoal da fila de trás teve mais sorte. Que tenha saído tanta gente de lá de olhos arregalados não me surpreende: a parafernália highend impressionava, de facto. Sorry guys, better luck next time...

DELAUDIO

 

Finalmente ouvimos as Platinum 100. Aqui para nós não são umas 300 mais pequenas. Nem se espera que o sejam. E a razão é simples: com apenas duas unidades, o tweeter de fita é obrigado a trabalhar numa zona do espectro quase proibitiva, e perde-se alguma delicadeza, quando para compensar a volumetria da sala se sobe o volume.
 
 
 
Mas valeu a pena passar por lá para ouvir Yves Montand
 
e, sobretudo, Johnny Hodges, com a Orquestra de Bill Strayhorn,
 
 
ou Kenneth Gilbert no Das Wohltemperierte Klavier, de J.S.Bach,
 
 
num sistema bem temperado com um Roksan Radius no topo.

EXAUDIO
 
 
 
É bom saber que há marcas que nunca morrem nem nos cobram preços pela hora da morte, como a Dual. E nos ajudam a ouvir os mortos como se estivessem vivos: Coltrane, por exemplo. Isto apesar das ATC me terem soado um pouco crispadas e tensas para não dizer duras.

INTERLUX
 

 Do Carlos Henriques espera-se sempre algo de irreverente, como um sistema a tocar menos mal num hall de passagem para outras paragens. VPI, Cyrus e umas colunas novas da Arcus. O andar Phono tem nome de MAR e é tão português como as lágrimas que lhe dão o sal.
 
 E depois há sempre na Interlux aquele ambiente especial na fronteira entre o hifi e a decoração.
 
POLIFER

 
 Sou tão amigo do João Velez que gostaria de só poder dizer maravilhas das salas onde o encontro. Hélas, nem sempre é possível. Mestre van den Hul achou por bem colocar as Dynaudio de esguelha para domesticar os modos da sala. É um direito que lhe assiste. Mas de tal forma o fez que só havia uma cadeira na sweet spot. Uma vez lá sentado, o cérebro não conseguia evitar a sensação de que algo estava “torto” naquele som. Eu consegui a abstrair-me mas o esforço foi tão grande que não me entusiasmei. E depois as Burmester B25 são tão melhores que as Dynaudio que até dói...
 
 
Contudo, sabe sempre bem entrar numa sala e ver de novo Ella Fitzgerald. Mesmo quando não canta, encanta...
 
 
E o Transrotor Fatbob é transcendental...
 
SUPPORT VIEW
 
 
 Ver Paulo Cardoso, um comercial pragmático puro e duro, a promover giradiscos da ProJect
 

e amplificadores a válvulas single ended da Fat Man, é a prova de que nunca é tarde para ganharmos o céu dos audiófilos. But there he was, and he seemed happy too...
 
 
 E aquela IPod Dock a válvulas é deliciosa
 
TRANSOM
 
De longe o melhor som do Still Vinyl. Apesar da sala viva, do zumbido persistente do sistema eléctrico do hotel e de o Rui apostar mais no CD que no LP. Soou-me tudo bem: um som coeso, cheio, orgânico, inteligível, dinâmico e poderoso. Dos “blues” da terceira idade gravados pela genial loucura de Mark Levinson “himself” até à bateria de Max Roach. Uau! o som do ar dentro dos timbalões a tentar fugir ao castigo das peles parecia mesmo real...
 
 
 
E o LP dos Three Blind Mice tocado no Linn só prova que cego é todo aquele que não quer ouvir e surdo o que ouve apenas com os olhos...

ZEN AUDIO

 
A melhor demonstração de sempre do Miguel (ver video). Com praticamente o mesmo equipamento utilizado no Highend 2006, onde o desanquei forte e feio, ouvi um Messias reproduzido por um computador (!), embora interpretado por seres humanos que me deixaram feliz por pertencer à mesma raça que tantos desgostos nos dá. Somos de facto capazes do melhor e do pior. Até de nos aproximarmos de Deus para lhe pedirmos que nos purifique. And He shall purify...
 

Well done, Miguel: fabulosa imagem estéreo no plano da profundidade. Tal como o Messias, o Lyngdorf afinal também purifica o som...
José Victor Henriques
Email: jvhsom@netcabo.pt
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